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terça-feira, 24 de abril de 2018

MITO DA CAVERNA OU ALEGORIA DA CAVER




O MITO DA CAVERNA


A alegoria da caverna, também conhecido como parábola da caverna, mito da caverna ou prisioneiros da caverna, foi escrito pelo  filósofo grego Platão e encontra-se na obra intitulada  A República(Livro VII). Trata-se da exemplificação de como podemos nos libertar da condição de escuridão que nos aprisiona através da luz da  verdade,onde Platão discute sobre teoria do conhecimento, linguagem e educação na formação do Estado ideal.

    Um grupo numeroso de homens encontra-se preso numa caverna, acorrentados pelos pés e pescoços, de modo que não pode se virar para a entrada e somente veja a parede do fundo. A luz que vem de fora projeta imagens fantasmagóricas de homens, animais e coisas que passam pela entrada naquele fundo.
 Então, acostumados à escuridão, pensam que aquelas sombras representam a própria realidade, pois não conhecem outra, já que nasceram e cresceram ali. Os sons que ecoam nas paredes da caverna, os fazem ter certeza que são aquelas sombras que os emitem. E, assim, permanecem naquela situação porque pensam que viver é tudo aquilo que eles conhecem.

Todavia, se um deles consegue se libertar das correntes e se dirigir para a entrada da caverna, primeiro sentirá a violência da luz em seus olhos, depois enxergará com dificuldade as figuras que transitam pela entrada. Mas, contendo-se e acostumando a vista àquela claridade, perceberá que se trata de objetos com formas e cores, depois distinguirá sons e movimento. Ficará tão maravilhado e, ao mesmo tempo, confuso porque o que cria ser a plena realidade era apenas uma fantasia, que aquela verdade que antes defendia era uma grande mentira.

Lembrando-se dos que permaneciam no interior da caverna, naquela falsa realidade, ele vacila em sair de vez e permanecer num mundo que lhe permita conhecer as coisas ou retornar e avisar seus companheiros de que estavam vivendo uma pura ilusão. Porém, se retornasse poderia ser ignorado, dado como louco e mentiroso ou até ser morto, porque eles se revoltariam e não aceitariam viver de outra maneira, já que o que tinham lhes bastava.

Nessa alegoria, Platão (A República. Livro VII) sutilmente critica a condenação de seu mestre, Sócrates, o grande sábio da Grécia Clássica, à pena de morte. Também, a obstinação das pessoas em permanecerem na ignorância (escuridão), em libertarem-se das correntes que as aprisionam ao senso comum, falsas crenças, preconceitos, ideias enganosas e, por causa disso, imaturas e inertes em suas poucas possibilidades, incapazes de alterar seu destino e infelizes. Negam-se a romper o ciclo de escravidão em que se encontram e se enraivecem quando criticadas.

Esse mito é uma metáfora da condição humana ante o mundo e diz respeito à importância do conhecimento e da educação, como forma de superação da ignorância. Trata também da passagem paulatina do senso comum, enquanto visão de mundo e explicação da realidade, para o conhecimento das verdades, por meio de métodos inteligentes, sistemáticos e organizados, calcados na racionalidade e na causalidade.

Quanto a essa realidade, se o que vivemos é verdade ou não, segundo o autor “Só Deus sabe se ela é verdadeira. Quanto a mim, a minha opinião é esta: no mundo inteligível, a idéia do bem é a última a ser apreendida, e com dificuldade, mas não se pode apreendê-la sem concluir que ela é a causa de tudo o que de reto e belo existe em todas as coisas; no mundo visível, ela engendrou a luz; no mundo inteligível, é ela que é soberana e dispensa a verdade e a inteligência; e é preciso vê-la para se comportar com sabedoria na vida particular e na vida pública.”


INTERPRETAÇÂO


O mito da caverna é uma metáfora da condição humana perante o mundo, no que diz respeito à importância do conhecimento filosófico e à educação como forma de superação da ignorância, isto é, a passagem gradativa do senso comum enquanto visão de mundo e explicação da realidade para o conhecimento filosófico, que é racional, sistemático e organizado, que busca as respostas não no acaso, mas na causalidade.

Segundo a metáfora de Platão, o processo para a obtenção da consciência, isto é, do conhecimento abrange dois domínios: o domínio das coisas sensíveis (eikasia e pístis) e o domínio das ideias (diánoia e nóesis). Para o filósofo, a realidade está no mundo das ideias - um mundo real e verdadeiro - e a maioria da humanidade vive na condição da ignorância, no mundo das coisas sensíveis - este mundo -, no grau da apreensão de imagens (eikasia), as quais são mutáveis, não são perfeitas como as coisas no mundo das ideias e, por isso, não são objetos suficientemente bons para gerar conhecimento perfeito.

 Organização da postagem: Profª Lourdes Duarte  

MITO DE MÉGARA





MITO DE 
MÉGARA
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Na mitologia grega, Mégara era a filha mais velha de Creonte, rei de Tebas. Mégara casou-se com Herácles como recompensa por livrar a cidade de Tebas de um tributo que tinha de pagar aos mínios da cidade de Orcómeno. Juntos tiveram três filhos, Terímaco, Creontíades e Deicoon. Creonte também deu sua filha mais nova em casamento a Íficles, que já tinha um filho, Iolau.

Depois da batalha contra os mínios, a ciumenta Hera fez Héracles enlouquecer, e matar os próprios filhos e os dois filhos de Íficles, jogados no fogo. Segundo Pseudo-Apolodoro, Mégara, mais tarde, casou-se com Iolau, sobrinho de Hércules.3

Segundo (Pseudo-)Higino, Héracles também matou Mégara. Por esta versão, foi quando Hércules estava capturando o cão de três cabeças, Cérbero, que Lico, filho de Netuno, planejou matar Mégara e os dois Nota filhos e tomar o reino, mas Hércules matou Lico. Em seguida, Juno fez ele enlouquecer, e matar Mégara e seus dois filhos.

Iolau teve uma filha, Leipefilene, que se casou com Phylas e teve um filho, Hipotes, e uma filha, Thero; alguns autores[quem?] supõem que Leipefilene era filha de Mégara.[carece de fontes]





Mégara era a filha mais velha do rei de Tebas, Creonte. Não era bonita e nem atraente, chegara aos vinte anos e ainda não se casara. Então, em troca de um grande favor, ela foi cedida como um prêmio a Héracles (também conhecido como Hércules) e se tornou sua esposa.

Héracles era filho de Zeus com Alcmena, uma mortal. Um dia, disfarçado de seu marido Anfitrião, que se encontrava distante na guerra, o deus tomou a humana e nela gerou um filho. Para torná-lo imortal, pediu que Hermes o levasse junto ao seio de sua própria esposa, Hera, enquanto ela dormia, para que mamasse o seu leite. Porém, como a criança tinha muita fome, sugou o leite com tal voracidade que muito dele se espalhou pelo firmamento, gerando a Via Láctea, e muitas gotas caíram em vários pontos da terra, de onde brotaram lírios brancos.

Já imortal, Héracles foi levado a terra para que Alcmena terminasse de criá-lo, como se fosse filho legítimo de Anfitrião. Então, ele se tornou um jovem muito forte. Todavia, Hera, a esposa ciumenta e vingativa de Zeus, descobriu o caso e passou a perseguir o rapaz, armando ciladas, das quais ele se saía muito bem.

Na época, Tebas tinha de pagar pesados tributos à cidade de Orcómeno e, por ser bom negociador, Héracles foi incumbido de resolver o problema. O sucesso o tornou um herói e o rei Creonte, como pagamento, deu-lhe como esposa, sua filha Mégara, com quem teve três lindos filhos.

Mas Hera não descansava e, sempre tramando, instigou o rei Creonte a enviar Héracles para outra missão: ele deveria descer até o Hades para trazer de lá o cão Cérbero. Enquanto isso, Hera convenceu Lico, rei da ilha de Eubéia, a destronar Creonte e tomar Tebas para si. Já quase vitorioso, Lico se encanta com Mégara e a convida a ser sua esposa, pois que quem descia para o Hades jamais poderia voltar da terra dos mortos e ela também podia já se considerar uma viúva. Mégara consente, já que o destino quer assim.

