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domingo, 19 de novembro de 2017

10º Poetizando e Encantando








 10º Poetizando e Encantando
Chegamos ao  10º poetizando e Encantando.
Uma maravilhosa brincadeira, sem competição  indicada pela Profª Lourdes Duarte em seu blog Filosofando na Vida.

filosofandonavidaproflourdes.blogspot.com.br/


Venha você também participar!

IMAGEM DA SEMANA

Este é o meu poetizando com a participação do aluno  guilherme Oliveira.


De braços abertos
Contemplo o entardecer
Revivo o dia que passou
Agradeço ao bom Deus
Pelo presente de vida
E poder apreciar mais uma vez
Tanta beleza do Criador!


Felizes daqueles que como eu,
Agradece a Deus por estar viva
Viver é um presente
O maior presente de Deus!
Elza





Guilherme Oliveira

Quanta beleza meus olhos contemplam
Deus é Pai é criador!
A cada dia um novo presente
De braços abertos, louvo a te Senhor!

Lindo entardecer
Que venha um lindo anoitecer
E um dia a mais,
 Para te louvar Senhor!





Mimo que recebi da Lourdes Duarte.

10ª Edição do Poetizando

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

O QUE É UM SONETO? E ALGUNS SONETOS DE Florbela Espanca



O QUE É UM SONETO?

Soneto é um poema composto de catorze versos, divididos em dois quartetos (duas estrofes com quatro versos) e dois tercetos (duas estrofes com três versos).
O soneto possui versos metrificados e rimados e, classicamente, esses versos são decassílabos (com dez sílabas métricas) ou alexandrinos (com doze sílabas métricas).
Foi provavelmente criado pelo poeta e humanista italiano Francesco Petrarca (1304-1374).
A palavra soneto (do italiano “sonetto”) significa pequeno som ao referir-se à sonoridade produzida pelos versos.

Tipos de Soneto

O soneto petrarquiano ou regular é o mais experimentado. No entanto, Willian Shakespeare (1564-1616) criou o soneto inglês, composto de 3 quartetos (estrofes de quatro versos) e 1 dístico (estrofe de dois versos).
Há também o soneto monostrófico, o qual apresenta uma única estrofe composta pelos catorze versos. E o soneto estrambótico, aquele que conta com versos ou estrofes adicionais.

Estrutura do Soneto

Os sonetos são geralmente produções literárias de conteúdo lírico formados, nessa ordem, por dois quartetos e dois tercetos.
No interior da estrutura do soneto, faz se necessário observar alguns conceitos básicos:
estrofe
verso
métrica
rima

Estrofe e Verso

Importante ressaltar que o verso corresponde a frase ou palavra que compõem cada linha de uma poesia. Enquanto a estrofe é o conjunto de versos de uma das seções do poema.
Assim, de acordo com o número de versos que compõem uma estrofe, elas são classificadas em:

1 verso: Monóstico
2 versos: Dístico
3 versos: Terceto
4 versos: Quarteto ou Quadra
5 versos: Quintilha
6 versos: Sextilha
7 versos: Septilha
8 versos: Oitava
9 versos: Nona
10 versos: Décima

Mais de dez versos: estrofe irregular
Saiba mais sobre o tema com a leitura dos artigos:

Fonte: https://www.todamateria.com.br/soneto/



Florbela Espanca

Florbela Espanca nasceu em Vila Viçosa em 1894 e morreu em 1930, com apenas 36 anos em Matosinhos, sendo vitima de suicidio. Foi uma poeta famosa que produziu .
Livro de Mágoas, Saudade
entre outros.



Transcrição de Análise do poema "Amar" de Florbela Espanca.

Análise do poema "Amar" de Florbela Espanca.
Constituição estrófica do poema, rima e métrica
O poema neste trabalho analisado é composto por 4 estrofes: duas quadras e dois tercetos, ou seja, um
soneto.

Esquema rimático:1ª estrofe-
abab
,2ª estrofe-
abba
, 3ª e 4ª estrofes-
ccd eed
.
A rima é rica nas 2 primeiras estrofes e pobre nos versos "d" mas rica nos outros.
Os versos deste poema são todos decassílabos, têm 10 sílabas métricas cada um.
Tema
O tema deste texto é o
amor
e
o que é amar

. "Eu quero amar, amar perdidamente!"

