Seguidores

terça-feira, 5 de setembro de 2017

TIPOLOGIA TEXTUAL (X) GÊNERO TEXTUAL




Narrativo, descritivo, argumentativo... 

   Confira os diferentes tipos de textos
É fundamental conhecer os modos de organização de texto mais pedidos nas redações de vestibulares e concursos. Veja como diferenciá-los.

   Experimente listar os gêneros textuais que existem. Você logo descobrirá que eles são inumeráveis. Cartas, ofícios, receitas, crônicas, resenhas literárias, bulas de remédios,poemas, manuais de instrução, artigos e romances são alguns deles. Cada gênero de texto atende a um tipo de necessidade, proporcionando uma forma de interação social. Para isso, ele se estrutura de uma maneira específica, valendo-se dos chamados modos de organização de textos (ou tipos textuais).
   A maioria dos autores identifica três tipos textuais: narração, descrição e argumentação. Seguindo o que propõe a Gramática Houaiss, acrescentamos um quarto modo - a injunção. Vale lembrar que um único texto pode conter trechos com diferentes modos de organização.



Gênero textual:

É um nome que se dá às diferentes formas de linguagem que circulam socialmente, sejam elas formais ou informais.


TIPOLOGIA TEXTUAL   (X)   GÊNERO TEXTUAL

NARRAR: Fábula; crônica; conto; romance...
RELATAR: Carta; notícia; entrevista; currículo...

ARGUMENTAR: Editorial; requerimento; anúncio publicitário..

EXPOR: Seminário; verbetes em geral; relatório...

DESCREVER AÇÕES
[INSTRUIR]: Receitas; regras de jogos...





Exemplos de alguns textos narrativos:


Resenha literária:

Esta postagem foi do blog da amiga Rudynalva
http://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com.br/

Apesar de conhecer em linhas gerais a história do célebre “Diário de Anne Frank”, sempre tive grande curiosidade a respeito desse livro. E agora, ao ser presenteado com um exemplar pelo querido amigo Marcos Lima, senti que o Universo estava sinalizando que eu deveria realmente lê-lo.

Fiquei totalmente capturado pela leitura, da primeira à última página. O que primeiro chama a atenção é o imenso talento narrativo da jovem Anne. Realmente, uma escritora nata, se já houve alguma. A tal ponto que, a princípio, cheguei a ter dúvidas de que o livro tivesse realmente sido escrito por uma criança de 13 para 14 anos. Depois, soube que existiu até uma polêmica a respeito, mas a autenticidade do livro foi definitivamente comprovada. Muitíssimo impressionante!

O Diário de Anne Frank é uma obra que só pode ser explicada pela espiritualidade, a meu ver. Era necessário que existisse um relato como o de Anne, como um testemunho vívido e emocionante do terrível desperdício de todas as guerras, especialmente as movidas por qualquer tipo de intolerância ou preconceito. Por isso foi necessário que uma jovem tão talentosa e com o sonho de se tornar uma grande escritora, conhecida em todo o mundo (o que de fato acabou acontecendo!) passasse pela difícil experiência que ela passou, tendo ao mesmo tempo a oportunidade de registrar cada etapa de sua via crucis no famoso diário.


Hoje, quando parecemos estar à beira de uma catástrofe atômica, mais do que nunca o relato de Anne Frank se faz necessário. É estarrecedor constatar que aquela menina possuía muito mais maturidade e discernimento que alguns de nossos líderes mundiais, que detêm o poder de decidir, em nome de todo o planeta, se devemos ou não iniciar uma guerra nuclear!

Outra reflexão marcou a leitura desse livro, que retrata de forma muito pungente a perseguição e os sofrimentos dos judeus durante a segunda guerra. Principalmente no início do diário, quando Anne conta como os judeus foram proibidos de frequentar clubes, cinemas, lanchonetes etc. Isso me fez pensar que o pobre é o judeu das eras. O que faz de nós todos nazistas em potencial. Como podemos achar natural e certo que uma pessoa não tenha direito a atendimento médico só porque não tem dinheiro? Ou que ela não possa ter acesso à cultura e à educação só por ser pobre? Como podemos aceitar que crianças morram de fome todos os dias?

Enquanto permitirmos que coisas assim continuem acontecendo, não temos o direito de nos sentirmos muito melhores que os nazistas.



\\\***///


MANIFESTO – Mensageiros do Vento

Um experimento literário realizado com muita autenticidade e ousadia. A ideia é apresentar um diálogo contínuo, não de diversos personagens entre si, mas entre as diversas vozes de um coral e o leitor. Seguir a pista do fluxo da consciência e levá-la a um surpreendente ritmo da consciência. A meta desse livro é gerar ondas, movimento e transformação na cabeça do leitor. Clarice Lispector, Ferreira Gullar, James Joyce e Virginia Woolf, entre outros, são grandes influências. Por demonstrarem que a literatura pode ser vista como uma caixa fechada, e que um dos papéis mais essenciais do escritor é, de dentro da caixa, testar os limites das paredes... Agora imagine esse livro escrito por uma banda de rock! É o que encontramos no livro MANIFESTO – Mensageiros do Vento, disponível aqui. Leia e descubra por si mesmo!

POEMA 
   A narrativa poética pode-se assemelhar a uma dança literária das palavras, atravessada pelo movimento do ritmo e das sonoridades. A recriação contínua e interação concordante entre as palavras, ritmos e sons por meio dos versos, estimula a redescoberta dos significados inseridos como mensagens essenciais das coisas que conta.



Jardim florido
Autora: Gracita


A natureza perfeita
é digna de admiração
com suas nuances multicores
desenha no solo abençoado
um belo arco íris de flores
adornado com matizes de aquarela.


E um artesão habilidoso
num bordado rendilhado
simetricamente articulado
vai tecendo com habilidade
o jardim da geometria


Em cada canteiro traçado
o artista esculpe o esboço
inspirado na botânica
faz análise combinatória
de estilos e cores
cria diversas possibilidades
para agraciar o teu gosto


O jardineiro escultor
semeia com amor
rosas, hortênsias, petúnias
lírios, orquídeas e jasmim em flor


Recria com esplendor
um verdadeiro mosaico de flor
e um jardim florido
oferece ao seu amor.
Gracita

(Poema escrito em 2014)
http://brincarcompalavrass.blogspot.com.br/


CRÔNICA:Texto narrativo

O SEGREDO DA LONGEVIDADE
Autor:  PEDRO LUSO DE CARVALHO
http://pedrolusodcarvalho.blogspot.com.br

    Um amigo falou-me, não faz muito tempo, sobre o seu relacionamento, um tanto exótico, com uma moradora do mesmo edifício. Ela já havia passado dos noventa anos, ele estava perto dos quarenta.
Durante o tempo que aí morou manteve-se solteiro. Ela nunca se casou. Talvez essa condição de solteira, que carregou por toda a vida, tenha gerado o sentimento de ódio, que por ele nutria.
Já no primeiro encontro, ele não teve bom pressentimento. Ela não escondia sua aversão a ele, embora não lhe desse motivo. Esse sentimento aparecia nos olhos turvos da esquisita vizinha.
Procurava desviar-se dos dardos envenenados com ódio, que a velha senhora lançava contra ele, quando se encontravam no hall do edifício ou num dos elevadores; ele nunca soube por que fora escolhido para ser o alvo de suas frustrações.
Com o passar do tempo, ela ficou mais agressiva e mais debilitada. Fazia seus curtos passeios à tarde, acompanhada por uma moça, caminhando com dificuldade, passinhos muito miúdos, quase arrastados.
Embora mal conseguisse falar, meu amigo tinha sempre a impressão de ouvi-la dizer, junto aos seus ouvidos, quando se cruzavam: “Você ainda terá de me aguentar por muito tempo”.
A ele não restava outra solução que a visita a um psiquiatra. Na primeira consulta, já tinha o diagnóstico: a velha senhora ainda estava viva graças a motivação e a força que lhe dava essa rusga com ele mantida.
E foi em atenção ao conselho do psiquiatra, que se mudou para outro apartamento, situado em outro bairro. Passado um pouco mais de um mês, ele leu num jornal a comunicação da família sobre o falecimento da velha senhora.



Narração

      O modo narrativo consiste na enunciação de fatos que envolvem ações de personagens, encadeadas no tempo. Nesse modo, que se caracteriza pela organização temporal, predominam os verbos de ação, em geral no passado.
Posicionamo-nos, enquanto usuários da língua, ora expondo opiniões, ora descrevendo, persuadindo, informando e, em não raras as circunstâncias comunicativas, narrando acerca de algo. Assim, moldados por tais pressupostos, equivale dizer que todas essas modalidades se manifestam, tendo em vista uma primeira noção, por meio da oralidade, que traduz uma forma recorrente de praticarmos a interação social, mas também se efetivam de forma recorrente por meio da modalidade escrita da linguagem.
    Dessa forma, tomando como ponto de partida o ato de narrar – alvo das intenções que ora nos propomos – chegamos à conclusão de que todas as particularidades a ele pertinentes se fazem demarcadas nos muitos textos que lemos, ora se materializando por meio de um conto, uma fábula, um romance, uma novela literária, um apólogo, enfim. Abordando acerca dessas particularidades, impossível não afirmar que delas temos de ter conhecimento, justamente para compreendermos o porquê de muitos aspectos se tornarem fatores preponderantes, tais como o narrador, personagens, tempo, espaço, enredo, entre outros. Como se vê, dada essa importância, associada ao fato de que não estamos imunes de concretizarmos todos esses conhecimentos por meio da escrita, sentimo-nos incumbidos de preparar para alguém tão especial, que no caso é você, esta seção, na qual terá a oportunidade de se tornar familiarizado(a) acerca dos muitos aspectos, das muitas particularidades que norteiam esse rol de textos considerados narrativos.