Mas Héracles, uma vez mais volta vitorioso de uma missão e quando sabe que Lico deseja sua esposa, o herói enlouquece e, num acesso de fúria provocado por Hera, trespassou o intruso com sua espada. Desconfiando que Mégara o traía, e ainda muito furioso, matou seus três filhos.

Querendo se redimir e continuar a ter uma vida normal, após recuperar a sanidade, Héracles se dirige a um oráculo para saber o que tinha de fazer. Foi-lhe ordenado que deveria servir ao rei de Micenas, seu primo Eristeu, que era simpatizante de Hera. Sob a intervenção constante da deusa que tinha a intenção de eliminá-lo, o rei impôs ao herói doze perigosos trabalhos, mas de todos eles se sai vitorioso. Voltando a Tebas, divorcia-se de Mégara e a entrega para seu sobrinho Jolau, com quem teve uma filha de nome Leipefilene.


Mégara é o símbolo da pessoa comum, que se acha feia e sem encantos, e que se resigna a ter uma vida simples por entender e aceitar que o destino só lhe reserva isso. Ela representa a maioria das pessoas, que não extrapola suas condições, não luta para sair dela e nem se aventura em busca de uma felicidade possível. Pensa que está no mundo apenas para servir e que compõe uma multidão desinteressante, que não faz diferença nem falta para ninguém. Vegeta numa simplicidade e ignorância, esperando resignadamente que uma justiça do além um dia a redima de sua infelicidade.

Mas é sabido que a felicidade, a bondade, o sucesso familiar e profissional, a diferença e o valer a pena estar vivo e atuante, independem daquelas condições impostas pelo que se entende como destino. Ser e permanecer como Mégara e esperar que os problemas se resolvam, que a felicidade venha ao seu encontro, que o amor a procure, é merecer mesmo uma vidinha sem alguma importância para a humanidade.
A sociedade impõe ideologicamente modelos de beleza, de família, de profissões, de comportamentos, de crenças, como se fossem os ideais a serem alcançados e vividos, planificando as relações e transformando os grupos sociais em manadas, como se não houvesse outras formas de se obter sucesso e felicidade. É então que se instala o "complexo de Mégara" como forma única de existência.


 Organização da postagem: Profª Lourdes Duarte 

MITO ECOS E NARCISO



ECOS E NARCISO

Eco era uma bela ninfa e, como todas as outras, era responsável pelos cuidados de um vale, com um bosque, por onde corria um regato de águas límpidas. Possuía uma característica única: sua prolixidade. Aliás, falava e falava e inventava histórias que prendiam a todos que a ouviam. Com voz agradável, era sempre solicitada a falar e encantar suas companhias. Mas, ao contrário de outras que se divertiam às escondidas com Zeus, ela não tinha intenção de ter ninguém ao seu lado, apesar de ter muitos pretendentes. Sempre ajudava a deusa Ártemis em suas caçadas e entretinha as pessoas e os animais com sua voz encantadora e histórias sem fim, enquanto a deusa surpreendia suas caças. Sua beleza também a ajudava quando Afrodite a convidava a passear.

Um dia, Hera, a esposa de Zeus, desconfiada das saídas do marido com as ninfas, chamou-a para dar explicações. Enquanto ela falava e tentava distrair a deusa, o insaciável Zeus a traía com outra ninfa. Não deu outra, a vingativa Hera descobriu o ardil e condenou-a para sempre a nunca começar um diálogo e só repetir apenas as últimas palavras das frases que os outros diziam. Eco perdeu, assim, seu mais precioso dom. Tomada pela tristeza, passou a vagar pelo bosque, cada vez mais solitária e se escondendo de todos.

O regato que lhe cabia cuidar, em alguns trechos, era margeado por verdes campinas, onde os pastores vinham saciar a sede de suas cabras e ovelhas. Escondida, observava de longe as atividades daqueles mortais e a simplicidade de suas vidas. Foi quando notou que um deles tinha uma beleza tão divina que não lhe podia passar despercebida. Ao encontrar outras ninfas, ouviu que elas comentavam a respeito do jovem e belo pastor, que também nunca se apaixonara por ninguém e ainda se recusava a sair com elas. Seu nome era Narciso.

Esgueirando-se por entre as árvores, arbustos e rochas, todos os dias seguia os passos do pastor, de manhã ao entardecer. E a cada dia sentia-se mais e mais enamorada. Até que um dia Narciso notou que estava sendo seguido e perguntou quem estava lá. Sem poder lhe falar, Eco se mostrou e, mediante alguns gestos, tentou lhe explicar que o amava muito. Ele, não só não entendeu como a julgou louca, deu de ombros e saiu com seu rebanho o mais depressa dali.

Eco se retirou para o canto mais profundo daquele vale e chorou por muitos dias. Então, cansada de seu infortúnio, orou para Afrodite e implorou a ela que lhe tirasse a vida. Comovida por sua tristeza e por aquela voz tão doce e melancólica, a deusa se apiedou dela. Conversou com Ártemis e, juntas tramaram um plano para ajudar a pobre Eco. Roubariam um raio de Zeus e nele colocariam um encanto: aquele que o recebesse se apaixonaria perdidamente pela primeira pessoa que olhasse.

Combinaram com Eco que ficasse escondida e à espreita até que Narciso viesse dar de beber ao seu rebanho. Então, Ártemis, com sua mão certeira, atiraria o raio no pastor e Eco apareceria em sua frente. O plano era perfeito.

Todavia, assim que Ártemis lançou o raio em direção ao jovem, ele se debruçou sobre o regato para beber e viu sua própria imagem refletida na superfície da água. Foi a primeira pessoa que olhou e, pelo encanto, a primeira também por quem se apaixonou. Ficou a admirar aquela imagem até o escurecer e sem entender o que se lhe passava. Voltou para casa e, sem dormir, esperou que clareasse o dia. Correu depressa para o regato e continuou a olhar para aquele belo rosto.

Eco, inconformada, observava que todos os dias aquele rapaz vinha e se debruçava no mesmo lugar. Cada dia mais magro e pálido. Não comia mais e nem dormia. Abandonara o rebanho solto pelo campo. Definhou tanto que seu último ato foi cair desfalecido ao encontro do seu amor e submergir na fria água do regato.

Nenhum detalhe foi perdido pela pobre ninfa. Ela gentilmente recusou que as outras intercedessem por ela e também rejeitou a ajuda das deusas amigas. Mais uma vez se retirou para o interior do vale e, sabendo que não podia morrer, imaginou o seu eterno suplício. Nada mais fez e, sem comer, beber e dormir, também definhou. Tanto entristeceu e definhou que seu corpo começou a desaparecer, até que lhe sobrou apenas a bela voz, além da maldição de Hera, de repetir a última palavra de alguém.

Tomada de emoção e saudade daquela bela ninfa, Afrodite fez brotar, no lugar onde teria um encontro de amor, um arbusto muito verde, com flores de um azul sem igual e de perfume único.

Existem duas versões mais debatidas sobre o mito de Narciso. Uma, menos tradicional, oriunda do Poeta grego Pausânias, diz que Narciso teria uma irmã gêmea e que ela era o seu reflexo. Outra, considerada a versão original do mito, compreende que Narciso era uma das criaturas mais lindas já existentes. Por causa de sua beleza, as mulheres ficavam encantadas pelo jovem mancebo, filho de Cefiso e Liríope.

O nome Narciso (tema narkhé = torpor, como em narcótico para nós) já parece indicar o que sua existência significaria: sua beleza entorpece, atordoa, embaraça a todos aqueles por quem ela é vista. Mas também, por sua ascendência, Narciso tem estreita relação com a ideia de água, escoamento e fertilidade, por parte de pai, bem como mansidão, voz macia e leveza (por parte de mãe). Tudo isso influenciaria sua vida. Vejamos por quê.