    Divisão do poema em partes e sentimentos evidenciados pelo eu lírico
Na primeira estrofe, o sujeito poético mostra o quanto quer amar e que não tem nenhuma pessoa que ama mais. Na segunda o eu poético recorda que teve várias paixões na vida e afirma que não se pode ter apenas uma. Na terceira e quarta estrofes o eu lírico diz que as pessoas têm de aproveitar a vida pois foi para isso que Deus nos deu a vida e um dia há-de acabar. Espera também que no dia da sua morte ele consiga livrar se do seu velho corpo para ter uma nova vida.
    Ao longo do poema o eu poético sente amor e esperança no futuro
Recursos expressivos e seu valor.
     O poema contém repetição na primeira estrofe,versos 1 e 4, que significa que o sujeito poético quer amar muito e contém interrogação retórica na segunda estrofe, versos 5 e 6, que significa que o sujeito poético pensa se amar é bom ou mau, se deve recordar as paixões ou não.[[

Título do poema

O título do poema é "Amar" porque o sujeito poético fala do
que é amar
, da sua
experiência com o amor
e de que se
o deve aproveitar

.

Alguns sonetos de Florbela Espanca


AMAR

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…
Amar! Amar! E não amar ninguém!


Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!


Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!


E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...




Se Tu Viesses Ver-me...

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...


Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...


Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri


E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...


Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"



Fanatismo

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."

(Livro de Soror Saudade, 1923)
Florbela Espanca



Pesquisa e organização da postagem: Profªs Lourdes Duarte  e
Elza Interaminense


domingo, 12 de novembro de 2017

9º Poetizando e Encantando




Vamos ao 9º Poetizando e Encantando

É  com   muito prazer que participo do 9º poetizando e Encantando.
Uma maravilhosa brincadeira, sem competição  indicada pela Profª Lourdes Duarte em seu blog Filosofando na Vida.

filosofandonavidaproflourdes.blogspot.com.br/


IMAGEM PARA O POETIZANDO
   Minha participação  com o aluno Guilherme

 O vinho que brindamos a vida
 É o mesmo que brindamos o amor
O vinho que é consagrado no altar
Transforma-se em vida
Para quem acredita no mistério
 Do Divino amor!


 O vinho da vida
Ou o vinho do amor,
Adoça meus lábios
Esquenta meu coração
O vinho tinto do amor!
Tim..Tim...


Participação das alunas Vitória Lima e lívia


Vinho tinto
 Consagrado ou não
Vindo de um fruto
E se tornou o vinho do amor
do PORTO chegou!


Tim .. Tim para a vida
E viva o amor
O amor humano
Ou o amor de Deus
O amor é amor,
E o maior amor é Deus.



Presentinho da Lourdes Duarte
Tenham todos um domingo feliz e um início de semana de muita paz, sucesso e aprendizagens!
Abraços



terça-feira, 7 de novembro de 2017

Vida e Obras de Rachel de Queiroz

Gosto de palavras na cara. De frases que doem. De verdade ditas (benditas!). Sou prática em determinadas questões: ou você quer ou não.


Rachel de Queiroz


Vida e Obra de Rachel de Queiroz

    Rachel de Queiroz foi uma grande escritora, jornalista, tradutora e dramaturga brasileira. Ganhou diversos prêmios, dentre eles o "Prêmio Camões" (1993), sendo portanto, a primeira mulher a recebê-lo.
Além disso, foi a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, em 1977.
Dada sua importância para a literatura nacional, em 2003, foi inaugurado na cidade em que Rachel viveu, Quixadá (CE), o "Centro Cultural Rachel de Queiroz".
Biografia
Rachel de Queiroz nasceu na capital cearense, Fortaleza, no dia 17 de novembro de 1910.
Filha de intelectuais, do advogado Daniel de Queiroz Lima e de Clotilde Franklin de Queiroz, descendente, pelo lado materno, da estirpe dos Alencar (sua bisavó materna era prima José de Alencar), com apenas 7 anos sua família muda-se para o Rio de Janeiro e depois para Belém do Pará.
Depois de dois anos retornam ao Ceará e Rachel torna-se aluna interna do “Colégio Imaculada Conceição”, formando-se professora em 1925, com apenas 15 anos de idade.
Lecionou História e com 20 anos, em 1930, publica seu primeiro romance, “O Quinze”, o qual retrata a seca de 1915 no nordeste do país e a realidade dos retirantes nordestinos.
A obra bem recebida pelo público, “O Quinze”, foi agraciada com o prêmio da Fundação Graça Aranha.