 CONTO texto narrativo


JARDIM DAS DESILUSÕES

Ana Bailune

Jardin de l'Hôpital Vaugirard

JARDIM DAS DESILUSÕES

CAPÍTULO I

Ele diria que eu estava vivendo meu inferno astral – época que se dá pouco antes da data do aniversário de alguém, segundo os astrólogos. Mas aquele período já durava mais de um ano. Talvez ele chegasse em casa mais cedo, e me vendo deitada no sofá em frente à TV com cara de tédio, dissesse: “Levanta daí, e vá vestir alguma coisa bonita. Nós vamos sair.” E se eu perguntasse para onde estaríamos indo, ele me responderia que não sabia, pois ainda não pensara no assunto. Porque ele era assim. Ele era intenso, repentino, um baú de surpresas. E a gente sempre acabava caminhando pelas ruas de Paris e ficando levemente bêbados em algum café. Depois, chegávamos tarde em casa e ele ia dormir. Eu passava pelo corredor, e o escutava falando baixinho ao celular. Sabia – e como doía – que era com ela.  

Jamais me esquecerei de um dia – uma sexta-feira – em que ele chegou em casa com uma faixa vermelha no cabelo. Achei engraçado e estranho, vê-lo com aquela mexa de cabelos vermelhos sobressaindo entre o castanho claro, quase louro. Perguntei por que ele tinha feito aquilo, e ele respondeu: “E por que não faria?” Quando minha boca recusou-se a se fechar de tanta surpresa, ele passou por mim piscando um de seus olhos azuis, e disse: “Não se preocupe: é papel crepom. Sai com água.” E eu pensei: “E por que não sairia?”

Nós dividíamos aquele apartamento em Paris com uma outra brasileira que também estudava Belas Artes, como ele, a Giulia. Eu estava fazendo pós em arquitetura. Nos encontramos através de um anúncio na internet onde Giulia oferecia duas vagas no apartamento de Paris que pertencia a um tio que morava em Los Angeles e que ela quase nunca via. Precisava dividir as despesas e conseguir dinheiro para manter-se por lá. O tio deixou que ela ficasse no apartamento o tempo que quisesse, e também que tivesse locatários.


Rue de Vaugirard


O apartamento ficava no segundo andar de um prédio antigo, na Rue de Vaugirard, uma das mais longas de Paris, e também uma das mais calmas. Eu adorava aquela rua, pois além oferecer um comércio excelente, tinha também seis estações de metrô e o belíssimo Jardin de l'Hôpital Vaugirard, que tinha sido o jardim de um hospital e depois transformado em um parque. Era lá que eu passava grande parte do meu tempo livre, caminhando entre as flores ou sentada à sombra de uma árvore. Era ali que eu ficava pensando nele, sem correr o risco de que alguém percebesse.

E por mais estranho que parecesse, era quase sempre ele quem ia me buscar; de repente, ele surgia do nada, e quando me via (meu coração sempre batia escancaradamente mais forte naqueles momentos), Nando gritava: “Oh, ma petit mademoiseille Cristina!” E vinha andando na minha direção de maneira afetada, como se fosse uma espécie de mordomo do século passado. Eu ria para não chorar. Sabia de onde ela tinha vindo, e o perfume não me deixava nenhuma dúvida.

Ele se sentava ao meu lado, o ombro esbarrando no meu. Eu fingia que estava concentrada na leitura, e ele começava a me empurrar de leve com o ombro, o que me fazia rir, mas eu não erguia os olhos do livro que fingia ler. Eu bufava de impaciência, o que fazia com que ele me esbarrasse com mais força. Eu só conseguia pensar que, há apenas alguns minutos, aquele corpo estava envolvido nos lençóis e nos braços de outra mulher. Finalmente, eu fechava o livro, olhando-o nos olhos:

-O que você quer, afinal?

Ele olhava em volta antes de responder, os olhos cerrados pelo sol. Depois, soprava em meu rosto, dizendo:

-Nada... a Giulia me disse que você estava aqui. Acabei de chegar em casa.

Era quase sempre assim. Eu não sabia qual era a dele. Não sabia se ele sabia. Talvez eu fosse tão insignificante para ele, quero dizer, como mulher, que ele nem desconfiasse. Mas a Giulia já tinha percebido, e me desencorajava:

-Ele namora essa garota há séculos, desde o Brasil. Ela vem passar as férias aqui. 

Mas a tal garota – Maria – acabou não apenas indo passar as férias, mas se mudando para Paris. Felizmente, não havia vagas no nosso apartamento, e ela foi morar em uma outra república perto dali. Eu percebia que Maria não gostava muito de mim, mas ficava na minha. Sabia que ela tinha seus motivos. Mulher sempre tem uma intuição forte para essas coisas, embora eu tivesse certeza de que ela não me via como uma ameaça. Na verdade, nem sei se ela realmente me via... 

O que me fazia sentir ainda pior, era o fato de que ela era linda. Maria tinha cabelos negros, sedosos e lisos, pesados e volumosos, uma verdadeira cascata capilar maleável e perfumada que quase chegava até o meio das costas. Quem tem cabelos assim não deveria ter o direito de usá-los soltos! Além disso, ela era alta, magra, tinha unhas longas pintadas de vermelho, usava roupas de manequim (já tinha sido modelo durante algum tempo, Nando um dia me dissera). E tinha aqueles irritantes olhos verdes de gata, encimados por um par de sobrancelhas perfeitas e arqueadas. Maria era gritantemente bonita.

E eu, uma mulher que não crescera muito – apenas 1,60 – cabelos castanhos e ondulados, que eu esticava para manter um corte Chanel na tentativa de parecer um pouco mais sofisticada, olhos castanhos do tipo comum, os dedos das mãos terminando em unhas de pontas quadradas, enfim, o retrato da pessoa corriqueira, dessas que todo mundo passa por ela nas esquinas e nem nota. 

Giulia também era muito bonita: uma ruiva natural de cabelos cortados bem curtos, olhos castanho-amarelados, pele perfeita, dentes muito brancos, pernas longas demais. Quando ela as cruzava na minha frente, sentada no sofá, eu sentia sempre uma pontinha de inveja, e encolhia as minhas perninhas na poltrona, enrodilhadas feito pequenas cobras. 

Eu estava em desvantagem ali. Nando nunca olharia para mim, nunca me enxergaria, eu tinha certeza disso. Se um dia se cansasse de Maria, com certeza não seria eu a substituta. E ela sabia disso, pois não sentia ciúmes quando nós saíamos juntos. 

Às vezes saíamos os quatro. Maria mal falava comigo, referindo-se sempre à Giulia e limitando-se a fazer algum comentário sobre o que eu dizia apenas para não parecer mal educada. Mas ela me olhava de cima – e isso nada tinha a ver com o fato de ser bem mais alta do que eu, pois naquelas ocasiões estávamos sentadas numa mesa de bar – e assentia com a cabeça a alguma coisa que eu tinha dito, dando o ar de um risinho piedoso. Ela às vezes abraçava Nando pelo pescoço, e ficava arrulhando alguma coisa no ouvido dele. Naqueles momentos, eu queria que o chão se abrisse e eu fosse tragada até a China – sem chance de volta.  E quando a noite terminava e ele ia embora com ela, eu e Giulia íamos caminhando sozinhas até o apartamento pelas calçadas vazias da nossa rua, em silêncio, até que ela explodia: 

- Nunca vou entender por que você faz isso consigo mesma. Poderia ter dado uma desculpa para não ir, sei lá. 

Eu encolhia os ombros, e não respondia. Na manhã seguinte, me refugiava em meu jardim dos sonhos, o consolador Jardin de l'Hôpital Vaugirard. Tentava não chorar muito durante a noite para não ficar com os olhos inchados demais. 

O fato é que eu estava ficando cada vez mais melancólica, desde que Maria se mudara para Paris, e Nando já tinha percebido a minha tristeza. Vivia fazendo palhaçadas para tentar me alegrar. Será que ele não sabia mesmo qual o verdadeiro motivo da minha tristeza? Quando ele perguntava alguma coisa, eu dizia que estava com saudades de casa, da minha mãe, do meu pai, do meu cachorro. Ia revezando minhas saudades entre eles. Então Nando se sentava ao meu lado e passava o braço em volta do meu pescoço, como ele faria com qualquer amigo homem, e dizia: 

-Vai passar. Com o tempo, você se acostuma.

Ou então vinha com aquela história de inferno astral. 