Conta-se que, certa vez, Narciso passeava nos bosques. Perto dali, a ninfa ECO, que era uma tagarela incorrigível, acompanhava-o, admirando sua beleza, mas sem deixar que a notasse. Eco, em virtude de sua tagarelice, foi punida por Hera, esposa de Zeus, para que sempre repetisse os últimos sons que ouvisse (por isso, na física, chamamos de eco a reverberação do som). Por sua vez, Narciso, suspeitando de que estava sendo seguido, perguntou: “quem está aí?”. E ouviu: “Alguém aí?” Então, ele gritou novamente: “Por que foges de mim?”. E ouviu “foges de mim”. Até dizer “Juntemo-nos aqui” e ter como resposta “juntemo-nos aqui”. Toda essa repetição acabou deixando Narciso angustiado por desejar amar algo que não poderia ver.

Dessa forma, Narciso entristeceu-se e foi à beira de um lago, onde, de modo surpreendente, deparou-se com sua imagem nos reflexos da água. Como nunca antes havia se olhado (pois sua mãe foi recomendada a não permitir que isso ocorresse), enamorou-se perdidamente, acreditando ser a pessoa com quem estava “dialogando”. Por isso, tentou buscar incessantemente o seu reflexo, imergindo nas águas nesse intento, mas acabou morrendo afogado. A ninfa Eco sentiu-se culpada e transformou-se em um rochedo, vivendo a emitir os últimos sons que ouve. Do fundo da lagoa, surgiu a flor que recebeu o nome de Narciso e tem as suas características.

O mito de Narciso e Eco é, até hoje, estudado pelos psicólogos e filósofos. Alguns explicam que o alter ego, isto é, o outro que nos completa, é buscado fora de si, mas sempre como um retorno a si mesmo.  Essa compreensão mostra o quanto somos egoístas em relação às nossas necessidades, a ponto de ser possível uma relação entre um mito da Antiguidade e as sociedades de consumo do sistema capitalista de produção. Isso porque nesse sistema vivemos em busca de preencher o vazio libidinal que nos atormenta, redirecionando nossas pulsões sexuais para a satisfação na aquisição de bens. Ora, é essa tentativa de satisfação que promove um individualismo exarcebado no mundo contemporâneo, sendo, por isso, apelidado de sociedade narcisista.

Por João Francisco P. Cabral

 Organização da postagem: Profª Lourdes Duarte 

O MITO DE ISES E OSÍRES




ISES E
Osíris

O MITO DE ISES E OSÍRES

Geb, o deus da Terra, e Nut, a deusa do Firmamento, tiveram muitos filhos. Mas Ísis foi a primeira e mais importante. Desde jovem, era amiga dos escravos, pescadores, artesãos e oprimidos, mas também ouvia as preces dos opulentos, das donzelas, aristocratas e governantes. Era muito querida de todos os homens.

Quando tinha a idade de quinze anos, seus pais falaram a ela que estava hora de se casar e que escolhesse um dos pretendentes. Dois deles passaram a lutar por Ísis e, o pior, os dois eram irmãos dela. O primeiro era Seth, o deus da violência e desordem, da traição, ciúme e inveja, do deserto, da guerra, dos animais peçonhentos, serpentes e escorpiões. Tinha a cabeça de um chacal e diziam que rasgara o ventre da mãe Nut quando quis nascer e pretendia destronar o próprio pai. O segundo era Osíris, cordato e bom juiz, personificava a terra do Egito e sua vegetação.

Ísis preferiu a Osíris devido às suas qualidades e dele engravidou, sem nunca ter se deitado com ele, ou seja, era ainda virgem.

Enfurecido, Seth mata Osíris, esquarteja-o em milhares de pedaços e os espalha pelo rio Nilo. O rio, que deságua no mar Mediterrâneo, ajudou a espalhar os restos de Osíris pelos recantos da terra. Ísis chorou demais a morte do marido e dizem que de suas lágrimas se originaram as cheias do rio que corta o Egito.

Ísis pariu um menino, que foi chamado de Hórus. Ele tinha o corpo de um humano, mas sua cabeça era de falcão, tinha também visão excelente e uma esperteza incomparável. O garoto cresceu forte, mas ressentido com Seth pela crueldade com que matara seu pai. Quando atingiu a idade de quinze anos, enfrentou-o e o derrotou, tornando-se o deus dos vivos.

Assim que pode, passou a perambular por toda a terra, juntando os pedaços do corpo de seu pai. Quando julgou ter reunido todos os pedaços, trouxe-os para junto da mãe, que os colou e lhe soprou nas narinas para que ele revivesse. Osíris voltou à vida, mas foi reinar no subsolo, onde os mortos eram julgados por ele e encaminhados para o suplício ou para uma terra paradisíaca, onde escorria leite e mel.

E foi assim que Ísis, além de irmã e esposa também se torna a mãe de Osíris, por ter lhe devolvido a vida. E Hórus, além de filho se torna pai de seu próprio pai.


Parece muito estranha essa história, mas dentro da cosmogonia egípcia, a mulher deveria ser e parecer irmã e amiga, esposa e confidente, e agir como mãe do seu marido, para que ele se sentisse respeitado em todos os sentidos e respeitasse sua mulher como deveria respeitar sua própria mãe. E o filho que, na velhice do pai, deveria cuidar e zelar por ele como se fosse seu próprio filho. Dessa forma, a sociedade se espelhava nos acontecimentos celestes e se organizava de acordo. Ainda parece irreal, mas esta sociedade perdurou por quatro milênios.


O culto a Ísis não se restringiu apenas ao Egito, mas se estendeu pelo Mediterrâneo e Atlântico, até a investida fatal do cristianismo, no século VI. Em Roma, ainda há templos e obeliscos. Na Grécia, havia culto em Delos, Delfos, Elêusis e Atenas. Portos de Ísis eram encontrados no mar Arábico e no mar Negro. Inscrições mostram que possuía seguidores na Gália, Espanha, Panônia (parte da Hungria e Áustria), Alemanha, Arábia Saudita, Ásia Menor, Portugal, Irlanda e há até santuários seus na Grã-Bretanha.

Assim que o cristianismo ganhou popularidade, difundindo-se pela Europa, os cristãos transformaram os templos de Ísis em igrejas e a imagem da deusa, sentada e segurando um menino, foi substituída pela de Maria, segurando o menino Jesus. Este, assim como Hórus, também teria nascido de uma virgem. E qualquer semelhança talvez não seja mera coincidência.


Ísis (em egípcio: Auset) foi uma deusa da mitologia egípcia, cuja adoração se estendeu por todas as partes do mundo greco-romano. Foi cultuada como modelo da mãe e da esposa ideais, protetora da natureza e da magia. Era a amiga dos escravos, pescadores, artesãos, oprimidos, assim como a que escutava as preces dos opulentos, das donzelas, aristocratas e governantes. Ísis é a deusa da maternidade e da fertilidade.
Os primeiros registros escritos acerca de sua adoração surgem pouco depois de 2500 a.C., durante a V dinastia egípcia. A deusa Ísis, mãe de Horus, foi a primeira filha de Geb, o deus da Terra, e de Nut, a deusa do Firmamento, e nasceu no quarto dia intercalar. Durante algum tempo Ísis e Hator ostentaram a mesma cobertura para a cabeça. Em mitos posteriores sobre Ísis, ela teve um irmão, Osíris, que veio a tornar-se seu marido, tendo se afirmado que ela havia concebido Horus. Ísis contribuiu para a ressurreição de Osiris quando ele foi assassinado por Seth. As suas habilidades mágicas devolveram a vida a Osíris após ela ter reunido as diferentes partes do corpo dele que tinham sido despedaçadas e espalhadas sobre a Terra por Seth. Este mito veio a tornar-se muito importante nas crenças religiosas egípcias.
Ísis também foi conhecida como a deusa da simplicidade, protetora dos mortos e deusa das crianças de quem "todos os começos" surgiram, e foi a Senhora dos eventos mágicos e da natureza. Em mitos posteriores, os antigos egípcios acreditaram que as cheias anuais do rio Nilo ocorriam por causa das suas lágrimas de tristeza pela morte de seu marido, Osíris. Esse evento, da morte de Osíris e seu renascimento, foi revivido anualmente em rituais. Consequentemente, a adoração a Ísis estendeu-se a todas as partes do mundo greco-romano, perdurando até à supressão do paganismo na Era Cristã.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dsis