   Rachel de Queiroz foi uma grande escritora, jornalista, tradutora e dramaturga brasileira. Ganhou diversos prêmios, dentre eles o "Prêmio Camões" (1993), sendo portanto, a primeira mulher a recebê-lo.
Além disso, foi a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, em 1977.
Dada sua importância para a literatura nacional, em 2003, foi inaugurado na cidade em que Rachel viveu, Quixadá (CE), o "Centro Cultural Rachel de Queiroz".
Em 1927, após uma publicação com o pseudônimo “Rita de Queiroz” no Jornal do Ceará, Rachel é convidada para colaborar e começa a publicar diversas crônicas e a trabalhar como repórter. Foi militante política e afiliada ao Partido Comunista Brasileiro desde 1930.
Em 1932, casa-se com o poeta José Auto da Cruz Oliveira, separando-se em 1939. No ano seguinte, casa-se novamente com o médico Oyama de Macedo, com quem permanece até seu falecimento, em 1982.
Em 1992, escreveu o romance “Memorial de Maria Moura” o qual lhe conferiu o "Prêmio Camões". Aos 92 anos, no 4 de novembro de 2003, na cidade do Rio de Janeiro, descansando em sua rede, falece Rachel de Queiroz.



Obras

Possuidora de uma vasta obra, Rachel de Queiroz escreveu romances, contos e crônicas, com destaque para ficção social nordestina. Além disso, escreveu literatura infanto-juvenil, antologias e peças de teatro. Segue abaixo algumas obras:

O Quinze (1930)
João Miguel (1932)
Caminhos de Pedras (1937)
As Três Marias (1939)
Três romances (1948)
O Galo de Ouro (1950)
Lampião (1953)
A Beata Maria do Egito (1958)
Quatro Romances (1960)
O Menino Mágico (1969)
Seleta (1973)
Dora Doralina (1975)
Memorial de Maria Moura (1992)
Andira (1992)
As Terras Ásperas (1993)
Teatro (1995)
Falso Mar, Falso Mundo (2002)


Biblioteca da escritora Rachel de Queiroz retorna ao Ceará



No total, são mais de 3 mil itens, entre periódicos e livros raros, como as primeiras edições de Carlos Drummond de Andrade e edições limitadas de Pedro Nava e Manuel Bandeira
A  biblioteca da escritora Rachel de Queiroz retorna ao Ceará, sua terra natal, graças à parceria entre a Fundação Edson Queiroz, de Fortaleza, e o Instituto Moreira Salles (IMS). Composta de 3.063 itens, sendo 2.800 livros e 263 periódicos –, a biblioteca da autora, abrigada na sede do IMS na Gávea, Rio de Janeiro, foi transferida para a Biblioteca Central e a Biblioteca de Acervos Especiais da Universidade de Fortaleza (Unifor) e estará disponível para o público a partir de fevereiro.
O acervo traz obras raras de literatura, poesia, críticas e estudos literários. Entre elas estão as primeiras edições dos livros “Claro Enigma” (José Olympio, 1951) e “Fala, amendoeir’a” (Editora do Autor, 1957), de Carlos Drummond de Andrade; “Mafuá do malungo: jogos onomásticos e outros versos de circunstância” (Editora O Livro Inconsútil, 1948), de Manuel Bandeira, edição especial de 110 exemplares em papel de linho impressa por João Cabral de Melo Neto para os amigos do poeta e uma edição limitada de 50 exemplares de “O defunto”, (Editora Macunaíma, 1967), de Pedro Nava, assinada pelo autor.
Dedicatórias
A coleção destaca também dedicatórias de alguns dos principais nomes da literatura brasileira à autora de “Memorial de Maria Moura”. Graciliano Ramos, na edição de “Angústia” (José Olympio, 1947), escreveu: “Rachel, este livro não é meu: é nosso. O seu trabalho para arrancá-lo foi pelo menos igual ao meu, sem exagero. Diga-me uma coisa: por que é que v. não transforma em romance o 'Retrato de um brasileiro'? Seria admirável. Abraços, Graciliano. Rio, 1947”. O mesmo autor, em “Insônia”, publicado no mesmo ano pela José Olympio, registrou: “Rachel, as histórias não prestam, mas foi necessário publicá-las. abraço, Graciliano. Rio, 1947.”
Para a reitora da Unifor, Fátima Veras, a iniciativa da Universidade e do IMS se reveste da maior importância ao permitir o acesso dos cearenses a um acervo de valor histórico inestimável e de grande relevância para a pesquisa e preservação da literatura brasileira. “Na Unifor, ela se unirá a outros grandes e importantes acervos, mas certamente esta biblioteca receberá carinho especial de alunos, professores e colaborares da Universidade e do público em geral por toda a sua relação com a história de todos nós, cearenses”, diz a reitora.
Elvia Bezerra, do IMS, afirma estar bastante feliz com a doação da biblioteca, apesar de ter que se desfazer de um acervo tão valioso. O motivo é também de ordem natural e afetiva. Isso porque Elvia é cearense, natural de Mombaça, “bem pertinho de Quixadá”, terra natal da autora de “O Quinze”. “Rachel de Queiroz dormiu de rede até a sua morte, conservou o sotaque cearense e se manteve fiel às raízes ao longo da vida”, afirma Bezerra.
Segundo ela, a ideia de devolver o acervo ao estado natal da autora foi prontamente atendida pelo IMS. “Conhecemos a Unifor e sabemos que a Universidade é qualificada para manter o alto padrão de cuidados estabelecido pelo IMS. Trata-se de uma bela parceria”, enfatiza.
A doação foi homologada pelo IMS à Maria Luíza de Queiroz Salek, irmã da escritora. “Visitei-a em novembro de 2016, e ela concordou plenamente com o destino do acervo de Rachel”, declara Elvia. Mesma posição teve o bibliófilo José Augusto Bezerra, presidente da Academia Cearense de Letras e dono de vasto acervo sobre Rachel de Queiroz. “Todos reconhecem que a Unifor tem condições não só de preservar, mas também de difundir esse rico material de pesquisa”, salienta