Eu não sabia mais o que fazer. Aquela situação já durava um pouco mais de um ano. Aquela paixão que doía, me escravizava, me fazia sangrar por dentro. E nada mudava. Maria às vezes aparecia por lá de repente, e se trancava no quarto com o Nando. Enquanto eu estava sentada na sala assistindo TV, ficava imaginando o que estava acontecendo lá dentro. Eu reclamava com Giulia:

-As regras da casa diziam que era proibido trazer namorados para casa! Você não vai falar nada? Essa situação não pode continuar!

Ela se desculpava:

-Maria agora é da casa. Ela não é alguém que o Nando pegou na rua, ela é... a namorada oficial dele. E também é nossa amiga.

-Sua amiga.

Ela bufava:

-Está bem: minha amiga! Eu gosto dela. Você só não gosta porque...

Ela se calou.

Eu recolhi a minha insignificância, pus debaixo do braço e fui para o meu quarto. 
Bati a porta quando entrei só para incomodar os dois pombinhos ao lado. Me deitei na cama, sabendo que a apenas alguns centímetros de parede de distância, os dois deveriam estar engalfinhados, ela com aquele par de pernas longas enroscadas em volta dele... ou do pescoço dele. E eu escutei um risinho seguido de um gemido. Tapei a cabeça com o travesseiro.

(continua)
Conto maravilhoso que com certeza lhe deixou curioso para ler todo conto. Aqui, vale a pena.
https://anabailunecontos.blogspot.com.br/2017/08/jardim-das-desilusoes.html#comment-form 




EXEMPLO

“Joana tem 18 anos e deseja cursar jornalismo na faculdade. Hoje, sua vida no cursinho pede escolhas e a jovem já sabe: terá de estudar, no mínimo, oito horas por dia para alcançar seu sonho. Assim como Joana, há milhares de jovens brasileiros que passam a maior parte do dia debruçados sobre livros. Será mesmo que o modelo vigente de ensino funciona no país?”


Descrição 

    O modo descritivo consiste na apresentação de traços ou características de um ser vivo, um objeto, um ambiente, uma cena. Predominam neste tipo textual os verbos de situação, em geral no presente ou no pretérito imperfeito do indicativo, bem como as expressões qualificativas. Na descrição, as características ocorrem simultaneamente e têm organização espacial.
     Descrever acerca de algo representa uma situação comunicativa ligada às atitudes cotidianas, haja vista que nos pegamos descrevendo sobre um ambiente, um objeto, sobre aquela pessoa que acabamos de conhecer, enfim, trata-se de algo rotineiro. Equivale afirmar que tal procedimento tanto se opera no nível da fala quanto no da escrita, e é nos apoiando nesse último dos contextos que focalizamos nossas intenções para deixá-lo(a) um pouco mais a par de todas as particularidades presentes nessa modalidade.
Abordando acerca dela, torna-se imprescindível afirmarmos que ela provém de certo convencionalismo, certa rigidez, por isso, tudo que a ela se restringir tem de estar minuciosamente detalhado e apreendido. Dessa forma, subsidiando-nos nesse pressuposto, reservamos um momento destinado somente a você, que além de representar nosso maior propósito, ainda precisa estar familiarizado(a) acerca de todas as particularidades que norteiam a língua como um todo, e nela falando, não podemos deixar de lado a produção escrita, obviamente. Nesse sentido, a seção que aqui se apresenta tem por finalidade realizar algumas abordagens no âmbito da descrição, ora se manifestando como uma espécie de fotografia verbalizada, visto que o observador, diante do objeto analisado, ocupa-se em descrevê-lo segundo alguns princípios específicos.
Assim, antecipá-los seria como se estivéssemos retirando de você, caro(a) usuário(a), a oportunidade de se interagir, ampliar os conhecimentos, enfim, estreitar laços de familiaridade acerca dos pontos que demarcam as tantas situações comunicativas em que estamos inseridos, sobretudo tendo em vista que, ao nos posicionarmos enquanto interlocutores, temos um objetivo a cumprir com as mensagens que ora produzimos.
Como se vê, razões não nos faltam para deixá-lo(a) ainda mais motivado(a) a conferir acerca das novidades  que aqui se encontram preparadas para você!!! Aproveite, pois!


Argumentação

O modo argumentativo consiste no encadeamento das ideias com a finalidade de defender uma opinião e convencer o interlocutor. Na argumentação, que se organiza essencialmente pela lógica, manifestam-se relações de causa, condição, concessão, contraste, conclusão, etc.
Textos argumentativos são aqueles que apresentam recursos, justificativas e alegações com o objetivo principal de persuadir o leitor sobre determinado ponto de vista.

Lembra-se de quando você tinha que produzir incontáveis textos argumentativos para se preparar para o Enem durante o ensino médio ou cursinho? Provavelmente, você deve ter se cansado de ler, estudar e se posicionar sobre os assuntos do momento, fazer diversas propostas de intervenção com um único objetivo: convencer o leitor acerca do seu ponto de vista sobre o tema.
A boa notícia é que a maioria dos tópicos que você aprendeu nas aulas de redação da escola e do cursinho podem ajudar bastante, hoje, no conteúdo que você produz para a web. Sim! Isso porque há vários elementos nos textos argumentativos que também são utilizados na escrita para internet.
Ou seja, dá para investir seus conhecimentos passados em sua carreira como redator. Maravilha, não é mesmo? Veja o que será abordado a seguir:
Introdução
Trazendo clareza e objetividade ao texto
Narração
Definição
Citação
Estrutura
Começando pela tese
Começando pelos argumentos
Estratégias argumentativas
Analogia
Apelo emocional
Prolepse
Tipos de argumento
Argumento de autoridade
Argumento de ilustração
Argumento por lógica
Falácias lógicas: como evitá-las!
Estrutura
Todo texto argumentativo — não importa se é um artigo de opinião, uma dissertação do Enem ou um blog post — deve apresentar 3 elementos:
A tese, ou seja, o ponto de vista que será defendido, da qual já falamos;
Os argumentos, que sustentam esse ponto de vista;
A conclusão, que condensa e reforça o que foi apresentado.
Talvez você esteja pensando que, nos tempos de cursinho, viu essa divisão com os nomes de introdução, desenvolvimento e conclusão. Bom, qualquer texto que se preze, seja ele argumentativo ou não, precisa ter introdução, desenvolvimento e conclusão.
Agora, no caso dos textos argumentativos, existem várias estruturas que são possíveis.
Vamos ver algumas delas mais a fundo:

Começando pela tese

Essa é a estrutura tradicional e indicada para quem vai prestar Enem. O texto se inicia com a apresentação da tese na introdução, que é defendida pelos argumentos desenvolvidos nos parágrafos seguintes e, por fim, retomada na conclusão, agora com o reforço dos argumentos elencados.
Começar pela tese é uma boa maneira de construir uma introdução sucinta e honesta, que diz rapidamente para o leitor qual é o objetivo daquele texto.

Como Fazer um Texto Dissertativo Argumentativo
Como começar pelo argumento

    Nesse caso, os argumentos são apresentados primeiro e seu desdobramento lógico leva à tese. A ideia é conduzir o raciocínio do leitor, de maneira que ele chegue à mesma conclusão que o texto à medida que lê.

Estratégias argumentativas

Antes de entrar de cabeça nas estratégias que podem melhorar seus textos argumentativos, uma pergunta: você sabe a diferença entre estratégia e argumento?
Explicando resumidamente, argumento são todas as informações que você usa para defender seu ponto de vista. Já as estratégias são as maneiras como você expõe, articula e apresenta essas informações.
SAIBA MAIS:


Como Fazer um Texto Dissertativo Argumentativo


       O texto dissertativo argumentativo tem como principais características a apresentação de um raciocínio, a defesa de um ponto de vista ou o questionamento de uma determinada realidade. O autor se vale de argumentos, de fatos, de dados, que servirão para ajudar a justificar as ideias que ele irá desenvolver. As três características básicas de um texto dissertativo são:
  - Apresentação do ponto de vista
  - Discussão dos argumentos
  - Análise crítica do texto

      A diferença desse modelo para um texto narrativo, por exemplo, é que o texto narrativo descreve uma história, contendo alguns elementos importantes como personagens, local, tempo (intervalo no qual ocorreram os fatos), enredo (fatos que motivaram a escrita). O texto dissertativo, por outro lado, tem como objetivo defender um ponto de vista usando argumentos.
Uma redação dissertativa argumentativa pode ser escrita na terceira pessoa do plural (objetiva) ou na primeira pessoa do singular (subjetiva), veremos a seguir exemplos de cada uma delas:

Dissertação Objetiva

   Na dissertação objetiva, o autor não se identifica com o leitor, já que os argumentos são expostos de forma impessoal. Isso, aliás, confere ao texto um ar de imparcialidade, embora se saiba que é a visão do autor que está sendo discutida. Esse procedimento faz o leitor aceitar mais facilmente as ideias expostas no texto.