  Organização da postagem: Profª Lourdes Duarte 

MITO DE MEDUSA


                       
            

MITO DE MEDUSA


Medusa já foi uma mulher deslumbrante, que todos os homens da Grécia queriam possuir e toadas as mulheres a invejavam. Mas medusa não podia se casar porque era sacerdotisa de Atena deusa da guerra e virgem, ela estava além dos desejos masculinos, por isso as servas do templo de Atena deveriam ser virgens. Mas Poseidon, enlouquecido pelo desejo, violentou a sacerdotisa virgem dentro do templo de Atena. A inocência de Medusa foi roubada e sua vida mudaria para sempre. Por ter profanado o templo da deusa, Atena despertou sua ira, mas não sobre Poseidon(como deus masculino, o que ele fez não a surpreendeu) aos olhos de Atena era medusa quem devia ser castigada. Ai então a vitima se tornaria a acusada. Atena roga uma sentença arrasadora sobre Medusa e então, Medusa de bela se torna um monstro. Quem a olhasse se petrificaria
No mito, Medusa se tornou uma criatura chamada gorgona (grego antigo - horrível)
A mudança em sua aparência foi só o início do castigo, por causa do seu olhar petrificador, Medusa era um alvo. O guerreiro que a vencesse iria obter a maior arma de uma batalha, pois sua cabeça decepada ainda poderia petrificar. Por isso vários homens tentaram mata-la, mas todos falharam vítimas de seu olhar.

História de Perseu
Em Argos o rei Acrísio é informado de uma profecia na qual ele será morto e destronado por seu neto, caso ele nascesse. Então Acrísio, pelo terror de perder seu reino, manda prenderem sua filha em uma torre onde ela n visse ninguém. Ele a prendeu na torre sem água e quase sem comida, foi o jeito do rei de matá-la se derramar sangue. Quando Acrísio voltou na torre para retirar o corpo morto de sua filha, ele se surpreendeu, pois ela não só estava viva como também estava segurando um filho em seu braço, este filho era Perseu. Ele não acreditou que alguém tivesse conseguido entrar naquela torre e engravidado sua filha, mas seu pai não era humano, seu pai era Zeus.
Perseu nasce tanto humano quanto divino, ou seja, ele tinha poderes divinos, mas era mortal.
Acrísio com medo de que a profecia se realizasse resolve colocar mãe e filho em um barco e joga-los a deriva no mar, sem comida sem água. Ele esperava que mãe e filho morressem, mas Zeus, pai divino de Perseu o protegeu. Os dois terminaram parando em Sérifos onde Perseu cresceu muito forte e protetor de sua mãe, ele sabia que sua mãe corria perigo, pois o rei de Sérifos queria forçá-la a casasse com ele, mas a presença de Perseu atrapalhava seus planos. Então o rei pede para que todos os seus súditos dessem a ele um presente bem caro e quem não cumprisse essa ordem seria exilado. Como Perseu era pobre não poderia cumprir a ordem e seria exilado, perdendo sua mãe para sempre. Então como não podia dar nada para o rei ele vai buscar algo que ninguém nunca daria a ele, a cabeça de Medusa.

Morte da Medusa
Enquanto a Medusa esperava um filho de Poseidon, deus dos mares, teria sido decapitada pelo herói Perseu. Com a ajuda divina de Zeus que manda Hermes, seu mensageiro entregar a ele as sandálias aladas, e de Hades, que lhe deu um elmo de invisibilidade, uma espada e um escudo espelhado, o heroi cumpriu sua missão, matando a Górgona após olhar apenas para seu inofensivo reflexo no escudo, evitando assim ser transformado em pedra.
Agora Perseu tinha uma das armas mais poderosas da antiguidade e ele tinha vários alvos em mente.


Perseu salva sua mãe



Enquanto ele estava matando a Medusa, sua mãe era forçada a se casar com o rei de Serifos. Perseu precisava ser rapido, Ele voou com a ajuda de suas sandália em direção a Séfiro e enquanto ele voava, gotas de sangue da cabeça de Medusa caiam na areia do deserto e delas surgiam centanas e centenas de serpente venenosas, essas gotas de sangue deram origem a todas as especies de serpente conhecida pelos romanos no norte da África.
Perceu chegou a Séfiros no exato momento da cerimônia de casamento e quando ele viu que era sua mãe quem estava no altar ele ficou furioso e falou "rei aqui está seu presente", o rei Polidetes ao olhar para a cabeça da meduza foi transformado em pedra ao olhar para a cabeça da Medusa. Perseu deu então a cabeça da Górgona para Atena, que a colocou em seu escudo, o Aegis.




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Leia mais em: Mitologia Grega: Mito da Medusa
 

 RESUMO DO MITO


O casal de deuses marinhos, Fórcis e Ceto, tiveram três filhas: Medusa, Esteno e Euríale. Como eram muito belas, Atenas, a deusa da sabedoria, escolheu a primeira para ser uma sacerdotisa em seu templo. Para que assim fosse, a jovem deveria ter uma beleza excepcional e ser ainda virgem. Medusa então se tornou a mais bela sacerdotisa de Atenas. 
O seu belo perfil e lindos cabelos, que lhe cobriam metade das costas, chamaram a atenção dos adoradores de Atenas, deixando a deusa um pouco enciumada. Mesmo sabendo que era desejada pelos homens, Medusa só se preocupava em cumprir perfeitamente suas funções no templo.

Porém, não eram somente os homens que a desejavam, o deus do mar, Poseidon, intencionou possuí-la assim que a viu. Ficou tão apaixonado que faria qualquer coisa para isso. Mas Medusa, como sacerdotisa jamais poderia sair do templo. Então, disfarçado, escondeu-se atrás do grande altar e, quando não havia mais ninguém no templo, surpreendeu Medusa e a possuiu contra a sua vontade.

Atenas, quando soube que seu templo havia sido violado, descarregou sua ira na inocente Medusa. Primeiro, transformou-a num ser mortal, depois escureceu sua pele e a revestiu de escamas de réptil. Mas seus cabelos continuavam belos e sedosos, então a deusa os transformou em serpentes. Medusa ficou parecida a uma velha medonha e, mesmo se desculpando, implorando que estava grávida e exigindo justiça, não foi perdoada.
 Por fim, Atenas determinou que todos que olhassem para Medusa se transformassem imediatamente em uma estátua de pedra. Medusa foi viver com as irmãs em uma caverna, no extremo ocidente da Grécia. Eram chamadas de ‘as irmãs górgonas’, porque a cada dia se tornavam mais feias e repugnantes. Todos se esquivavam de passar perto com medo de virarem pedra.

Em uma ilha próxima, o tirano rei Polidectes raptou Dânae, mãe do jovem e valente Perseu. Ameaçando violentá-la, exigiu que o jovem lhe trouxesse a cabeça de Medusa. Mas como realizar uma proeza dessas se também ele, como todos os mortais, temia o poder do olhar da górgona? Sensibilizada e querendo dar um fim àquele episódio, que poderia até manchar sua imagem, a deusa Atena ajudou Perseu cedendo a ele o elmo de Hades, que lhe tornava invisível, as sandálias aladas de Hermes, um alforje para transportar a cabeça da Medusa e um escudo de bronze brilhante, para que ele pudesse enfrentar as três irmãs. Perseu entrou na caverna enquanto elas dormiam e, mirando o pescoço de Medusa pelo reflexo do escudo, separou a cabeça do monstro, colocou-a no alforje e saiu da caverna voando. Chegando à ilha, salvou sua mãe e presenteou a deusa Atenas com a cabeça decepada, que continha o mesmo poder transformador de quando era viva. Atenas pregou a face da Medusa em seu escudo e lá ela está até hoje.


Não há quem não se sensibilize com a história de Medusa, da injustiça que sofreu e do seu trágico fim, e não se perguntam por que Atenas preferiu puni-la ao invés de vingá-la. Fazendo parte de um panteão de deuses masculinos, Atenas deveria ficar ao lado deles e garantir seu status ou decepcionar os humanos e perder sua condição da deusa mais amada na maior cidade da Hélade? Ela preferiu a primeira versão. Já Perseu, o assassino de Medusa, passou à história como herói.