Frases


Segue abaixo algumas frases da escritora:




“Eu nunca fui uma moça bem-comportada. Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida, pra paixão sem orgasmos múltiplos ou pro amor mal resolvido sem soluços. Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo.


Não estou aqui pra que gostem de mim. Estou aqui pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho.”


“Não sou feminista. Acho que a sociedade tem que crescer em conjunto. A associação mulher e homem é muito boa e acho um grande erro combater o homem.”


“Fala-se muito na crueldade e na bruteza do homem medievo. Mas o homem moderno será melhor?”


“A gente nasce e morre só. E talvez por isso mesmo é que se precisa tanto de viver acompanhado.”


“Eu sou essa gente que se dói inteira porque não vive só na superfície das coisas.”


“Infelizmente não acredito em Deus. Acho uma grande pobreza não ter uma fé. É um desamparo, uma solidão muito grande.”


Telha de vidro

Quando a moça da cidade chegou
veio morar na fazenda,
na casa velha...
Tão velha!
Quem fez aquela casa foi o bisavô...
Deram-lhe para dormir a camarinha,
uma alcova sem luzes, tão escura!
mergulhada na tristura
de sua treva e de sua única portinha...

A moça não disse nada,
mas mandou buscar na cidade
uma telha de vidro...
Queria que ficasse iluminada
sua camarinha sem claridade...

Agora,
o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda,
tão claro que, ao meio dia, aparece uma
renda de arabesco de sol nos ladrilhos
vermelhos,
que - coitados - tão velhos
só hoje é que conhecem a luz doa dia...
A luz branca e fria
também se mete às vezes pelo clarão
da telha milagrosa...
Ou alguma estrela audaciosa
careteia
no espelho onde a moça se penteia.

Que linda camarinha! Era tão feia!
- Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão
cinzenta,
fria,
sem um luar, sem um clarão...
Por que você na experimenta?
A moça foi tão vem sucedida...
Ponha uma telha de vidro em sua vida!
Rachel de Queiroz

A Velha Amiga


Rachel de Queiroz


Conversávamos sobre saudade. E de repente me apercebi de que não tenho saudade de nada. Isso independente de qualquer recordação de felicidade ou de tristeza, de tempo mais feliz, menos feliz. Saudade de nada. Nem da infância querida, nem sequer das borboletas azuis, Casimiro.

Nem mesmo de quem morreu. De quem morreu sinto é falta, o prejuízo da perda, a ausência. A vontade da presença, mas não no passado, e sim presença atual.

Saudade será isso? Queria tê-los aqui, agora. Voltar atrás? Acho que não, nem com eles.

A vida é uma coisa que tem de passar, uma obrigação de que é preciso dar conta. Uma dívida que se vai pagando todos os meses, todos os dias. Parece loucura lamentar o tempo em que se devia muito mais.

Queria ter palavras boas, eficientes, para explicar como é isso de não ter saudades; fazer sentir que estou expirimindo um sentimento real, a humilde, a nua verdade. Você insinua a suspeita de que talvez seja isso uma atitude.

Meu Deus, acha-me capaz de atitudes, pensa que eu me rebaixaria a isso? Pois então eu lhe digo que essa capacidade de morrer de saudades, creio que ela só afeta a quem não cresceu direito; feito uma cobra que se sentisse melhor na pele antiga, não se acomodasse nunca à pele nova. Mas nós, como é que vamos ter saudades de um trapo velho que não nos cabe mais?