Dissertação Subjetiva

    No texto dissertativo subjetivo, o autor se mostra por meio do uso da primeira pessoa do singular (eu), evidenciando que os argumentos são resultados da opinião pessoal de quem escreve (não que no texto objetivo também não o sejam, afinal, a influência das ideias do autor estão presentes também neste último caso).

    Vamos mostrar dois exemplos, o primeiro é um trecho de um texto objetivo e o segundo é um trecho de um texto subjetivo. Repare na diferença que existe entre os dois:

1) “Há tipos diferentes de ruínas. Mas elas são sempre resultado de uma demolição ou desconstrução de edificações. Existe um primeiro tipo que simboliza um tempo passado que evoluiu e foi deixando ruínas devido às mudanças dos gostos e da riqueza dos donos.”
2) “Não sou do tipo que se impressiona com boatos, mas não posso ficar indiferente aos últimos acontecimentos no cenário público do Brasil. Toda essa movimentação em torno dos casos de corrupção que assolam a nação me fez pensar sobre a importância da ética nas relações sociais em todos os níveis. Não quero me convencer de que um valor moral tão importante esteja sendo banido da sociedade, substituído pelo direito de garantia de privilégios pessoais a qualquer custo.”
Podemos notar claramente a diferença no uso da terceira e da primeira pessoa.
Na prática, escrever na primeira pessoa (eu/nós) dá origem a frases do tipo:

– “Precisamos estar conscientes da importância do cuidado ao meio ambiente”
– “Sabemos que o Brasil precisa de mudanças”
– “Tive bons professores, mas nem todo estudante tem esse privilégio”.
As mesmas frases acima escritas na terceira pessoa do plural ficariam:
– “É preciso estar consciente da importância do cuidado ao meio ambiente”
– “Sabe-se que o Brasil precisa de mudanças”
– “Alguns estudantes têm bons professores, mas nem todos têm esse privilégio”.

     Repare que quando você escreve na terceira pessoa do plural, nunca utiliza os verbos conjugados pessoalmente (utilizando o “eu” ou o “nós”). As frases sempre ficam impessoais.
Essas duas maneiras de escrita são aceitas, mas é muito importante que você escolha e mantenha o mesmo estilo do início ao fim! Se você escolheu a escrita objetiva, não utilize a subjetiva e vice-versa. É muito comum misturar as duas coisas, a grande maioria dos candidatos mistura esses dois estilos ao longo do texto e são penalizados na nota por isso. Fique atento a esse detalhe. Sempre que você for escrever alguma frase, lembre-se de qual estilo você escolheu e seja fiel a ele até o fim!
      O mais recomendado é que você escolha a terceira pessoa do plural, pois essa forma de escrever é mais informal e mais fácil de ser seguida com fidelidade. O texto objetivo também tem a vantagem de dar um aspecto de “autoridade” aos argumentos. Quando se opta pelo texto subjetivo, tem-se uma impressão de que tudo está somente de acordo com a opinião do autor, enquanto que no objetivo tem-se a impressão de que a opinião é de todos. Isso é o que fortalece o caráter objetivo.
Recomendamos também que você pratique suas redações utilizando sempre o mesmo estilo para se acostumar. Isso vai ajudar você a não misturar as coisas depois. Então comece a praticar desde já o texto objetivo para chegar no dia da prova afiado e não colocar traços subjetivos misturados.

A Argumentação do Texto Dissertativo

   Um texto argumentativo, como já comentamos, é aquele em que defendemos uma ideia, opinião ou ponto de vista, procurando fazer com que o leitor acredite nele. Para conseguir esse objetivo, utilizamos os argumentos.
  A palavra ARGUMENTO tem uma origem curiosa: vem do latim ARGUMENTUM; significa: fazer brilhar, iluminar.
É fácil encontrar os argumentos de um texto, pois basta que se identifique a tese (ideia principal), para então fazer a pergunta “por quê”? Por exemplo: o autor é contra a pena de morte (tese). Porque… (argumentos).
Um bom texto dissertativo deve apoiar-se principalmente em uma boa argumentação (por isso o nome: dissertativo argumentativo). Para que isso ocorra, é preciso que se organizem as ideias que serão expostas. Mostraremos abaixo os tipos mais comuns de argumentos que podem ser utilizados em uma redação:

Tipos de argumentos

– Argumento de Autoridade: É aquele que se apoia no conhecimento de um especialista da área. É um modo de trazer para o texto o peso e a credibilidade da autoridade citada. Por exemplo: “Conforme afirma Bertrand Russel, não é a posse de bens materiais o que mais seduz os homens, mas o prestígio decorrente dela”.
– Argumento de consenso: Alguns enunciados não exigem a demonstração de um especialista para que se prove o conteúdo argumentado. Nesse caso, não precisamos citar uma fonte de confiança. Por exemplo: “O investimento na Educação é indispensável para o desenvolvimento econômico do país”. Repare que essa afirmação não precisa de embasamento teórico, pois é um consenso global.
– A Comprovação pela Experiência ou Observação: Esse tipo de argumentação é fundamentada na documentação com dados que comprovam ou confirmam sua veracidade. Por exemplo: “O acaso pode dar origem a grandes descobertas científicas. Alexander Flemming, que cultivava bactérias, por acaso percebeu que os fungos surgidos no frasco matavam as bactérias que ali estavam. Da pesquisa com esses fungos, ele chegou à penicilina”. Observe que, nesse caso, o argumento que validou a afirmação “O acaso pode dar origem a grandes descobertas” foi a documentação da experiência de Flemming.

– A Fundamentação Lógica: A argumentação nesse caso se baseia em operações de raciocínio lógico, tais como as implicações de causa e efeito, consequência e causa, etc. Por exemplo: “Ao se admitir que a vida humana é o bem mais precioso do homem, não se pode aceitar a pena de morte, uma vez que existe sempre a possibilidade de um erro jurídico que, no caso, seria irreparável”. Note que a ideia que o leitor tentou passar era: Não se pode aceitar a pena de morte. Para isso, foi mencionado o caso de falha humana na sentença, o que permitiu que se chegasse a tal conclusão.

   Qualquer um desses tipos de argumentos citados é válido na construção de um texto argumentativo.
A título de nomenclatura, muitas provas de vestibulares e concursos utilizam o nome “texto dissertativo”, “texto argumentativo” ou ainda “texto dissertativo argumentativo”, mas todos se referem a esse mesmo padrão de texto que mencionamos nesse artigo.


 Analogia

A analogia é uma figura de linguagem que consiste em estabelecer paralelos e semelhanças entre situações, a princípio, distintas.
Com isso, é possível aproximar a situação em questão das experiências vividas pelo seu leitor (ou, no caso do marketing de conteúdo, pela sua persona), simplificando o entendimento de algo fora da sua realidade.
Quando bem aplicada, essa estratégia permite aumentar o apelo emocional do texto (sobre o qual vamos falar daqui a pouco). Para isso, porém, é preciso garantir que ela não seja simplista demais.

Apelo emocional

   Essa estratégia tem a ver com algo chamado pathos, termo que, para os gregos, designava a paixão e o sentimento. A ideia aqui é despertar a emoção no seu leitor, a fim de conquistar o lado emocional que faz parte da formação de qualquer opinião, por mais racional que ela seja.
Para escrever um texto com bastante apelo emocional, é importante conhecer as dores da sua persona e elencar argumentos próximos da sua realidade.
Apesar do nome “apelo emocional”, porém, o ideal é não exagerar demais. Afinal, você não quer que seu texto fique com um tom excessivamente piegas e meloso!

Prolepse

Esse é o nome chique da estratégia de se antecipar aos argumentos do seu interlocutor (no caso de um texto, do seu leitor) e se antecipar a eles.
Essa estratégia é facilmente observada em debates políticos, em que um candidato, já conhecendo as pautas de seu adversário, desconstrói seus argumentos antes mesmo que ele possa apresentá-lo, exigindo dele jogo de cintura para contra-argumento.
A prolepse pode ser usada, por exemplo, para estruturar um texto sobre a importância de se manter fisicamente ativo. Você pode começar sua produção listando as principais objeções às atividades físicas (é difícil encontrar tempo, fazer exercícios é chato) e desconstruir cada uma delas em um intertítulo.
Tipos de argumento
Agora que você já conhece algumas estratégias que podem te ajudar no seu texto, vamos ver alguns tipos de argumento que você pode usar para sustentar sua tese:

Argumento de autoridade

Esse argumento toma emprestada a credibilidade da sua fonte, como um instituto de pesquisa, um pesquisador ou uma testemunha, tão importante para os jornalistas.
Como a força desse argumento vem justamente da sua fonte, é fundamental incluir links para as pesquisas mencionadas ou citar a instituição por trás delas. Dizer “pesquisas apontam” é o mesmo que não dizer nada, justamente porque, quando você faz isso, está deixando de fora a credibilidade do argumento.
Vale mencionar também que, quando você está escrevendo como ghost writer (o que é o caso da maioria das produções de conteúdo para a web), a sua própria autoridade não significa nada, pois o seu nome não está atrelado ao texto.
Não importa se você for phD no assunto sobre o qual está escrevendo: será necessário sustentar seus argumentos com fontes verificáveis e confiáveis.