Para Freud, ela representa a castração, associada na mente da criança à descoberta da sexualidade materna e sua negação. Para outros psicanalistas, representa os conflitos não resolvidos da deusa com o seu pai, sugerindo que as filhas decepcionam os pais ao se casarem e se associarem a um macho diferente. As feministas da década de sessenta a tomaram como símbolo de sua ira contra as imposições do patriarcado chauvinista, como um mapa que as guiassem ao poder e as libertassem enquanto pessoas. Para a maioria é só mais uma história de injustiça contra a mulher.

  Organização da postagem: Profª Lourdes Duarte

MITOLOGIA GREGA - MITO DE MEDEIA

MITOLOGIA GREGA - MITO DE MEDEIA




MITOLOGIA GREGA

Os mitos nos ajudam a entender as relações humanas e guarda em si a chave para o entendimento do mundo e da nossa mente analítica. A mitologia grega, repleta de lendas históricas e contos sobre deuses, deusas, batalhas heróicas e jornadas no mundo subterrâneo, revela-nos a mente humana e seus meandros multifacetados. Atemporais e eternos, os mitos estão presentes na vida de cada Ser humano, não importa em que tempo ou local. Somos todos, deuses e heróis de nossa própria história.



MEDÉIA

Medeia era filha do Eetes, rei de Cólquida, uma região da Grécia Antiga. Sobrinha da famosa feiticeira Circe, com quem passara parte de sua adolescência e aprendera a fazer sortilégios e encantos mágicos. Quando se tornou jovem, era cortejada por muitos pretendentes devido à sua inteligência, astúcia na arte da retórica e pela beleza admirável.

Então, vindo do reino de Iolcos, chega Jasão reivindicando seu prêmio, um velocino de ouro, por ter realizado um feito grandioso em sua terra. Não querendo contrariar os deuses, Eetes promete-lhe entregar o velocino desde que cumprisse algumas tarefas: teria de lavrar um campo com dois touros indomados e depois semear no campo lavrado os dentes de um dragão. Esta tarefa era difícil, mas Hera, protetora de Jasão, convence Afrodite a fazer com que Medeia se apaixone pelo herói. Como Eetes esperava que o herói morresse no campo a ser lavrado, Medeia, adivinhando as intenções do pai, passa a ajudar seu amado, combinando com ele ser sua esposa.

Primeiro lhe oferece um unguento para conseguir domar os touros e arar o campo. Depois o adverte que dos dentes semeados nasceriam soldados imbatíveis e que deveria rolar uma grande pedra entre eles, para que ficassem confusos e matassem uns aos outros numa discussão sobre quem atirara a pedra. Assim, Jasão, executando facilmente as tarefas, voltou a reclamar o velo a si. Eetes fica furioso e tenta incendiar o barco de Jasão, mas Medeia prepara uma poção poderosa que fez o dragão que guardava o velo adormecer. Então, o herói pega seu prêmio e foge com a amada em direção à sua terra.

Na fuga, Medeia leva consigo seu irmão Apsirto e sabendo que seu pai não tardaria a vir em seu encalço, manda matá-lo e esquartejá-lo, jogando os pedaços do seu corpo no mar. Isso atrasaria o intento de seu pai, pois ele recolheria os restos de seu filho para lhe dar um enterro decente. Sabendo do crime, Zeus fica furioso, desvia a nau da rota e a orienta para a ilha onde habitava Circe, pois deveriam ser purificados em um ritual. Circe os purifica, mas se recusa a manter Jasão em sua ilha.

Ambos se dirigem à Iolco e lá têm de enfrentar Pélias, o rei tirano que havia enviado Jasão à Cólquida reclamar seu prêmio e esperava que ele falhasse. De novo, Medeia, não titubeando em ajudar seu amado, engendra um plano absurdo: torna-se amiga das filhas do rei e diz-lhes que é capaz de rejuvenescer quem ela quisesse. Então, mata e esquarteja um velho carneiro e coloca suas parte num grande caldeirão, onde fervia uma poção. Em seguida, retira-o do caldeirão vivo e rejuvenescido. As filhas do rei, vendo essa proeza, correm a esquartejar o velho pai e a lançar os seus pedaços dentro do caldeirão. Claro que ele não saiu de lá com vida e o incidente fez com que o casal tivesse de fugir às pressas para Corinto.

A paz de Medeia não durou muito lá, pois o rei Creonte, com base em intrigas, convence Jasão a abandonar a esposa e casar-se com sua filha Creúsa, além de obter muitos privilégios na corte. Inconformada com a traição de Jasão, a quem dera dois filhos e o ajudara a se livrar várias vezes da morte, trama ardilosamente sua vingança: faz chegar às mãos de Creúsa um lindo vestido de noiva e algumas jóias. Assim que a princesa veste o presente, seu corpo se incendeia. O rei, aterrorizado e vendo sua filha consumir-se em chamas, tenta salvá-la e se incendeia também, morrendo carbonizado.

Medeia teve de abandonar a cidade e, na fuga, não teve tempo de levar seus filhos, que acabaram sendo apedrejados até a morte pela família de Creonte, ante os olhos insensíveis do pai. Mesmo assim, foi acusada de infanticídio, por um ato de fria e premeditada vingança em relação ao marido infiel.

Retornando a Cólquida, Medeia conhece Medo, com quem se une e passa a viver mais tranquila. Mas ficam sabendo que seu pai, o rei Eetes havia sido deposto por seu tio Perses. Medo mata o rei usurpador e estende o território do reino, que passou a se chamar Média. E foi lá que Medeia viveu o resto de seus dias, tranquila, mas sem nunca esquecer o volúvel Jasão.

Sendo uma das mais belas tragédias gregas, Medeia rendeu muita discussão no campo da psicologia. Influenciou a escultura e a pintura, tanto do Renascimento quanto de movimentos posteriores. A versão de Eurípedes, escritor e teatrólogo grego, possibilitou inúmeras versões e adaptações no teatro, no cinema e na literatura, principalmente a parte de sua história onde é abandonada por Jasão e tem de deixar os filhos à própria sorte. A tragédia retrata drama do amor incondicional de Medeia pelo herói sem caráter Jasão.

O mito de Medéia apresenta o retrato psicológico de uma mulher carregada de amor e ódio a um só tempo. Ela é apresentada como um tipo de personagem na tragédia grega como esposa repudiada, abandonada e estrangeira perseguida. Ela se rebela contra o mundo que a rodeia, rejeitando o conformismo tradicional e tomada de fúria terrível, ela assume a vingança como meta para automodificar-se e usa seu poder de persuasão e suas palavras como armas.


A juventude impetuosa de Jasão o fazia aceitar todas as missões consideradas difíceis, ou seja, ele se sentia atraido pelos desafios e obstáculos, dando mais valor às impossibilidades de suas aventuras. Medéia, apresentada como feiticeira, muitas vezes ligada à deusa Hécate - deusa da bruxaria, na verdade simboliza a mulher jovem que, apesar da juventude, já dominou seus impulsos e aprendeu a dominar a arte de viver e resolver problemas, mesmo aqueles dificeis.

Vista como uma das figuras femininas mais impressionantes da dramaturgia universal, Medéia narra o drama da mulher que deixa tudo: sua pátria, sua família e seus sonhos para seguir ao lado de um grande amor. Jasão era o seu objeto amado e de sua extrema dedicação. Ela era capaz de qualquer atitude para atender os interesses e caprichos do seu amado.

Com sua maturidade, ao facilitar os caminhos e resolver todos os problemas de Jasão, Medéia foi abandonada, pois Jasão não encontrava mais desafios e aventuras. Medéia tinha todas as respostas, mas Jasão já não encontrava desafios a vencer. Jasão vivia ansioso pelas aventuras e Medéia lhe oferecia a estabilidade de um trono onde ele já não encontrava estímulos variados. De fato, Medeia tivera sido apenas parte de suas aventuras. Inconformada, Medeia quis vingar-se.