Fala que saudade é sensação de perda. Pois é. E eu lhe digo que, pessoalmente, não sinto que perdi nada. Gastei, gastei tempo, emoções, corpo e alma. E gastar não é perder, é usar até consumir.

E não pense que estou a lhe sugerir tragédias. Tirando a média, não tive quinhão por demais pior que o dos outros. Houve muito pedaço duro, mas a vida é assim mesmo, a uns traz os seus golpes mais cedo e a outros mais tarde; no fim, iguala a todos.

Infância sem lágrimas, amada, protegida. Mocidade - mas a mocidade já é de si uma etapa infeliz. Coração inquieto que não sabe o que quer, ou quer demais.

Qual será, nesta vida, o jovem satisfeito? Um jovem pode nos fazer confidências de exaltação, de embriaguez; de felicidade, nunca. Mocidade é a quadra dramática por excelência, o período dos conflitos, dos ajustamentos penosos, dos desajustamentos trágicos. A idade dos suicídios, dos desenganos e, por isso mesmo, dos grandes heroísmos. É o tempo em que a gente quer ser dono do mundo - e ao mesmo tempo sente que sobra nesse mesmo mundo. A idade em que se descobre a solidão irremediável de todos os viventes. Em que se pesam os valores do mundo por uma balança emocional, com medidas baralhadas; um quilo às vezes vale menos do que um grama; e por essas medida, pode-se descobrir a diferença metafísica que há entre uma arroba de chumbo e uma arroba de plumas.

Não sei mesmo como, entre as inúmeras mentiras do mundo, se consegue manter essa mentira maior de todas: a suposta felicidade dos moços. Por mim, sempre tive pena deles, da sua angústia e do seu desamparo. Enquanto esta idade a que chegamos, você e eu, é o tempo da estabilidade e das batalhas ganhas. Já pouco se exige, já pouco se espera. E mesmo quando se exige muito, só se espera o possível. Se as surpresas são poucas, poucos também os desenganos.

A gente vai se aferrando a hábitos, a pessoas e objetos. Ai, um um dos piores tormentos dos jovens é justamente o desapego das coisas, essa instabilidade do querer, a sede do que é novo, o tédio do possuído.

E depois há o capítulo da morte, sempre presente em todas as idades. Com a diferença de que a morte é a amante dos moços e a companheira dos velhos.

Para os jovens ela é abismo e paixão. Para nós, foi se tornando pouco a pouco uma velha amiga, a se anunciar devagarinho: o cabelo branco, a preguiça, a ruga no rosto, a vista fraca, os achaques. Velha amiga que vem de viagem e de cada porto nos manda um postal, para indicar que já embarcou.

(Crônica publicada no jornal "O Estado de São Paulo" - 13/01/2001)


Quer saber mais nesses sites

https://www.todamateria.com.br/vida-e-obra-de-rachel-de-queiroz/
http://imirante.com/mobile/oestadoma/noticias/2017/01/12/biblioteca-da-escritora-rachel-de-queiroz-retorna-ao-ceara.shtml




AQUARELA DO BRASIL (letra e vídeo) com GAL COSTA, vídeo MOACIR SILVEIRA CRÔNICAS SOBRE A POLÍTICA DO BRASIL.





A POLÍTICA NA VIDA DE CADA UM
Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


Não gosto de política, mas ela influi diretamente na minha vida e na vida de todos os cidadãos, então não posso ficar alheio a ela. Ouço pessoas dizendo que não querem saber de política, que não adianta muito votar nesse ou naquele candidato porque são todos iguais. Ou então vejo algumas pessoas aceitando algum benefício em troca do voto, favorecendo a entrada no poder público de candidatos que, comprando votos, mostram bem a que vem.

    Pois todos deveríamos prestar muita atenção na política, mesmo que seja a politicagem que grassa em nosso meio, até mais, por causa disso, pois ela afeta, e muito, a vida de cada um de nós. Devemos, sim, procurar saber tudo o que for possível sobre os candidatos, antes de uma eleição. O que não devemos é acreditar em todas as suas promessas e mentiras. E se não houver em quem votar, podemos anular o voto, que é a única maneira de manifestar nossa indignação com o estado de coisas que se arrasta de há tanto tempo.