Argumento de ilustração

Aqui, trata-se usar exemplos para confirmar que os pontos levantados são, de fato, observáveis na realidade. Vale mencionar que os exemplos não precisam ser apenas positivos: se a ideia é comprovar, por exemplo, a necessidade de colocar uma coleira de identificação no seu cãozinho, você pode citar tanto casos em que a presença da coleira teve final feliz como situações em que, por não ter identificação, o animal não foi encontrado.

Argumento por lógica

  Você, provavelmente, já viu por aí aqueles exercícios simples de lógica, compostos de 3 sentenças, como “Todo homem é mortal. Sócrates é homem. Logo, Sócrates é mortal”. Essa é a estrutura básica de qualquer argumento lógico.
   Mas não se preocupe, porque não é preciso dividir todo o seu texto em premissas e conclusões e tentar entender o raciocínio lógico entre elas. Argumentar por lógica é bem mais simples do que isso — relações de causa e consequência e de condicionalidade são excelentes exemplos de argumentos lógicos.
Falácias lógicas: como evitá-las!

   Primeiro, vamos à definição das falácias, que nada mais são do que tentativas de convencer o leitor por meio de informações que não seguem uma lógica coerente. Na prática, por exemplo, significa usar argumentos desconexos para criar um apelo emocional exagerado ou deturpar o argumento de uma pessoa para um contra-ataque mais impactante.
Ou seja, na verdade, essa é uma maneira de enfraquecer o seu argumento. Então, evitar alguns caminhos que nos induzem ao uso dessas falácias é ideal. Utilizando o exemplo citado acima, seria algo nesse sentido: “Todo homem é mortal. Sócrates é homem. Joana não é homem. Logo, Joana é imortal”. Oi?
    Portanto, não seja esse redator que usa esse tipo de argumento por lógica utilizando uma sequência non-sense para sustentar seu ponto de vista.
Outro exemplo que você deve evitar é apelar para a popularidade de um argumento não válido como forma de referendar seu posicionamento. São aquelas alegações sobre as quais a maior parte das pessoas certamente concordaria, mas que não são, de fato, verdadeiras.
Exemplos desse uso são muito comuns em discursos e textos que falam sobre senso de justiça, por exemplo, ao avaliar quem deveria estar ou não custodiado. Tão logo identifique as falácias lógicas no seu texto, retire-as.

Conclusão

      Essa etapa do texto é ideal para retomar o seu ponto de vista, reforçá-lo e, se possível, aproximá-lo da realidade. No caso do marketing de conteúdo, um bom caminho é sugerir à persona como aquele blog post pode ser útil na vida dela ou, quem sabe, convidá-la a estudar mais sobre o tema sobre o qual discorre.
No geral, esse é o momento em que o autor do texto diz ao leitor: eu me importo contigo, desejo que você aprenda e quero te oferecer ainda mais conteúdo.
Outro atributo importante de uma boa conclusão é incluir a chamada para ação, em inglês intitulada call to action. Ela deve indicar o passo seguinte que você deseja que o leitor faça a partir do seu texto, como compartilhar conteúdo nas redes sociais, deixar comentário ou baixar e-book.
Para os casos do texto argumentativo, essa é a hora em que você tem para finalizar a conversa, apresentando uma solução e/ou sugestão para o problema posto. Mais uma vez, lembre-se: momento para ser sucinto e direto… Sem delongas!
Bom, fale a verdade: você imaginou que tivesse tanta coisa por trás das redações que você escrevia se preparando para o Enem? Ou que poderia aplicar todo esse conhecimento na sua carreira como redator? Pois bem, nós também não!


Injunção

O modo injuntivo consiste no encadeamento de ideias com a finalidade de persuadir o destinatário a praticar atos ou ter atitudes. Uma de suas características é o emprego do imperativo.


Fontes:
http://educacao.globo.com/telecurso/noticia/2015/03/narrativo-descritivo-argumentativo-confira-os-diferentes-tipos-de-textos.html
http://comofazerumaboaredacao.com/texto-dissertativo-argumentativo/
https://comunidade.rockcontent.com/textos-argumentativos/
http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/redacao/textos-descritivos.htm
http://brincarcompalavrass.blogspot.com.br/
https://anabailunecontos.blogspot.com.br/2017/08/jardim-das-desilusoes.html#comment-form


Para saber mais, consulte:
AZEREDO, J. C. Gramática Houaiss da língua portuguesa. São Paulo: Publifolha, 2008.
FIORIN, J. L. e SAVIOLI, F. P. Lições de texto: leitura e redação. São Paulo: Ática, 1999.




Pesquisa e organização da postagem: Profª Lourdes Duarte

PENSAMENTO DA ALUNA LÍVIA VITÓRIA

Quando você passar a respeitar as pessoas,você vai ver que o problema não era elas e sim você.
 Autora: Lívia Vitória.


Foto: Lívia Vitória.

PENSAMENTO DOS ALUNOS Mateus e Lívia.

Mesmo que aconteça,talvez ainda não seja tempo de acontecer, porque tudo tem seu tempo. 

Mateus Felipe  e lívia Vitória
Foto: Lívia

O CONHECIMENTO E OS PRIMEIROS FILÓSOFOS

O CONHECIMENTO E OS PRIMEIROS FILÓSOFOS




O conhecimento e os primeiros filósofos


 

Quando estudamos o nascimento da Filosofia na Grécia, vimos que os primeiros filósofos – os pré-socráticos – dedicavam-se a um conjunto de indagações principais: Por que e como as coisas existem? O que é o mundo? Qual a origem da Natureza e quais as causas de sua transformação? Essas indagações colocavam no centro a pergunta: o que é o Ser?

A palavra ser em português, traduz a palavra latina esse e a expressão grega ta onta. A palavra latina esse é o infinitivo de um verbo, o verbo ser. A expressão grega ta onta quer dizer: as coisas existentes, os entes, os seres. No singular, ta onta se diz to on, que é traduzida por: o ser. Os primeiros filósofos ocupavam-se com a origem e a ordem do mundo, o kosmos, e a filosofia nascente era uma cosmologia. Pouco a pouco, passou-se a indagar o que era o próprio kosmos, qual era o fundo eterno e imutável que permanecia sob a multiplicidade e transformação das coisas. Qual era e o que era o ser subjacente a todos os seres. Com isto, a filosofia nascente tornou-se ontologia, isto é, conhecimento ou saber sobre o ser.

Por esse mesmo motivo, considera-se que os primeiros filósofos não tinham uma preocupação principal com o conhecimento enquanto conhecimento, isto é, não indagavam se podemos ou não conhecer o Ser, mas partiam da pressuposição de que o podemos conhecer, pois a verdade, sendo aletheia, isto é, presença e manifestação das coisas para os nossos sentidos e para o nosso pensamento, significa que o Ser está manifesto e presente para nós e, portanto, nós o podemos conhecer.

Todavia, a opinião de que os primeiros filósofos não se preocupavam com nossa capacidade e possibilidade de conhecimento não é exata. Para tanto, basta levarmos em conta o fato de afirmarem que a realidade (o Ser, a Natureza) é racional e que a podemos conhecer porque também somos racionais; nossa razão é parte da racionalidade do mundo, dela participando.

Heráclito, Parmênides e Demócrito

Alguns exemplos indicam a existência da preocupação dos primeiros filósofos com o conhecimento e, aqui, tomaremos três: Heráclito de Éfeso, Parmênides de Eléia e Demócrito de Abdera.

Heráclito de Éfeso considerava a Natureza (o mundo, a realidade) como um “fluxo perpétuo”, o escoamento contínuo dos seres em mudança perpétua. Dizia: “Não podemos banhar-nos duas vezes no mesmo rio, porque as águas nunca são as mesmas e nós nunca somos os mesmos”. Comparava o mundo à chama de uma vela que queima sem cessar, transformando a cera em fogo, o fogo em fumaça e a fumaça em ar. O dia se torna noite, o verão se torna outono, o novo fica velho, o quente esfria, o úmido seca, tudo se transforma no seu contrário.

A realidade, para Heráclito, é a harmonia dos contrários, que não cessam de se transformar uns nos outros. Se tudo não cessa de se transformar perenemente, como explicar que nossa percepção nos ofereça as coisas como se fossem estáveis, duradouras e permanentes? Com essa pergunta o filósofo indicava a diferença entre o conhecimento que nossos sentidos nos oferecem e o conhecimento que nosso pensamento alcança, pois nossos sentidos nos oferecem a imagem da estabilidade e nosso pensamento alcança a verdade como mudança contínua.

Parmênides de Eléia colocava-se na posição oposta à de Heráclito. Dizia que só podemos pensar sobre aquilo que permanece sempre idêntico a si mesmo, isto é, que o pensamento não pode pensar sobre as coisas que são e não são, que ora são de um modo e ora são de outro, que são contrárias a si mesmas e contraditórias.

Conhecer é alcançar o idêntico, imutável. Nossos sentidos nos oferecem a imagem de um mundo em incessante mudança, num fluxo perpétuo, onde nada permanece idêntico a si mesmo: o dia vira noite, o inverno vira primavera, o doce se torna amargo, o pequeno vira grande, o grande diminui, o doce amarga, o quente esfria, o frio se aquece, o líquido vira vapor ou vira sólido.