Em alguns casos, mães que não se recuperam dos efeitos da gravidez podem sofrer de algum transtorno mental que a leva a maltratar seu filho recem-nascido. Em outros casos, são os filhos ilegítimos indesejados que se tornam vítimas de crueldade. Há ainda outro fato cruel, é aquele em que o ódio é deslocado para as crianças como forma de retaliação. Essas crueldades são denominadas como Complexo de Medeia.

Não são raros os casos daqueles que para vingar-se, maltratam seus próprios filhos ou os enteados como uma forma de provocar uma imensa dor em quem o rejeitou. O Complexo de Medéia é encontrado tanto nos filmes como na vida real, no qual aquele que foi rejeitado direciona sua atenção furiosa para a nova parceira ou novo parceiro do seu ex-amor como também às crianças envolvidas na trama. A história do relacionamento dos pais tende a revelar um ambiente hostil, cheio de conflitos, com atos violentos de um ou ambos, sendo uma das principais motivações para os conflitos e o assassinato, o ciúme e suspeitas de infidelidade.

A retaliação por parte dos homens parece ser uma extensão natural de seu poder e controle sobre a família e o relacionamento sexual. Quando a mulher abandona o homem para iniciar ou não outro relacionamento, ele percebe isso como um desafio à sua autoridade e masculinidade. Os homens são muito mais propensos à retaliação do que as mulheres. Além disso, os homens apresentam maior probabilidade de causar injúrias mais sérias. As mulheres apresentam comportamento retaliador devido ao ressentimento, pela falta de poder no relacionamento.

Quando acontecem os divórcios, alguns pais ou mães iniciam um processo de destruição do ex-parceiro ou parceira. Sofrendo de uma espécie de Complexo de Medéia, para fazer o outro sofrer, passam a matar emocionalmente e psicologicamente os filhos. Assim, dificultam o relacionamento entre o pai ou a mãe com os filhos, interferem, mentem, escondem, manipulam até à exaustão as mentes e emoções dos filhos e ainda se fazem de vítimas. O fato é que tais atitudes interferem negativamente no desenvolvimento da criança mas isso não parece fazer parte das preocupações dos modernos pais e mães Medéias.

Uma mãe que põe as suas crianças contra o pai delas ou o pai que as coloca contra a mãe, provavelmente terá, pelo menos, comportamentos paranóicos de uma estrutura de personalidade psicótica ou borderline. Por não conseguir lidar com a perda, permanece com uma ligação ao ex-marido ou ex-esposa num íntimo sentimento de ódio e mantém as crianças amarradas por um profundo sentimento de lealdade consigo.

Parceiros e parceiras rejeitados podem usar os filhos para despertar compaixão ou usá-los como mini-espiões para lhes relatar a nova vida do ex-marido ou da ex-esposa. Para alimentar o ódio que sente, usam os filhos como fantoches e incitam os filhos a despertar ciúmes. Os filhos se tornam extensão de seus tentáculos e podem até mesmo usá-los para atrapalhar o novo relacionamento, usando o filho como um gancho para manter uma ligação com a família do ex-parceiro ou parceira, impondo sua presença em qualquer esfera onde possa penetrar. Expor os filhos a tamanha carga psicológica e desgaste pode causar grande desorientação nas crianças.

Outro aspecto do mito que realmente é bastante típico dos casos reais é a história de abuso físico e emocional no relacionamento: a violência doméstica que não se restringe apenas às agressões físicas, mas principalmente às atitudes de humilhação que um cônjuge submete o outro. Em muitos casos, as mulheres submetidas à violência doméstica preferem o silêncio do que enfrentar o homem por meio de ações judicias esperando que a situação algum dia se amenize. Na maioria dos casos, é apenas uma perversa ilusão.

No mundo atual, muitas pessoas vivem relações irreais e seguem iludidas. A longo prazo poderão descobrir que mais vale uma triste certeza do que uma prazerosa ilusão, pois, diante de uma certeza, toma-se decisões de mudanças; diante de uma prazerosa ilusão, segue-se perseguindo uma utopia...
Fonte: http://eventosmitologiagrega.blogspot.com




 Organização da postagem: Profª Lourdes Duarte 

MITO APOLO, DEUS DA LUZ E ESPIRITUAL





MITO APOLO, DEUS DA LUZ E ESPIRITUAL
Apolo foi uma das principais divindades da mitologia greco-romana, e um dos principais deuses olimpicos. Filho de Zeus e da titanide Leto, irmão gêmeo de Ártemis, possuia muitos atributos e funções. Depois de Zeus, era o mais influente e venerado de todos os deuses da Antiguidade Clássica. Apolo teve um grande número de amores, masculinos e femininos, mortais e imortais, tendo sido rejeitado por alguns ou alguma tragédia interrompia o romance.

Apolo era sinônimo de luz física e espiritual. Era tido como eternamente jovem e de beleza sem igual entre os Deuses. Apolo era o mais belo dos deuses, senhor das artes, música e medicina. Exímio arqueiro e com tantos predicados, Apolo acreditava que suas flechas fossem mais poderosas que as flechas do Cúpido, porém o Cúpido lhe advertiu, que as flechas de Apolo poderiam ferir, porém suas flechas tinham uma força poderosa.

Para provar seu poder, o Cúpido disparou uma flecha de ouro no coração de Apolo e ele se tornou perdidamente apaixonado pela ninfa Dafne; mas no coração de Dafne o Cúpido disparou uma flecha de chumbo; isto fêz com que Dafne rejeitasse Apolo, embora ele sempre a perseguisse.

Dafne era filha do Deus Rio Peneu e pediu ao pai que a ajudasse a se livrar de Apolo. Atendendo ao pedido, Peneu transformou a filha em uma planta, o loureiro. Inconformado com a perda da amada, Apolo passou a usar uma coroa com as folhas de louro, que se tornou seu símbolo para sempre e passou a ser oferecida aos vencedores dos jogos.

Hermes era seu irmão, filho de Zeus e da ninfa Maia, uma das Pleiades. Hermes e Apolo disputaram o amor de Quione, por sua grande beleza. Temeroso que Apolo a ganhasse, Hermes tocou seus lábios de Quione com o caduceu, a fêz dormir e a possuiu. Não obstante, Apolo, disfarçado de uma velha, penetrou no quarto de Quione e a amou também.

Dessas uniões, Quione concebeu Autólico, filho de Hermes; e Filamon, filho de Apolo. Porém Quione se sentiu mais bela que Ártemis, deusa da vida selvagem e da caça, e era írmã gêmea de Apolo. Injuriada, Ártemis a matou. O pai de Quione, tomado pela dor, jogou-se de um penhasco, mas Apolo o transformou em uma águia feroz.

Apolo gerou com Corônis o filho Asclépio, que se tornou um mestre na arte de curar e ressuscitar os mortos. Com isso, Asclépio ameaçava o poder soberano de Zeus, e causava insatisfação em outros deuses, pois os mortos nas guerras sempre retornavam, roubando os súditos de Hades. Por isso, Asclépio foi morto pelo raio de Zeus. Para vingar-se de Zeus, como não podia voltar-se contra seu pai, Apolo matou os Cíclopes, que haviam forjado os raios, e por isso foi castigado.

Apolo foi condenado a um ano de trabalhos forçados junto ao rei mortal Admeto. Sendo bem tratado pelo rei durante sua expiação, Apolo ajudou-o a obter Alceste e a ter uma vida mais longa a que o destino lhe reservara. Além disso, ensinava a música, a dança, as artes e ofícios, os jogos atléticos, a caça e a percepção da natureza e da própria beleza aos mortais. Os deuses vendo que Apolo tornava muito aprazível a vida dos mortais, resolveram levar Apolo novamente ao Olimpo.

Retornando, Apolo se apaixonou pela princesa troiana Cassandra e a presenteou com o dom da profecia. Mas Cassandra o repudiou e Apolo a puniu fazendo com que ninguém acreditasse nela, embora suas profecias se revelassem sempre verdadeiras posteriormente.