Precisamos saber votar e precisamos saber cobrar trabalho daqueles em quem votamos. Porque são os representantes que elegemos para dirigir nossas cidades, nossos Estados e nosso país, que administrarão a seu bel prazer a saúde, a educação, a segurança, a infraestrutura publicas. São os vereadores, prefeitos, deputados, senadores que vão dirigir nossos destinos. São eles que, uma vez colocados no poder legislativo pelo nosso voto, aprovarão leis que nos prejudicarão e deixarão de aprovar leis que beneficiariam a sociedade como um todo. São eles que, céleres, legislarão em causa própria. Isso tudo sem falar da corrupção e da impunidade que dilapidam o dinheiro público e impedem que os recursos formados pela grande quantidade de impostos que pagamos sejam aplicados em mais obras.

Então a política influi em tudo na vida de cada cidadão. Todos precisamos estar atentos tanto quando formos votar, quanto depois das eleições, quando nossos “representantes” estiverem “trabalhando” para o povo. Porque eles estão lá, ganhando seus altos salários que eles mesmos se deram, para servir o povo. O povo é quem paga seus salários milionários e os recursos que são “desviados” e que nunca são devolvidos aos cofres públicos.

A política – no nosso caso a politicagem – está presente em tudo, favorecendo ou prejudicando a vida de cada cidadão. Há que nos conscientizarmos disso, para que não nos iludamos, achando que o que está acontecendo não tem nada a ver conosco.