Como pensar o que é e o que não é ao mesmo tempo? Como pensar o instável? Como pensar o que se torna oposto e contrário a si mesmo? Não é possível, dizia Parmênides. Pensar é dizer o que um ser é em sua identidade profunda e permanente. Com isso, afirmava o mesmo que Heráclito – perceber e pensar são diferentes -, mas o dizia no sentido oposto ao de Heráclito, isto é, percebemos mudanças impensáveis e devemos pensar identidades imutáveis.

Demócrito de Abdera desenvolveu uma teoria sobre o Ser ou sobre a Natureza conhecida com o nome de atomismo: a realidade é constituída por átomos. A palavra átomo tem origem grega e significa: o que não pode ser cortado ou dividido, isto é, a menor partícula indivisível de todas as coisas. Os seres surgem por composição dos átomos, transformam-se por novos arranjos dos átomos e morrem por separação dos átomos.

Os átomos, para Demócrito, possuem formas e consistências diferentes (redondos, triangulares, lisos, duros, moles, rugosos, pontiagudos, etc.) e essas diferenças e os diferentes modos de combinação entre eles produzem a variedade de seres, suas mudanças e desaparições. Através de nossos órgãos dos sentidos, percebemos o quente e o frio, o doce e o amargo, o seco e o úmido, o grande e o pequeno, o duro e o mole, sabores, odores, texturas, o agradável e o desagradável, sentimos prazer e dor, porque percebemos os efeitos das combinações dos átomos que, em si mesmos, não possuem tais qualidades.

Somente o pensamento pode conhecer os átomos, que são invisíveis para nossa percepção sensorial. Dessa maneira, Demócrito concordava com Heráclito e Parmênides em que há uma diferença entre o que conhecemos através de nossa percepção e o que conhecemos apenas pelo pensamento; porém, diversamente dos outros dois filósofos, não considerava a percepção ilusória, mas apenas um efeito da realidade sobre nós. O conhecimento sensorial ou sensível é tão verdadeiro quanto aquilo que o pensamento puro alcança, embora de uma verdade diferente e menos profunda ou menos relevante do que aquela alcançada pelo puro pensamento.

Esses três exemplos nos mostram que, desde os seus começos, a Filosofia preocupou-se com o problema do conhecimento, pois sempre esteve voltada para a questão do verdadeiro. Desde o início, os filósofos se deram conta de que nosso pensamento parece seguir certas leis ou regras para conhecer as coisas e que há uma diferença entre perceber e pensar. Pensamos a partir do que percebemos ou pensamos negando o que percebemos? O pensamento continua, nega ou corrige a percepção? O modo como os seres nos aparecem é o modo como os seres realmente são?

Sócrates e os sofistas

Preocupações como essas levaram, na Grécia clássica, a duas atitudes filosóficas: a dos sofistas e a de Sócrates – com eles, os problemas do conhecimento tornaram-se centrais.

Os sofistas, diante da pluralidade e do antagonismo das filosofias anteriores, ou dos conflitos entre as várias ontologias, concluíram que não podemos conhecer o Ser, mas só podemos ter opiniões subjetivas sobre a realidade.

Por isso, para se relacionarem com o mundo e com os outros humanos, os homens devem valer-se de um outro instrumento – a linguagem – para persuadir os outros de suas próprias idéias e opiniões. A verdade é uma questão de opinião e de persuasão, e a linguagem é mais importante do que a percepção e o pensamento.

Em contrapartida, Sócrates, distanciando-se dos primeiros filósofos e opondo-se aos sofistas, afirmava que a verdade pode ser conhecida, mas primeiro devemos afastar as ilusões dos sentidos e as das palavras ou das opiniões e alcançar a verdade apenas pelo pensamento. Os sentidos nos dão as aparências das coisas e as palavras, meras opiniões sobre elas. Conhecer é passar da aparência à essência, da opinião ao conceito, do ponto de vista individual à idéia universal de cada um dos seres e de cada um dos valores da vida moral e política.

Platão e Aristóteles

Sócrates fez a Filosofia preocupar-se com nossa possibilidade de conhecer e indagar quais as causas das ilusões, dos erros e da mentira. No esforço para definir as formas de conhecer e as diferenças entre o conhecimento verdadeiro e a ilusão, Platão e Aristóteles introduziram na Filosofia a idéia de que existem diferentes maneiras de conhecer ou graus de conhecimento e que esses graus se distinguem pela ausência ou presença do verdadeiro, pela ausência ou presença do falso.

Platão distingue quatro formas ou graus de conhecimento, que vão do grau inferior ao superior: crença, opinião, raciocínio e intuição intelectual. Para ele, os dois primeiros graus devem ser afastados da Filosofia – são conhecimentos ilusórios ou das aparências, como os dos prisioneiros da caverna – e somente os dois últimos devem ser considerados válidos. O raciocínio treina e exercita nosso pensamento, preparando-o para uma purificação intelectual que lhe permitirá alcançar uma intuição das idéias ou das essências que formam a realidade ou que constituem o Ser.

Para Platão, o primeiro exemplo do conhecimento puramente intelectual e perfeito encontra-se na matemática, cujas idéias nada devem aos órgãos dos sentidos e não se reduzem a meras opiniões subjetivas. O conhecimento matemático seria a melhor preparação do pensamento para chegar à intuição intelectual das idéias verdadeiras, que constituem a verdadeira realidade.

Platão diferencia e separa radicalmente duas formas de conhecimento: o conhecimento sensível (crença e opinião) e o conhecimento intelectual (raciocínio e intuição) afirmando que somente o segundo alcança o Ser e a verdade. O conhecimento sensível alcança a mera aparência das coisas, o conhecimento intelectual alcança a essência das coisas, as idéias.

Aristóteles distingue sete formas ou graus de conhecimento: sensação, percepção, imaginação, memória, raciocínio e intuição. Para ele, ao contrário de Platão, nosso conhecimento vai sendo formado e enriquecido por acumulação das informações trazidas por todos os graus, de modo que, em lugar de uma ruptura entre o conhecimento sensível e o intelectual, Aristóteles estabelece uma continuidade entre eles.

A separação se dá entre os seis primeiros graus e o último, ou a intuição, que é puramente intelectual ou um ato do pensamento puro. Essa separação, porém, não significa que os outros graus ofereçam conhecimentos ilusórios ou falsos e sim que oferecem tipos de conhecimentos diferentes, que vão de um grau menor a um grau maior de verdade.

Em cada um deles temos acesso a um aspecto do Ser ou da realidade e, na intuição intelectual, temos o conhecimento pleno e total da realidade ou dos princípios da realidade plena e total, aquilo que Aristóteles chamava de “o Ser enquanto Ser”.

A diferença entre os seis primeiros graus e o último decorre da diferença do objeto do conhecimento, isto é, os seis primeiros graus conhecem objetos que se oferecem a nós na sensação, na imaginação, no raciocínio, enquanto o sétimo lida com um objeto que só pode ser alcançado pelo pensamento puro.

Princípios gerais

Com os filósofos gregos, estabeleceram-se alguns princípios gerais do conhecimento verdadeiro:
 as fontes e as formas do conhecimento: sensação, percepção, imaginação, memória, linguagem, raciocínio e intuição intelectual;
 a distinção entre o conhecimento sensível e o conhecimento intelectual; o papel da linguagem no conhecimento;
 a diferença entre opinião e saber;
 a diferença entre aparência e essência;
 a definição dos princípios do pensamento verdadeiro (identidade, não-contradição, terceiro excluído, causalidade), da forma do conhecimento verdadeiro (idéias, conceitos e juízos) e dos procedimentos para alcançar o conhecimento verdadeiro (indução, dedução, intuição); a distinção dos campos do conhecimento verdadeiro, sistematizados por Aristóteles em três ramos: teorético (referente aos seres que apenas podemos contemplar ou observar, sem agir sobre eles ou neles interferir), prático (referente às ações humanas: ética, política e economia) e técnico (referente à fabricação e ao trabalho humano, que pode interferir no curso da Natureza, criar instrumentos ou artefatos: medicina, artesanato, arquitetura, poesia, retórica, etc.).

Para os gregos, a realidade é a Natureza e dela fazem parte os humanos e as instituições humanas. Por sua participação na Natureza, os humanos podem conhecê-la, pois são feitos dos mesmos elementos que ela e participam da mesma inteligência que a habita e dirige.

O poeta alemão Goethe criou estes versos, que exprimem como os antigos concebiam o conhecimento:

Se os olhos não fossem solares
Jamais o Sol nós veríamos;
Se em nós não estivesse a própria força divina,
Como o divino sentiríamos?

O intelecto humano conhece a inteligibilidade do mundo, alcança a racionalidade do real e pode pensar a realidade porque nós e ela somos feitos da mesma maneira, com os mesmos elementos e com a mesma inteligência.

