Onde a verdade aparece
a mentira é destruída
Patativa do Assaré
Patativa do Assaré Um grande poeta
Nordestino.
Desilusão
Patativa do Assaré
(Antônio Gonçalves da Silva)
(Antônio Gonçalves da Silva)
Como a folha no vento pelo espaço
Eu sinto o coração aqui no peito,
De ilusão e de sonho já desfeito,
A bater e a pulsar com embaraço.
Se é de dia, vou indo passo a passo
Se é de noite, me estendo sobre o leito,
Para o mal incurável não há jeito,
É sem cura que eu vejo o meu fracasso.
Do parnaso não vejo o belo monte,
Minha estrela brilhante no horizonte
Me negou o seu raio de esperança,
Tudo triste em meu ser se manifesta,
Nesta vida cansada só me resta
As saudades do tempo de criança.
(Mantida a grafia original)
Há dor que mata a pessoa
Sem dó nem piedade.
Porém não há dor que doa
Como a dor de uma saudade.
Sem dó nem piedade.
Porém não há dor que doa
Como a dor de uma saudade.
Patativa do Assaré
Biografia de Patativa
do Assaré
Poeta popular e
cantador repentista de viola nordestino nascido em Serra de Santana, pequena
propriedade rural, no município e a três léguas da cidade de Assaré, no Sul do
Ceará, um dos maiores poetas populares do Brasil, retratista do árido universo
da caatinga nordestina cuja obra foi registrada em folhetos de cordel, discos e
livros.
Patativa do Assaré
(1909-2002) foi um poeta popular, compositor, cantor e repentista brasileiro.
Foi um dos maiores poetas populares do Brasil. Com uma linguagem simples, porém
poética, retratava a vida sofrida e árida do povo do sertão. Projetou-se com a música
"Triste Partida" em 1964, uma toada de retirantes, gravada por Luiz
Gonzaga, o rei do baião. Seus livros, traduzidos em vários idiomas, foram tema
de estudos na Sorbonne, na cadeira de Literatura Popular Universal.
Patativa do Assaré
(Antônio Gonçalves da Silva) (1909-2002) nasceu no município de Assaré,
interior do Ceará, a 623 km da capital Fortaleza. Filho dos agricultores Pedro
Gonçalves da Silva e Maria Pereira da Silva, ainda pequeno ficou cego do olho
direito. Órfão de pai aos oito anos de idade começou a trabalhar no cultivo da
terra.
Com pouco acesso à educação, frequentou durante quatro meses sua primeira e única escola onde aprendeu a ler e escrever e se tornou apaixonado pela poesia.
Com pouco acesso à educação, frequentou durante quatro meses sua primeira e única escola onde aprendeu a ler e escrever e se tornou apaixonado pela poesia.
Logo começou a fazer
repentes e se apresentar em festas locais. Antônio Gonçalves da Silva recebeu o
apelido de Patativa, pois sua poesia era comparada à beleza do canto dessa ave.
Foi casado com Belinha, com quem teve nove filhos. Com vinte anos começou a
viajar por várias cidades nordestinas e diversas vezes se apresentou na Rádio
Araripe.
Com uma linguagem
simples, porém poética, retratava em suas poesias o árido universo da caatinga
nordestina e de seu povo sofrido e valente do sertão. Viajou para o Pará em
companhia de um parente José Alexandre Montoril, que lá morava, onde passou
cinco meses fazendo grande sucesso como cantador. De volta ao Ceará continuou
na mesma vida de pobre agricultor e cantador. Sua projeção em todo o Brasil se
iniciou a partir da gravação de "Triste Partida" em 1964, toada de
retirante de sua autoria gravada por Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.
Teve inúmeros
folhetos de cordel e poemas publicados em revistas e jornais e publicou
"Inspiração Nordestina" (1956), "Cantos de Patativa"
(1966). Figueiredo Filho publicou seus poemas comentados em Patativa do Assaré
(1970). Gravou seu primeiro LP "Poemas e Canções" (1979) uma produção
do cantor e compositor cearense Fagner. Apresentou-se com o cantor Fagner no
Festival de Verão do Guarujá (1981), período em que gravou seu segundo LP, "A
Terra é Naturá", lançado também pela CBS.
A política também foi
tema da obra e de sua vida. Durante o regime militar, ele criticava os
militares e chegou a ser perseguido. Participou da campanha das Diretas já, em
1984 e publicou o poema "Inleição Direta 84".
Ao completar 85 anos
foi homenageado com o LP "Patativa do Assaré - 85 Anos de Poesia"
(1994), com participação das duplas de repentistas Ivanildo Vila Nova e Geraldo
Amâncio e Otacílio Batista e Oliveira de Panelas. Tido como fenômeno da poesia
popular nordestina, com sua versificação límpida sobre temas como o homem
sertanejo e a luta pela vida, seus livros foram traduzidos em diversos idiomas
e tornaram-se temas de estudo na Sorbonne, na cadeira da Literatura Popular
Universal, sob a regência do Professor Raymond Cantel.
Antônio Gonçalves da Silva, sem audição e cego desde o final
dos anos 90, morre em consequência de falência múltipla dos órgãos, no dia 8 de
julho de 2002, em sua casa, em Assaré, Ceará, aos 93 anos.