Temos de ser otimistas
Autor: ryokiproductions

       Escrever sobre política é sempre adentrar numa seara árida. É trilhar caminhos pedregosos e perigosos. Bem se diz que jamais devemos discutir sobre religião e política, pois cada um tem a sua visão sobre esses assuntos e dificilmente haverá acordo.
Porém, não escrever sobre esses temas pode ser interpretado como um ato de alienação, quando não de profundo desprezo. Assim, atendendo a pedidos e embora a contragosto, vou pôr no papel – melhor dizendo, no computador – algumas ideias muito particulares sobre isso. Devo esclarecer que serei sincero e que, de alguma forma, essa maneira de pensar e de encarar tão espinhosos assuntos tem orientado minhas atitudes e, por fim, a minha vida. Não é minha intenção catequizar ninguém, não pretendo assumir um tom professoral de quem detém o Conhecimento e tenta transferi-lo para outras cabeças. Tão somente exponho aqui o meu modo – muito pessoal – de ver a Religião e a Política.
Comecemos pela Religião.
Nasci de uma família católica, cresci católico, estudei em colégio de padres beneditinos – Colégio Santo Américo – e sou obrigado a admitir que, talvez, a saturação de missas, rezas, orações e tudo o mais que caracteriza a vida de católico apostólico romano foi responsável por eu ter me tornado mais agnóstico do que qualquer outra coisa. Graças a Deus, como diria um outro agnóstico, um famoso psicoterapeuta meu amigo.
De fato, não posso aceitar que vivamos à sombra espiritual de uma organização multinacional – a Igreja Católica – biliardária e altamente lucrativa, que se arvora o direito de pleitear que os mais beneficiados pela deusa Fortuna dêem dinheiro para ajudar os necessitados e, como qualquer intermediário, fique com uma parte polpuda dessas doações.
Como entender que os executivos (leia-se bispos, cônegos, monsenhores, arcebispos e cardeais) dessa instituição que se autodenomina “caritativa” usem automóveis de luxo cujo valor em dinheiro poderia alimentar muitas famílias e por muito tempo. Da mesma maneira, não vejo cabimento nos jantares desses senhores, em que são servidos pratos refinados em serviçosm de porcelana, talheres de prata-de-lei e cristais de Sèvres (veja “A Ceia dos Cardeais”, de Júlio Diniz e que retrata muito bem uma inútil e fútil ostentação praticada, em detrimento absoluto do que deveria ser o objetivo maior daqueles que se dizem “Ministros do Senhor”.
Mas que Senhor seria este? Seria aquele Deus onipotente, onisciente e boníssimo que aprendemos a adorar em nossa já remota infância e adolescência? Um Deus boníssimo, pai de todos aqui nesta dimensão, permitiria que crianças – puras e inocentes – sofressem com doenças incuráveis, com a fome que grassa pelo mundo? Permitira que essas crianças fossem violentadas e abusadas por seus próprios ministros, seus representantes aqui na Terra? Um Deus boníssimo não teria a conotação de punição – leia-se “vingança” – que a própria Bíblia transmite. Vingou-se o Senhor em Sodoma e Gomorra, em Pompéia e em tantas outras situações mencionadas nas Sagradas Escrituras… E agora, vingou-se de quê no Japão? E as criancinhas que morreram? Tinham alguma culpa em cartório? Teria sido essa punição porque aquele povo nossa antípoda teria se desenvolvido depressa demais e, com isso, desafiado seus desígnios?
Por que temos de crescer no “temor a Deus”? É isso que dizem os padres e as beatas… Temos de “temer” a Deus. Por quê? Um líder que lastreia sua liderança no temor não é um líder, é um tirano.
E quanto à dita onipotência? Se ele tudo pode, não deveria permitir tanta desigualdade no mundo… Não deveria permitir – e terias poder para tanto – que animais fossem maltratados, que seres humanos passassem por tantas dificuldades… que o planeta fosse destruído.
Enfim, a vida seria muito mais fácil e melhor se esse Deus fosse aquilo que os padres e nossa própria família nos disseram que seria: um Deus boníssimo, que tudo sabe, que tudo pode e que é, antes de tudo, a representação do perdão e não do castigo, da punição, da vingança. Um Deus que exige sacrifícios, que exige a imolação dos sentidos e dos instintos em nome da salvação da alma – cuja existência ainda está para ser provada.
No que concerne à Política, a situação é ainda mais espinhosa, uma vez que é possível argumentar e contra-argumentar com base em fatos que, distorcidos ou não, aí estão para corroborar ou contradizer ideias e pensamentos, quando não atitudes propriamente ditas.
Neste nosso país – como, aliás, em muitos outros – a Política acabou por se tornar uma profissão altamente lucrativa. E com a vantagem de não se poder meter na cadeia, através de um processo normal, um político acusado de, por exemplo, corrupção. O processo tem de ser autorizado por seus pares e tem de ser levado a cabo através do STJ. Objetivo: dificultar ao máximo e permitir a impunidade. No fundo, manifestação clara de corporativismo.
Mas temos de ser otimistas. Não podemos pensar apenas no lado negativo da Política – ou seria dos políticos?
Vamos tentar enxergar o que tem acontecido de bom para o povo, pois enfim, a Política tem de existir para beneficiar o povo, para suprir suas necessidades básicas, para minimizar o sofrimento que foi imposto por aquele Deus de quem falamos linhas atrás.
Assim, deixando de lado as discussões sobre uma nova polarização da política brasileira em apenas dois partidos (PT e PSDB), praticamente voltando para o que aconteceu durante os governos militares com o Arena e o PMDB, o que vai acontecer com a extinção – irrevogável – do DEM (antigo PFL), vamos pensar de maneira positiva e elogiar o que é óbvio: a vida do povo melhorou desde que o PT assumiu a presidência e o que era situação passou a ser oposição.
Não, não estou jogando confete sobre o PT! Mas não dá para negar que a política econômica vem dado certo – se vai continuar assim, se o pesadelo da inflação não vai voltar, isso é outra história. Porém, o Manteiga tem lidado bem com o seu affair e o povo tem tido mais oportunidades de consumir. Basta ver que as chamadas Classes C e D têm modificado para melhor (leia-se mais) as suas intenções e efetivações de compras. E a classe média? Esta continua na mesma, arcando com a maior parte dos impostos e com o menor progresso financeiro. Parece, mesmo, estar destinada a desaparecer…
Diz-se – e não sem razão – que toda a estrutura de uma sociedade está lastreada no tripé formado pela Educação, Saúde e Segurança. Nestes três campos, o governo tem, pelo menos, se esforçado. A Educação fez progressos, o ensino universitário se disseminou, o básico da mesma maneira. Se funciona, se realmente é capaz de formar profissionais competentes, também é outra história e devemos lembrar – sempre – do papel do aluno nessa formação. Quem quer estuda. Quem tem uma meta para alcançar luta faz de tudo para atingi-la. Temos de lembrar (depois de assistir às denúncias feitas pela televisão) que o problema da merenda escolar é muito mais das prefeituras do que do governo federal. As fraudes, desvios e mal-versações do dinheiro destinado à alimentação das crianças das escolas públicas ocorrem no seio das prefeituras municipais e não no Planalto. Até mesmo no âmbito das diretorias das escolas.
A Saúde é, de fato, um imenso abacaxi a ser descascado. Porém, se houver honestidade e boa vontade, é uma tarefa que deixa de ser impossível, mais uma vez, em nível municipal. Prova disso estás, por exemplo, aqui em São José dos Campos (SP) onde o SUS funciona maravilhosamente bem. Tive prova disso comigo mesmo, dependente que estou de medicações caras, cadeira de rodas, consultas e tratamento fisioterápico. Impossibilitado de me locomover, minha esposa conseguiu tudo – de graça – através do SUS. E, sem a necessidade de “molhar a mão” de ninguém! Pudessem todos os municípios deste Brasil Gigante seguir o exemplo…
Certamente o sofrimento do povo diminuiria bastante. O sofrimento imposto por aquele Deus boníssimo aqui já mencionado.
Quanto à Segurança, ainda está sofrível. Temos de lembrar que a criminalidade tem as raízes mais profundas fincadas na falta de educação e de cultura. Melhorando a educação do povo, certamente cairão os índices de criminalidade. Sou obrigado, nesse ponto a dar razão ao bom Cristóvão Buarque, de quem discordo em muitos outros aspectos. As UPPs no Rio de Janeiro estão desempenhando seu papel e favelas, antes consideradas zonas de guerra, estão transformadas em comunidades pacificadas e, por causa disso, prósperas. Lembremos que uma das atividades da “ocupação” dessas favelas é justamente levar um pouco mais de educação para aquele povo. Começa-se pelas crianças e, num prazo que antropologicamente temos de considerar como médio, obteremos a diminuição dos índices de crimes – quaisquer que sejam. O governo está, portanto, se esforçando. Ao povo cumpre a tarefa de ajudar.
Hoje em dia, devemos adicionar ao tripé mencionado, Educação, Saúde e Segurança, uma quarta perna, a Preservação do Meio Ambiente. Vamos chamá-la simplesmente de Ecologia.
Esta perna tornou-se de extrema importância a partir do momento em que nos conscientizamos da necessidade que há em preservar para sobreviver. E este item só pode ser levado a cabo se a população realmente ajudar. Assim, por exemplo, não adianta estabelecer um rodízio de automóveis baseado nas placas dos carros, pois sempre haverá quem possa comprar um segundo veículo para poder rodar no dia do rodízio. São poucos os que têm possibilidade de agir assim? Não, não são. Com a facilidade de crédito para adquirir automóveis, praticamente qualquer um pode fazê-lo. O rodízio é bom e necessário, mas poderia haver uma determinação para que o automóvel particular fosse melhor utilizado. Por exemplo, não circular apenas com o motorista, o que acontece na imensa maioria dos casos. Vamos levar para a cidade três vizinhos. Serão três carros a menos circulando. Vamos usar mais o transporte coletivo. Este está precário? Aí sim, o governo teria de tomar uma posição e melhorá-lo. A diminuição dos gastos com doenças respiratórias causadas pelo escapamento dos carros, acidentes de trânsito e etc., certamente compensariam o investimento na melhoria do transporte coletivo.
E, mais uma vez, estaríamos sendo obrigados a entender que a perna mais importante é a Educação. Educação que começa com as nossas crianças, passa para nós, adultos através de nossos filhos e chega à classe política.
Um político bem educado não é aquele que sorri e tem sempre palavras brandas e de conforto. Não é aquele que come melancia com garfo e faca – não mordendo a fatia e cuspindo o caroço no chão – mas sim aquele que sabe o que tem de fazer para beneficiar o povo que o elegeu.
É principalmente aquele que, durante o mandato, age com honestidade, não se deixa corromper e jamais esquece de ser, no mínimo, um patriota.