Bacon e Descartes

Os gregos indagavam: como o erro é possível? Os modernos perguntaram: como a verdade é possível? Para os gregos, a verdade era aletheia, para os modernos, veritas. Em outras palavras, para os modernos trata-se de compreender e explicar como os relatos mentais – nossas idéias – correspondem ao que se passa verdadeiramente na realidade. Apesar dessas diferenças, os filósofos retomaram o modo de trabalhar filosoficamente proposto por Sócrates, Platão e Aristóteles, qual seja, começar pelo exame das opiniões contrárias e ilusórias para ultrapassá-las em direção à verdade.

Antes de abordar o conhecimento verdadeiro, Bacon e Descartes examinaram exaustivamente as causas e as formas do erro, inaugurando um estilo filosófico que permanecerá na Filosofia, isto é, a análise dos preconceitos e do senso comum.

Bacon elaborou uma teoria conhecida como a crítica dos ídolos (a palavra ídolo vem do grego eidolon e significa imagem). Descartes, como já mencionamos, elaborou um método de análise conhecido como dúvida metódica.

De acordo com Bacon, existem quatro tipos de ídolos ou de imagens que formam opiniões cristalizadas e preconceitos, que impedem o conhecimento da verdade:

1. ídolos da caverna: as opiniões que se formam em nós por erros e defeitos de nossos órgãos dos sentidos. São os mais fáceis de corrigir por nosso intelecto;

2. ídolos do fórum: são as opiniões que se formam em nós como conseqüência da linguagem e de nossas relações com os outros. São difíceis de vencer, mas o intelecto tem poder sobre eles;

3. ídolos do teatro: são as opiniões formadas em nós em decorrência dos poderes das autoridades que nos impõem seus pontos de vista e os transformam em decretos e leis inquestionáveis. Só podem ser refeitos se houver uma mudança social e política;

4. ídolos da tribo: são as opiniões que se formam em nós em decorrência de nossa natureza humana; esses ídolos são próprios da espécie humana e só podem ser vencidos se houver uma reforma da própria natureza humana.

Bacon acreditava que o avanço dos conhecimentos e das técnicas, as mudanças sociais e políticas e o desenvolvimento das ciências e da Filosofia propiciariam uma grande reforma do conhecimento humano, que seria também uma grande reforma na vida humana. Tanto assim que, ao lado de suas obras filosóficas, escreveu uma obra filosófico-política, a Nova Atlântida, na qual descreve e narra uma sociedade ideal e perfeita, nascida do conhecimento verdadeiro e do desenvolvimento das técnicas.

Descartes localizava a origem do erro em duas atitudes que chamou de atitudes infantis:

1. a prevenção, que é a facilidade com que nosso espírito se deixa levar pelas opiniões e idéias alheias, sem se preocupar em verificar se são ou não verdadeiras. São as opiniões que se cristalizam em nós sob a forma de preconceitos (colocados em nós por pais, professores, livros, autoridades) e que escravizam nosso pensamento, impedindo-nos de pensar e de investigar;

2. a precipitação, que é a facilidade e a velocidade com que nossa vontade nos faz emitir juízos sobre as coisas antes de verificarmos se nossas idéias são ou não são verdadeiras. São opiniões que emitimos em conseqüência de nossa vontade ser mais forte e poderosa do que nosso intelecto. Originam-se no conhecimento sensível, na imaginação, na linguagem e na memória.

Como Bacon, Descartes também está convencido de que é possível vencer esses efeitos, graças a uma reforma do entendimento e das ciências. (Descartes não pensa na necessidade de mudanças sociais e políticas, diferindo de Bacon nesse aspecto.) Essa reforma pode ser feita pelo sujeito do conhecimento, se este decidir e deliberar pela necessidade de encontrar fundamentos seguros para o saber. Para isso Descartes criou um procedimento, a dúvida metódica, pela qual o sujeito do conhecimento, analisando cada um de seus conhecimentos, conhece e avalia as fontes e as causas de cada um, a forma e o conteúdo de cada um, a falsidade e a verdade de cada um e encontra meios para livrar-se de tudo quanto seja duvidoso perante o pensamento. Ao mesmo tempo, o pensamento oferece ao espírito um conjunto de regras que deverão ser obedecidas para que um conhecimento seja considerado verdadeiro.

Para Descartes, o conhecimento sensível (isto é, sensação, percepção, imaginação, memória e linguagem) é a causa do erro e deve ser afastado. O conhecimento verdadeiro é puramente intelectual, parte das idéias inatas e controla (por meio de regras) as investigações filosóficas, científicas e técnicas.

Locke

Locke é o iniciador da teoria do conhecimento propriamente dita porque se propõe a analisar cada uma das formas de conhecimento que possuímos, a origem de nossas idéias e nossos discursos, a finalidade das teorias e as capacidades do sujeito cognoscente relacionadas com os objetos que ele pode conhecer. Seguindo a trilha que fora aberta por Aristóteles, Locke também distingue graus de conhecimento, começando pelas sensações até chegar ao pensamento.

Comparemos o que escreveu Aristóteles, no início da Metafísica, e o que afirmou Locke, no início do Ensaio sobre o entendimento humano.

Aristóteles escreveu:

Todos os homens têm, por natureza, o desejo de conhecer. O prazer causado pelas sensações é a prova disso, pois, mesmo fora de qualquer utilidade, as sensações nos agradam por si mesmas e, mais do que todas as outras, as sensações visuais.

Locke afirmou:

Visto que o entendimento situa o homem acima dos outros seres sensíveis e dá-lhe toda vantagem e todo domínio que tem sobre eles, seu estudo consiste certamente num tópico que, por sua nobreza, é merecedor de nosso trabalho de investigá-lo. O entendimento, como o olho, que nos faz ver e perceber todas as outras coisas, não se observa a si mesmo; requer arte e esforço situá-lo à distância e fazê-lo seu próprio objeto.

Assim como Aristóteles diferia de Platão, Locke difere de Descartes.

Platão e Descartes afastam a experiência sensível ou o conhecimento sensível do conhecimento verdadeiro, que é puramente intelectual. Aristóteles e Locke consideram que o conhecimento se realiza por graus contínuos, partindo da sensação até chegar às idéias.

Essa diferença de perspectiva estabelece as duas grandes orientações da teoria do conhecimento, conhecidas como racionalismo e empirismo.

Para o racionalismo, a fonte do conhecimento verdadeiro é a razão operando por si mesma, sem o auxílio da experiência sensível e controlando a própria experiência sensível.

Para o empirismo, a fonte de todo e qualquer conhecimento é a experiência sensível, responsável pelas idéias da razão e controlando o trabalho da própria razão.

Essas diferenças, porém, não impedem que haja um elemento comum a todos os filósofos a partir da modernidade, qual seja, tomar o entendimento humano como objeto da investigação filosófica.

Tornar o entendimento objeto para si próprio, tornar o sujeito do conhecimento objeto de conhecimento para si mesmo é a grande tarefa que a modernidade filosófica inaugura, ao desenvolver a teoria do conhecimento. Como se trata da volta do conhecimento sobre si mesmo para conhecer-se, ou do sujeito do conhecimento colocando-se como objeto para si mesmo, a teoria do conhecimento é a reflexão filosófica.

A consciência: o eu, a pessoa, o cidadão e o sujeito

A teoria do conhecimento no seu todo realiza-se como reflexão do entendimento e baseia-se num pressuposto fundamental: o de que somos seres racionais conscientes.

O que se entende por consciência?

A capacidade humana para conhecer, para saber que conhece e para saber o que sabe que conhece. A consciência é um conhecimento (das coisas e de si) e um conhecimento desse conhecimento (reflexão).

Do ponto de vista psicológico, a consciência é o sentimento de nossa própria identidade: é o eu, um fluxo temporal de estados corporais e mentais, que retém o passado na memória, percebe o presente pela atenção e espera o futuro pela imaginação e pelo pensamento. O eu é o centro ou a unidade de todos esses estados psíquicos.

A consciência psicológica ou o eu é formada por nossas vivências, isto é, pela maneira como sentimos e compreendemos o que se passa em nosso corpo e no mundo que nos rodeia, assim como o que se passa em nosso interior. É a maneira individual e própria com que cada um de nós percebe, imagina, lembra, opina, deseja, age, ama e odeia, sente prazer e dor, toma posição diante das coisas e dos outros, decide, sente-se feliz ou infeliz.

Do ponto de vista ético e moral, a consciência é a espontaneidade livre e racional, para escolher, deliberar e agir conforme à liberdade, aos direitos alheios e ao dever. É a pessoa, dotada de vontade livre e de responsabilidade. É a capacidade para compreender e interpretar sua situação e sua condição (física, mental, social, cultural, histórica), viver na companhia dos outros segundo as normas e os valores morais definidos por sua sociedade, agir tendo em vista fins escolhidos por deliberação e decisão, realizar as virtudes e, quando necessário, contrapor-se e opor-se aos valores estabelecidos em nome de outros, considerados mais adequados à liberdade e à responsabilidade.

Do ponto de vista político, a consciência é o cidadão, isto é, tanto o indivíduo situado no tecido das relações sociais, como portador de direitos e deveres, relacionando-se com a esfera pública do poder e das leis, quanto o membro de uma classe social, definido por sua situação e posição nessa classe, portador e defensor de interesses específicos de seu grupo ou de sua classe, relacionando-se com a esfera pública do poder e das leis.