Hermes, seu irmão por parte de Zeus, roubou-lhe o gado. Apolo o acusou mas vendo Hermes tocar uma lira, ficou encantado e trocou o gado pela lira. Mais tarde Hermes inventou uma flauta, que Apolo também desejou para si, mas em troca Hermes exigiu que seu irmão lhe ensinasse a arte da profecia. Apolo concordou, e deu ainda para Hermes seu cajado de pastor, que se transformou no caduceu hermético.
Após esse episódio, Apolo se apegou ao jovem Jacinto, que o acompanhava em todas as atividades físicas, negligenciando suas flechas e liras por causa de Jacinto. Certa vez Apolo e Jacinto estavam a lançar discos, e Apolo lançou o primeiro com muita força e precisão, tipicamente de um deus. Jacinto correu para alcançar o disco. Porém, Zéfiro - o Vento Oeste - que fora rejeitado por Jacinto, soprou o disco em direção a Jacinto, que veio a atingir sua cabeça.

Apolo correu para tentar ajudar seu amigo, mas percebeu que ele tinha morrido. Declarando seu amor a Jacinto, e inconformado com a perda, as musas sentiram pena de Apolo e fizeram que do sangue de Jacinto, surgisse uma bela flor, o Jacinto.
 Fonte: http://eventosmitologiagrega.blogspot.com
Post: Profª Lourdes Duarte 

MITO ALOÍDAS , DA FORÇA BRUTA À SABEDORIA





MITO ALOÍDAS , DA FORÇA BRUTA À SABEDORIA

Havia uma geração de Gigantes que não pertencia às divindades primordiais, eram os Aloídas, filhos de uma aventura amorosa de Poseidon, deus dos mares e Ifimedia, esposa de Aloeu. Conta a lenda que Ifimedia, apaixonada por Poseidon, costumava passear à beira do mar pegando água das ondas em suas mãos e derramando-a em seu peito. Poseidon não resistiu aos seus encantos e com ela viveu um romance do qual nasceram os filhos gêmeos Oto e Efialtes.
Os gêmeos eram chamados de Aloídas por terem sido adotados por Aloeu, marido de Ifimedia. Eles se distinguiam por sua extrema beleza, eram gigantes fortes e agressivos, com um crescimento extraordinário. Aos nove anos, os Aloídas já haviam alcançado a altura de dezessete metros e já se mostravam violentos seguindo seus impulsos por onde passavam.

Certo dia, os Aloídas junto com outros gigantes, resolveram se rebelar contra Zeus. Empilharam o Monte Ossa e o Monte Pelion preparando uma grande escada para escalar e invadir o Olimpo, a morada dos deuses. Pretendiam destronar Zeus e raptar a deusa Hera - esposa de Zeus - e a deusa Ártemis. Quando Ares - o deus da guerra - tentou impedí-los, os intrépidos gigantes aprisionaram Ares em um pote de bronze, que ali permaneceu durante treze meses, até ser libertado por Hermes - o mensageiro dos deuses.

Na rebelião, os gigantes ameaçaram atirar as montanhas ao mar na tentativa de secá-lo. Diante de tanta ousadia, Zeus fulminou os Aloídas com seus raios e os aprisionou para sempre nos infernos. Amarrados a uma coluna cercada por serpentes, foram submetidos ao suplício eterno e torturados perpetuamente por uma coruja que gritava sem parar...

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O mito dos Aloídas está relacionado à descoberta da inteligência sobre os impulsos, da vitória da inteligência do homem sobre os seus instintos. É a força dos instintos que nos levam à ação e, embora haja uma diversidade de instintos, há alguns considerados básicos que podem se tornar dominantes e influir em nossa personalidade. São os instintos distorcidos na infância que produzem os comportamentos obsessivos.

Fonte: http://eventosmitologiagrega.blogspot.com

Post: Profª Lourdes Duarte 

MITO DE ATENA





MITO DE ATENA


Atena, deusa da justiça, é filha de Zeus e de Métis, a deusa da Prudência, a primeira esposa de Zeus. Quando Métis estava ainda grávida, Zeus recebeu a previsão de que a criança poderia ser mais poderosa que o pai. Para impedir que a profecia se concretizasse, Zeus pediu à mulher para se transformar numa mosca. Sem perceber as intenções de Zeus, ela voa e pousa em suas mãos. Imediatamente, ele a aprisiona e a engole.

Métis estava grávida e a cabeça de Zeus crescia a cada dia, até que da cabeça de Zeus nasceu Atena, já adulta, e a profecia não se cumpriu. Dançando triunfante, Atena com suas armas soltou um grito de guerra. Mais tarde tornou-se a filha favorita de Zeus despertando ciúme nos outros deuses.

A inclinação guerreira de Atena foi reconhecida a partir de seu nascimento e era diferente de Ares, o deus da guerra. Atena cultivava seus altos princípios e ponderação sobre a necessidade de lutar para preservar e manter a verdade. Era estrategista e equilibrava a força bruta de Ares com sua lógica, diplomacia e sagacidade. Ela oferecia aos heróis as armas que deveriam ser usadas com inteligência, maestria e planejamento.

Atena era uma exceção no Olimpo conservando sua castidade. Ela ensinou aos homens a doma de cavalos e às mulheres a arte de bordar, além das coisas práticas da vida e da arte em geral. Atena era uma deusa civilizada e ao mesmo tempo uma guerreira que protegia e preservava a pacifica civilização.

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Atena, a deusa da justiça, é a imagem do julgamento reflexivo e da racionalização, o que diferencia o homem do animal. Eles consideravam que por ela não ter nascido de uma mãe, ela estaria livre para julgar com imparcialidade todos os aspectos de uma situação. Sua castidade representa além da pureza, o seu caráter reflexivo que jamais se deixava influenciar pelo desejo humano e pessoal.

Seu desejo de lutar por princípios ao invés das paixões, vem da capacidade de fazer escolhas refletidas mantendo sob controle os instintos. Ela congrega a força, a justiça, a temperança e a reflexão, quatro aspectos necessários e que contribuem para a formação do ego. Essas faculdades nos permitem enfrentar os desafios da vida com base estável e verdadeira.

Fonte: http://eventosmitologiagrega.blogspot.com


Organização: profª Lourdes Duarte 

MITO A TRAGÉDIA OU O MITO DE ÉDIPO


                                      MITO- A TRAGÉDIA OU O MITO DE ÉDIPO

Edipo e Sua herança maldita
A maldição que se abateu sobre Édipo teve início com seu pai Layo, filho de Lábdaco, sábio rei tebano que deu origem aos Labdácidas. Quando Lábdaco faleceu, Layo ainda era muito jovem para governar Tebas. Lico, o fiel conselheiro do rei, assumiu a regência do trono que seria restituído a Layo quando ele completasse a idade para governar. No entanto, os sobrinhos de Lico, Anfião e Zeto, tomaram-lhe o trono.
Temendo por sua vida, Layo fugiu para a Élida sendo acolhido pelo Rei Pélops. Porém Layo se apaixonou por Crisipo, filho mais jovem e preferido do rei, e o raptou. Isso atraiu a fúria de Pelops. Ao fugir Crisipo se precipitou em um poço. Tomado de dor e ódio, Pélops lançou uma maldição sobre Layo que iria se abater sobre todas as suas gerações descendentes.

Layo reassumiu o trono de Tebas, casou-se com a bela Jocasta e se esqueceu da maldição que lhe fora lançada. O reino de Layo se tornou um dos mais prósperos da Grécia quando Jocasta anunciou a chegada do herdeiro. Feliz com a gravidez, Layo se debruçou sobre o ventre da mulher e repentinamente sentiu uma tristeza desconhecida e um estranho desespero.

Tomado pelo presságio, Layo decidiu consultar o Oráculo sobre o herdeiro que revelou uma terrível profecia: “ O filho matará o próprio pai e se tornará o soberano casando-se com a mãe; isto será a ruína de Tebas". Transtornado com tão trágica revelação, Layo revelou a profecia à sua esposa. Quando a criança nasceu, Jocasta viu o filho ser arrancado de seus braços pela força das profecias. Layo em silêncio, tomou a criança e partiu.

Longe do palácio, Layo seguiu ao lado de um escravo para o monte Citeron com a determinação de eliminar o filho. No meio do bosque, olhando para aquela inocência infantil, não teve coragem de matá-lo. Porém, determinado, perfurou os pés do recém-nascido, amarrou-os com uma corrente e pendurou numa árvore. Ali o deixou entregue ao seu próprio destino.