Poesias de Patativa do Assaré
A Festa da Natureza
ABC do Nordeste Flagelado
Aos Poetas Clássicos
A Terra dos Posseiros de Deus
A Terra é Naturá
A Triste Partida
Caboclo Roceiro
Cante Lá, Que Eu Canto Cá
Dois Quadros
Eu Quero
Flores Murchas
Inspiração Nordestina
Linguagem dos Óio
Mãe Preta
Nordestino Sim, Nordestino Não
O Burro
O Peixe
O Poeta da Roça
O Sabiá e o Gavião
ABC do Nordeste Flagelado
Aos Poetas Clássicos
A Terra dos Posseiros de Deus
A Terra é Naturá
A Triste Partida
Caboclo Roceiro
Cante Lá, Que Eu Canto Cá
Dois Quadros
Eu Quero
Flores Murchas
Inspiração Nordestina
Linguagem dos Óio
Mãe Preta
Nordestino Sim, Nordestino Não
O Burro
O Peixe
O Poeta da Roça
O Sabiá e o Gavião
O Vaqueiro
Saudade
Vaca Estrela e Boi Fubá
Vaca Estrela e Boi Fubá
Saudade
Saudade dentro do
peito
É qual fogo de monturo
Por fora tudo perfeito,
Por dentro fazendo furo.
É qual fogo de monturo
Por fora tudo perfeito,
Por dentro fazendo furo.
Há dor que mata a pessoa
Sem dó e sem piedade,
Porém não há dor que doa
Como a dor de uma saudade.
Saudade é um aperreio
Pra quem na vida gozou,
É um grande saco cheio
Daquilo que já passou.
Saudade é canto magoado
No coração de quem sente
É como a voz do passado
Ecoando no presente
Patativa do Assaré
Qunca diga
nordestino
Que Deus lhe deu
um destino
Causador do
padecer
Nunca diga que é o
pecado
Que lhe deixa
fracassado
Sem condições de
viver.
Não guarde no
pensamento
Que estamos no
sofrimento
É pagando o que
devemos
A Providência
Divina
Não nos deu a
triste sina
De sofrer o que
sofremos.
Deus o autor da
criação
Nos dotou com a
razão
Bem livres de
preconceitos
Mas os ingratos da
terra
Com opressão e com
guerra
Negam os nossos
direitos.
Não é Deus quem
nos castiga
Nem é a seca que
obriga
Sofrermos dura
sentença
Não somos
nordestinados
Nós somos
injustiçados
Tratados com
indiferença.
Sofremos em nossa
vida
Uma batalha
renhida
Do irmão contra o
irmão
Nós somos
injustiçados
Nordestinos
explorados
Mas nordestinados
não
Há muita gente que
chora
Vagando de estrada
afora
Sem terra, sem
lar, sem pão
Crianças
esfarrapadas
Famintas,
escaveiradas
Morrendo de
inanição
Sofre o neto, o
filho e o pai
Para onde o pobre
vai
Sempre encontra o
mesmo mal
Esta miséria
campeia
Desde a cidade à
aldeia
Do Sertão à
capital
Aqueles pobres
mendigos
Vão à procura de
abrigos
Cheios de
necessidade
Nesta miséria
tamanha
Se acabam na terra
estranha
Sofrendo fome e
saudade
Mas não é o Pai
Celeste
Que faz sair do
Nordeste
Legiões de
retirantes
Os grandes
martírios seus
Não é permissão de
Deus
É culpa dos
governantes
Já sabemos muito
bem
De onde nasce e de
onde vem
A raiz do grande
mal
Vem da situação
crítica
Desigualdade
política
Econômica e social
Somente a
fraternidade
Nos traz a
felicidade
Precisamos dar as
mãos
Para que vaidade e
orgulho
Guerra, questão e
barulho
Dos irmãos contra
os irmãos
Jesus Cristo, o
Salvador
Pregou a paz e o
amor
Na santa doutrina
sua
O direito do
bangueiro
É o direito do
trapeiro
Que apanha os
trapos na rua
Uma vez que o
conformismo
Faz crescer o
egoísmo
E a injustiça
aumentar
Em favor do bem
comum
É dever de cada um
Pelos direitos
lutar
Por isso vamos
lutar
Nós vamos
reivindicar
O direito e a
liberdade
Procurando em cada
irmão
Justiça, paz e
união
Amor e
fraternidade
Somente o amor é
capaz
E dentro de um
país faz
Um só povo bem
unido
Um povo que gozará
Porque assim já
não há
Opressor nem oprimido
Fontes: http://brasilescola.uol.com.br/biografia/patativa-do-assare.htm
http://www.releituras.com/patativa_menu.asp
Pesquisa e organização da postagem professoras: Elza Interaminense e Lourdes Duarte.
Pesquisa e organização da postagem professoras: Elza Interaminense e Lourdes Duarte.
...Faz pena o nortista,
tão forte e tão bravo, morrer descriminado e como escravo no NORTE do SUL.
Patativa do Assaré
















