A consciência moral (a pessoa) e a consciência política (o cidadão) formam-se pelas relações entre as vivências do eu e os valores e as instituições de sua sociedade ou de sua cultura. São as maneiras pelas quais nos relacionamos com os outros por meio de comportamentos e de práticas determinados pelos códigos morais (que definem deveres, obrigações, virtudes) e políticos (que definem direitos, deveres e instituições coletivas públicas), a partir do modo como uma cultura e uma sociedade determinadas definem o bem e o mal, o justo e o injusto, o legítimo e o ilegítimo, o legal e o ilegal, o privado e o público. O eu é uma vivência e uma experiência que se realiza por comportamentos; a pessoa e o cidadão são a consciência como agente (moral e político), como práxis.

Do ponto de vista da teoria do conhecimento, a consciência é uma atividade sensível e intelectual dotada do poder de análise, síntese e representação. É o sujeito. Reconhece-se como diferente dos objetos, cria e descobre significações, institui sentidos, elabora conceitos, idéias, juízos e teorias. É dotado de capacidade para conhecer-se a si mesmo no ato do conhecimento, ou seja, é capaz de reflexão. É saber de si e saber sobre o mundo, manifestando-se como sujeito percebedor, imaginante, memorioso, falante e pensante. É o entendimento propriamente dito.

A consciência reflexiva ou o sujeito do conhecimento forma-se como atividade de análise e síntese, de representação e de significação voltadas para a explicação, descrição e interpretação da realidade e das outras três esferas da vida consciente (vida psíquica, moral e política), isto é, da posição do mundo natural e cultural e de si mesma como objetos de conhecimento. Apóia-se em métodos de conhecer e busca a verdade ou o verdadeiro. É o aspecto intelectual e teórico da consciência.

Ao contrário do eu, o sujeito do conhecimento não é uma vivência individual, mas aspira à universalidade, ou seja, à capacidade de conhecimento que seja idêntica em todos os seres humanos e com validade para todos os seres humanos, em todos os tempos e lugares. Assim, por exemplo, João pode gostar de geometria e Paula pode detestar essa matéria, mas o que ambos sentem não afetam os conceitos geométricos, nem os procedimentos matemáticos, cujo sentido e valor independem das vivências de ambos e são o objeto construído ou descoberto pelo sujeito do conhecimento.

Maria pode não saber que existe a física quântica e pode, ao ser informada sobre ela, não acreditar nela e não gostar da idéia de que seu corpo seja apenas movimento infinito de partículas invisíveis. Isso, porém, não afeta a validade e o sentido da ciência quântica, descoberta e conhecida pelo sujeito. Luíza tem lembranças agradáveis quando vê rosas amarelas; Antônio, porém, tem péssimas lembranças quando as vê. Porém, ver flores e cores, perceber qualidades, senti-las afetivamente não depende de que queiramos ou não vê-las, como não depende do nosso eu percebê-las espacialmente ou temporalmente. A percepção de cores, de seres espaciais e temporais se realiza em mim não apenas segundo minhas vivências psicológicas individuais, mas também segundo leis, normas, princípios de estruturação e organização das coisas, que são as mesmas para todos os sujeitos percebedores. É com essa estruturação e organização que lida o sujeito. A vivência é singular (minha). O conhecimento é universal (nosso, de todos os humanos).

Eu, pessoa, cidadão e sujeito constituem a consciência como subjetividade ativa, sede da razão e do pensamento, capaz de identidade consigo mesma, virtude, direitos e verdade.

Subjetividade e graus de consciência

Embora a subjetividade se manifeste plenamente como uma atividade que sabe de si mesma, isso não significa que a consciência esteja sempre alerta e atenta. Quando, por exemplo, recebemos uma anestesia geral, vamos perdendo gradualmente a consciência, deixamos de ter consciência de ver, sentir, lembrar. Dependendo da intensidade da dose aplicada, podemos perder todas as formas de consciência menos, por exemplo, a auditiva. No entanto, mesmo a consciência auditiva, nessa situação, é fluida, não parece estar referida a um eu. Quando despertamos à noite, de um sono profundo e num local que não é nosso quarto, levamos um certo tempo até sabermos quem somos e onde estamos.

Quando devaneamos ou divagamos, ou sonhamos de olhos abertos, perdemos a consciência de tudo quanto está à nossa volta e, muitas vezes, quando “voltamos a nós”, temos um braço ou uma perna adormecidos, uma queimadura na mão, o rosto queimado de sol ou o corpo molhado de chuva sem que tivéssemos consciência do que se passava conosco. Situações como essas indicam que há graus de consciência.

De um modo geral, distinguem-se os seguintes graus de consciência:
 consciência passiva: aquela na qual temos uma vaga e uma confusa percepção de nós mesmos e do que se passa à nossa volta, como no devaneio, no momento que precede o sono ou o despertar, na anestesia e, sobretudo, quando somos muito crianças ou muito idosos; consciência vivida, mas não reflexiva: é nossa consciência efetiva, que tem a peculiaridade de ser egocêntrica, isto é, de perceber os outros e as coisas apenas a partir de nossos sentimentos com relação a eles, como, por exemplo, a criança que bate numa mesa ao tropeçar nela, julgando que a mesa “fez de propósito” para machucá-la. Nesse grau de consciência, não conseguimos separar o eu e o outro, o eu e as coisas. É típico, por exemplo, das pessoas apaixonadas, para as quais o mundo só existe a partir dos seus sentimentos de amor, ódio, cólera, alegria, tristeza, etc.; consciência ativa e reflexiva: aquela que reconhece a diferença entre o interior e o exterior, entre si e os outros, entre si e as coisas. Esse grau de consciência é o que permite a existência da consciência em suas quatro modalidades, isto é, eu, pessoa, cidadão e sujeito.

Esse último grau de consciência, nas suas quatro modalidades, é definido pela fenomenologia como consciência intencional ou intencionalidade, isto é, como “consciência de”. Toda a consciência, diz a fenomenologia, é sempre consciência de alguma coisa, visa sempre a alguma coisa, de tal maneira que perceber é sempre perceber alguma coisa, imaginar é sempre imaginar alguma coisa, lembrar é sempre lembrar alguma coisa, dizer é sempre dizer alguma coisa, pensar é sempre pensar alguma coisa. A consciência realiza atos (perceber, lembrar, imaginar, falar, refletir, pensar) e visa a conteúdos ou significações (o percebido, o lembrado, o imaginado, o falado, o refletido, o pensado). O sujeito do conhecimento é aquele que reflete sobre as relações entre atos e significações e conhece a estrutura formada por eles (a percepção, a imaginação, a memória, a linguagem, o pensamento).


Convite à Filosofia
De Marilena Chaui
Ed. Ática, São Paulo, 2000.

Unidade 4
O conhecimento

Capítulo 1
A preocupação com o conhecimento
Fonte : http://filosofianigro.comunidades.net/index.php?pagina=1781227013

 Organização da postagem: Profª Lourdes Duarte

O CONHECIMENTO E TIPOS DE CONHECIMENTO





O CONHECIMENTO E TIPOS DE CONHECIMENTO

Autora: Roberta Laisa Dantas de Souza


O conhecimento está diretamente ligado ao  homem à sua realidade. O conhecimento pretende idealizar o bem estar do ser humano, logo o conhecimento advém das relações do homem com o meio. O indivíduo procura  entender o meio partindo dos pressupostos de interação do homem com os objetivos. É uma forma de explicar os fenômenos das relações, seja, entre sujeito/objeto, homem/razão, homem/desejo ou homem/realidade. A forma de explicar e entender o conhecimento passa por várias vertentes como:conhecimento empírico (vulgar ou senso comum), conhecimento filosófico, conhecimento teológico e conhecimento científico.




O conhecimento empírico surge da relação do ser com o mundo. Todo ser humano apodera-se gradativamente deste conhecimento, ao passo que lida com sua realidade diária. Não há uma preocupação direta com o ato reflexivo, ocorre espontaneamente. É um conhecimento do tipo abrangente dentro da realidade humana. Não está calcada em investigações.



O conhecimento filosófico surge da relação do homem com seu dia-a-dia, porém preocupa-se com respostas e especulações destas relações. Não é um conhecimento estático, ao contrário sempre está em transformação. Considera seus estudos de modo reflexivo e crítico. É um estudo racional, porém não há uma preocupação de verificação.


O conhecimento teológico preocupa-se com verdades absolutas, verdades que só a fé pode explicar. O sagrado é explicado por si só. Não há importância a verificação. Acredita-se que o conhecimento é explicado pela religião. Tudo parte do religioso, os valores religiosos são incontestáveis.



O conhecimento científico precisa ser provado. O conhecimento surge da dúvida e comprovado concretamente, gerando leis válidas. É passível de verificação e investigação, então acaba encontrando respostas aos fenômenos que norteiam o ser humano. Usa os métodos para encontrar respostas através de leis comprobatórias, as quais regem a relação do sujeito com a realidade.


Organização da postagem: Profª Lourdes Duarte