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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Carlos Drummond de Andrade Movimento literário




Carlos Drummond de Andrade
Movimento literário

Carlos Drummond de Andrade, cronista, jornalista, funcionário público e, principalmente, poeta. Um dos maiores nomes da literatura brasileira apostou em versos livres e linguagem objetiva nas suas obras. Drummond, além de poemas, escreveu livros em prosa e alguns de temática infantil.
O mineiro morou no Rio de Janeiro por muitos anos, mas a terra natal, Itabira, sempre esteve presente nos seus versos. O poeta ainda trata da questão da existência, do individualismo e do fazer poético. Em uma fase mais social, apresenta versos que mostram solidariedade e desejo de transformação.
Drummond viveu em um período marcado pela Guerra Fria. A incerteza da época pode ser percebida em sua obra, o eu-lírico se mostra sem esperança e impotente diante de certas situações.
Com características modernistas, Drummond aposta no verso livre, sem métricas. O poeta faz parte da segunda fase do modernismo brasileiro, período marcado pela consolidação do movimento literário. Cecília Meireles, Murilo Mendes, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Érico Veríssimo e Vinícius de Morais também fazer parte dessa geração.
Estilo
Carlos Drummond de Andrade apresenta uma poesia concreta, objetiva e com linguagem mais popular. O autor incentiva a liberdade para escrever, como muitos modernistas do seu tempo, e dá um tom ácido aos seus escritos com versos irônicos e sarcásticos.


As sem-razões do amor
Carlos Drummond de Andrade


Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.


Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.


Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.


Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.



A UM AUSENTE
Carlos Drummond de Andrade


Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.


Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?


Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.


Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.



MANEIRA DE AMAR

O jardineiro conversava com as flores, e elas se habituaram ao diálogo. Passava manhãs contando coisas a uma cravina ou escutando o que lhe confiava um gerânio. O girassol não ia muito com sua cara, ou porque não fosse homem bonito, ou porque os girassóis são orgulhosos de natureza.
Em vão o jardineiro tentava captar-lhe as graças, pois o girassol chegava a voltar-se contra a luz para não ver o rosto que lhe sorria. Era uma situação bastante embaraçosa, que as outras flores não comentavam. Nunca, entretanto, o jardineiro deixou de regar o pé de girassol e de renovar-lhe a terra, na devida ocasião.
O dono do jardim achou que seu empregado perdia muito tempo parado diante dos canteiros, aparentemente não fazendo coisa alguma. E mandou-o embora, depois de assinar a carteira de trabalho.
Depois que o jardineiro saiu, as flores ficaram tristes e censuravam-se porque não tinham induzido o girassol a mudar de atitude. A mais triste de todas era o girassol, que não se conformava com a ausência do homem. "Você o tratava mal, agora está arrependido?" "Não, respondeu, estou triste porque agora não posso tratá-lo mal. É minha maneira de amar, ele sabia disso, e gostava".
Carlos Drummond de Andrade
Fonte :
http://educacao.globo.com/literatura/assunto/autores/carlos-drummond-de-andrade.html

8 comentários:

  1. Boa tarde. Uma publicação riquíssima:)) Adorei

    Hoje » A vida é um trem.

    Bjos
    Votos de uma óptima Quinta-Feira

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    Respostas
    1. Boa tarde, querida amiga Elza!
      Que maravilha você ter escolhido Drummond!
      Um poeta que marcou meu tempo de faculdade e foi tão bem quisto no RJ que se ergueu uma estátua a ele dedicada em Copacabana.
      Gostei tanto da Boa recordação que tive neste momento do meu dia já tão poético desde o raiar... com um nascer do sol belíssimo!
      Vamos divulgar nossa boa literatura que temos em alto padrão. Parabéns!
      Tenha dias felizes e abençoados!
      Bjm fraterno e carinhoso de paz e bem

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  3. Boa tarde!
    É sempre Maravilhoso recordar GRANDES escritores/Poetas!

    Beijo e uma excelente tarde!

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  4. MARAVILHOSA a postagem !!
    grande abraço.
    :o)

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  5. Oi Elza
    Que delícia ler poemas do inesquecível Drummond, meu vizinho itabirano.
    Um poeta de excelência que nos deixou um rico legado literário
    Uma postagem riquíssima e encantadora
    Beijinhos e muitos sorrisos

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  6. Que bonito Elza, ver o conterrâneo por aqui. Sou de Itabira e muito brinquei na fazenda do Pontal da família de Drummond nos anos 60, onde ia buscar frutas, que eram abundantes por lá. Hoje a fazenda do Pontal foi reconstruída e colocada perto da casa de minha família, como museu. Sempre admirei a poesia Drummond pela linguagem usada. Um belo trabalho com esta seleção Elza. Alguns anos vivi em Itabira, principalmente nasci lá...eu também,rsrs.
    Um abraço amiga e bom fim de semana.

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  7. Adorei ler mais sobre esse poeta maravilhoso! Esse poemas que escolhestes para esta partilha, são de extremo bom gosto, de mensagens profundas e reflexivas.
    Beijos!

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