Mas o Destino já decidira que a criança não morreria e que as palavras do Oráculo se cumpririam. Um pastor caminhava pelo bosque e ouviu o choro do pequeno. Compadecido, tomou-o e o levou para Corinto, entregando-o ao Rei Pólibo e sua esposa Mérope, que jamais poderia conceber um filho. Tomados de felicidade, deram-lhe o nome de Édipo, cujo nome significa "o de pés inchados".
Edipo e seu destino
Édipo cresceu feliz em Corinto e foi criado como legítimo filho dos rei Pólibo e sua esposa Mérope. Era admirado por todos, mas nunca lhe fora revelada a verdadeira origem. Porém na juventude, tornou-se inseguro e foi consultar o oráculo. Édipo jamais se fechava para as suas verdades e o oráculo foi cruel em suas palavras, dizendo ao jovem: “Hás de matar o teu pai e desposar a tua própria mãe.”
Diante da cruel profecia, desesperado abandonou Corinto fugindo pelas estradas gregas. Decidira jamais retornar para que não cumprisse a profecia de matar Pólibo e desposar Mérope. Seria eternamente errante, exilando-se de Corinto. Mas os deuses já tinham decidido que se cumpriria a profecia.

Errante pelas estradas, Édipo chegou à encruzilhada de Megas onde convergiam os caminhos de Dáulis e Tebas. Indeciso, não sabia por onde seguir, até que na estrada surgiu inesperadamente a comitiva de Layo comandada por seu arrogante servo Polifontes, exigindo que o forasteiro se retirasse para que o seu amo Layo pudesse passar. Diante das palavras rudes do servo, Édipo não se moveu mantendo-se impassível.

Irritado, o servo Polifontes investiu contra o jovem que, ao defender-se, desferiu um golpe mortal no agressor. Transtornado, Layo se atirou em luta contra o forasteiro. Édipo voltou-se para Layo fitando-o profundamente. Pai e filho não se reconheceram e atracados numa violenta luta, Layo tombou sob a espada de Édipo. Ao cair, banhado em sangue, olhou para o seu agressor acometido de uma estranha ternura, quando a morte o tomou. Apesar de ter cometido os crimes numa luta em defesa pessoal, Édipo sentiu-se estranho diante daqueles mortos.

Prosseguiu o seu caminho errante rumo a Tebas, onde os deuses reservavam para ele o total cumprimento da maldição que o acompanhava. Édipo chegou a Tebas e encontrou a cidade tomada pelo pânico, pois além da morte do rei, a Esfinge, um monstro metade mulher metade leão com cauda de dragão e asas de ave de rapina, lançava um terrível enigma a todos que passavam pela estrada sob a ameaça de devorar quem não soubesse a solução:

- “Qual o animal que tem quatro pés de manhã, dois ao meio dia e três no entardecer?” Ninguém sabia a resposta, e como punição, ela devorava o viajante, fazendo a população refém do medo e do terror. Ao encontrar a Esfinge, Édipo aceitou-lhe o desafio. Ao ouvir o enigma, ele respondeu prontamente: “O homem: na infância arrasta-se sobre os pés e as mãos; na idade adulta, mantém-se sobre os dois pés; e na velhice precisa usar um bastão para andar.”

Diante da inteligência de Édipo, a Esfinge afligiu-se e propôs lançar-lhe um novo enigma: - “São duas irmãs, uma gera a outra, e a segunda é gerada pela primeira. Quem são elas?” Édipo respondeu sem hesitar: “A luz e a escuridão. A luz do dia clareia aberta no céu, gera a escuridão da noite, que, por sua vez, precede a luz do dia”. O jovem respondera a todos os enigmas da Esfinge. Com sabedoria, desvenda-lhe as artimanhas e sortilégios, e ela do alto do rochedo se atirou nas pedras.

A rainha Jocasta havia prometido casar-se com o homem que vencesse a Esfinge e Édipo foi aclamado pelo povo como o seu rei. Frente a frente, mãe e filho não se reconheceram, mas em seus sentimentos confusos, considerados como fruto da paixão, Édipo e Jocasta se tornaram marido e mulher. Por muitos anos Édipo viveu feliz ao lado de Jocasta, gerando com ela os filhos: Ismena, Antígona, Etéocles e Polinice. Tornou-se um soberano sábio e amado pela população tebana.
Édipo e o expurgo de seus pecados
Um dia Tebas foi assolada por uma terrível peste. Nos campos as plantas secavam, os vegetais morriam levando à fome a todos. Preocupado com a tragédia que se abatera sobre o seu reino, Édipo decidiu consultar o oráculo. Mais uma vez, o oráculo foi implacável: “A peste só findará quando o assassinato de Layo for vingado.”
Édipo iniciou uma contundente investigação para descobrir o assassino de Layo e consultou Tirésias, o velho adivinho cego. Capaz de ver na escuridão dos próprios olhos, o passado e o futuro, Tirésias revelou a Édipo que ele era o assassino de Layo. Pensando tratar-se de uma conspiração para tirá-lo do poder, Édipo expulsou Tirésias do seu reino, mas ainda persistia em busca da verdade.

Ao contar a previsão para Jocasta ela o tranquilizou e lhe contou que o Oráculo havia previsto que Layo seria morto pelo próprio filho, porém o filho que tivera havia sido morto no Monte Cinteron. Além disso, Layo havia sido morto numa disputa numa encruzilhada.

Angustiado, Édipo juntava as coincidências quando chegou um mensageiro de Corinto anunciando a morte do Rei Pólibo, que ele ainda julgava ser seu pai. Édipo se sentia triste porém aliviado de que a profecia falhara, quando dissera que seu pai morreria pelas suas mãos. Mas antes que respirasse seu alivio, o mensageiro fêz a revelação de que ele não era filho de Pólibo, e que havia sido recolhido por um pastor no Monte Cinteron.

Ao ouvir a revelação do mensageiro de Corinto, Édipo e Jocasta entenderam a verdade. O homem a quem Jocasta amara e com quem concebera quatro filhos, era ele, o herdeiro maldito. Desesperada, a rainha fugiu para os seus aposentos, e tomada pela indignidade de ter sido a amante do próprio filho, a bela Jocasta enforcou-se. Finalmente Édipo decifrou o seu próprio enigma; era filho de Layo, a quem matara e de Jocasta, a quem desposara.

Desesperado diante da revelação, Édipo correu para os aposentos da rainha esperando o perdão pelo erro do destino, mas encontrou a rainha sem vida. Diante do espelho das suas verdades, Édipo decidiu não mais ver o mundo. Em um ato de desespero, justiça e de punição, ele arrancou os próprios olhos, mergulhando para sempre no mundo da escuridão.

Banido, cego, mendigo e esquálido, Édipo partiu pelas estradas da Grécia a expiar a sua culpa e maldição. Na sua caminhada, Édipo foi sempre conduzido pela filha Antígona, que jamais abandonou o pai. Depois de permanecer andarilho por várias terras, Édipo chegou na Ática. Ali refugiou-se onde finalmente sentiu um alívio para a sua culpa, descansando na felicidade dos justos.

Velho e mendigo, Édipo havia perdido tudo o que pode perder um homem, a juventude, a mãe e esposa, o trono, a riqueza e a visão. Restara-lhe o amor incondicional da filha Antígona. Após ver Édipo errar e a viver o castigo que impusera para si mesmo, Apolo, o deus que sempre profetizara a sua miséria através das armadilhas do Destino, compadeceu de seu sofrimento. O deus da luz confortou-o nos últimos anos de vida, atraindo a benção do Olimpo para o lugar que lhe serviria de sepultura.

Já velho e cansado, Édipo caminhou até a beira de um precipício, ali se sentou em uma pedra, vestindo-se com uma mortalha. Ouviu-se um grande estrondo no céu. A terra abriu-se suavemente, recebendo o corpo sofrido e expurgado de Édipo. O local da tumba do mais famoso rei de Tebas jamais foi revelado. Sabe-se apenas que está na Ática, e por isto, aquele solo é abençoado pelos deuses do Olimpo.
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