Aquarela Do Brasil
João Gilberto

Brasil!
Meu Brasil Brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor...


Abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Canta de novo o trovador
A merencória à luz da lua
Toda canção do seu amor
Quero ver essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado...


Esse coqueiro que dá coco
Oi! Onde amarro minha rede
Nas noites claras de luar
Por essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
Onde a lua vem brincar
Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil Brasileiro
Terra de samba e pandeiro...


Brasil!
Terra boa e gostosa
Da morena sestrosa
De olhar indiferente
Brasil, samba que dá
Para o mundo se admirar
O Brasil, do meu amor
Terra de Nosso Senhor...


Abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Canta de novo o trovador
A merencória à luz da lua
Toda canção do seu amor
Huuum!
Essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado...


Esse coqueiro que dá coco
Onde amarro minha rede
Nas noites claras de luar
Por essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
Onde a lua vem brincar
Huuum!
Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil Brasileiro
Terra de samba e pandeiro...


Brasil!
Meu Brasil Brasileiro
Mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor...


Abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Canta de novo o trovador
A merencória à luz da lua
Toda canção do seu amor
Quero ver essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado...


Esse coqueiro que dá coco
Onde amarro minha rede
Nas noites claras de luar
Por essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
Onde a lua vem brincar
Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil Brasileiro
Terra de samba e pandeiro...


Oi! Essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
Onde a lua vem brincar
Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil Brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil!