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terça-feira, 5 de setembro de 2017

PRODUÇÃO X TRABALHO

(Texto de Sociologia - 2º ano do Ensino Médio, 2º bimestre) “O modo de produção da vida material condiciona o processo, em geral, da vida social, política e espiritual” Karl Marx








1. A PRODUÇÃO


Bens: são todas as coisas materiais produzidas para satisfazer as necessidades das pessoas.

Serviços: são todas as atividades econômicas voltadas para a satisfação de necessidades e que não estão relacionadas diretamente à produção de bens. Os bens e serviços resultam da transformação de recursos da natureza em objetos úteis à vida humana. E isso só acontece por meio do trabalho nos processos de produção.

Processo de produção: o processo de produção é formado por três componentes principais associados: trabalho, matéria-prima, instrumentos de produção.




2. O TRABALHO


Por trabalho entende-se toda atividade humana que resulte em bens ou serviços. Todo trabalho resulta da combinação de dois tipos de atividade: manual e intelectual. O que varia é a proporção com que esses dois aspectos entram no processo de produção. Não existe trabalho exclusivamente manual ou exclusivamente intelectual, mas, sim, predominantemente intelectual.

O trabalho pode ser classificado conforme o grau de capacitação exigido do profissional. Assim temos: trabalho qualificado –  só pode ser realizado com um certo grau de aprendizagem e conhecimento técnico; trabalho não qualificado – pode ser realizado praticamente sem aprendizagem. Essa classificação não é uma simples divisão teórica. Ela atinge profundamente a vida das pessoas, pois diferentes salários são atribuídos conforme o grau de capacitação ou qualificação exigido pelas tarefas a cumprir.



3. MATÉRIA-PRIMA


Por matéria-prima deve-se entender os componentes iniciais do produto que, no processo de produção, são transformados até adquirirem a forma de bem final. Antes de serem transformados em matéria-prima, tais componentes encontram-se na natureza sob a forma de recursos naturais.




4. INSTRUMENTOS DE PRODUÇÃO


Todas as coisas que direta ou indiretamente nos permitem transformar matéria-prima em bem final são chamadas de instrumentos de produção. É o caso das ferramentas, dos equipamentos e das máquinas. O local de trabalho, iluminação, a ventilação e tos as instalações necessárias á atividade produtiva também são instrumentos de produção. Assim, instrumento de produção é todo bem utilizado pelo ser humano na produção de outros bens e serviços.

Os meios de produção sem matéria -a ventilação instrumentos de trabalho não se pode produzir. Eles são necessários para realizar qualquer tipo de trabalho. Os meios de produção são  a matéria-prima e os instrumentos de produção.



5. AS FORÇAS PRODUTIVAS


Todo processo produtivo combina o trabalho com os meios de produção. Sem o trabalho humano nada pode ser produzido; sem os meios de produção o homem não pode trabalhar. Ao conjunto dos meios de produção somados ao trabalho humano damos o nome de forças produtivas. Assim, forças produtivas = meios de produção + trabalho humano.



6. RELAÇÕES DE PRODUÇÃO


No processo produtivo, as pessoas dependem umas das outras para obter os resultados pretendidos. Dessa forma, para produzir os bens e serviços de que necessitam, os indivíduos estabelecem relações entre si. Tais relações são chamadas de relações de produção.

O trabalho é necessariamente um ato social. As relações de produção mais importantes são aquelas que se estabelecem entre os proprietários dos meios de produção e os trabalhadores. Isso porque todo processo produtivo conta sempre com pelo menos dois agentes sociais básicos: trabalhadores e proprietários dos meios de produção.

São relações de produção que organizam e definem a sociedade. Existem diversos tipos de sociedade. Entre essas relações de produção está o erigem de propriedade. Por exemplo, se o trabalho de uma sociedade é feito majoritariamente por escravos, temos um regime de propriedade no qual os proprietários dos portadores da força de trabalho.

Cada um deles em suas próprias relações de produção. A esse conjunto de forças produtivas e relações de produção damos o nome de modo de produção.


Marx e os modos de produção


Na produção social da própria vida, os homens estabelecem relações determinadas, necessárias e independentes de sua vontade. Essas relações de produção correspondem a uma determinada etapa de desenvolvimento das suas forças produtivas materiais.

A totalidade dessas relações de produção forma a estrutura econômica da sociedade. Essa estrutura é a base real sobre a qual se levanta uma superestrutura jurídica e política, e à qual correspondem formais sociais determinadas de consciência.

O modo de produção de vida material condiciona o processo de vida social, política e espiritual. Ou seja, não é consciência dos homens que determina o seu ser, mas, ao contrário, é o seu ser social que determina sua consciência.

Em determinada etapa de seu desenvolvimento, as forças produtivas entram em contradição com as relações de produção existentes. Essas relações – o regime de propriedade, por exemplo - , que antes eram formas de desenvolvimento das forças produtivas, transforma-se em seu maior obstáculo.

Sobrevém, então, uma época de revolução social.

Mas uma formação social nunca desaparece antes que estejam desenvolvidas todas as suas forças produtivas. E novas relações de produção mais adiantadas não substituem as antigas, antes que suas condições materiais de existência tenham sido geradas no próprio seio da velha sociedade.

Em grandes traços, podem ser caracterizados como épocas progressivas da formação econômica da humanidade os modos de produção asiático, antigo, feudal e burguês moderno.

(adaptado de: Karl Marx. Para a crítica da economia política. In: Marx. São Paulo, Abril Cultural, 1978. P. 129-30. Coleção Os Pensadores.)



7. MODOS DE PRODUÇÃO: A HISTÓRIA DA TRANSFORMAÇÃO DA SOCIEDADE


Modo de produção é a maneira pela qual a sociedade produz seus bens e serviços, como os utiliza e como os distribui. É chamado também de sistema econômico. Modo de produção= forças produtivas + relações de produção.

Cada sociedade tem uma forma própria de produção, seu modo de produção. Este é constituído por fatores dinâmicos, que estão em constante mudança: as forças produtivas, que se modificam com o desenvolvimento dos métodos de trabalho, com o avanço tecnológico e científico; e as relações de produção, também sujeitas a transformações. Com o tempo, o desenvolvimento das forças produtivas acarreta mudanças e até ruptura (por meio de revoluções) nos modos de produção. Esse processo de desenvolvimento é responsável pelo surgimento de alguns dos principais modos de produção. São eles: comunal primitivo, escravista, asiático, feudal, capitalista e socialista. Agora vamos estudar aqueles que precederam o modo de produção pré-capitalista.

Modo de produção primitivo comunal: por volta de 10000 a.C., a espécie humana começou a cultivar a terra, produzindo cereais, verduras, legumes e frutas. A comunidade primitiva (ou modo de produção comunal) foi a primeira forma de organização humana. As pessoas trabalhavam em conjunto. A terra era o principal meio de produção. Tanto ela quanto os frutos do trabalho eram propriedade coletiva, comunal, isto é, de todos.

Não existia ainda a ideia de propriedade privada dos meios de produção, portanto não havia a oposição entre proprietários e trabalhadores. As relações de produção eram relações de cooperação, baseada na propriedade coletiva dos meios de produção.

Modo de produção escravista: na sociedade escravista, os meios de produção (terras e instrumentos de produção) e os escravos eram propriedade do senhor. O escravo era considerado um instrumento, um objeto, como um animal ou uma ferramenta. As relações de produção eram de domínio e de sujeição.

Os senhores eram proprietários dos portadores da força de trabalho (os escravos), dos meios de produção (terras, minas, oficinas artesanais, instrumentos de produção) e do produto do trabalho. Havia um rígido controle dos escravos dominados e regras para regular a ordem social. Foi necessário, portanto, que surgisse o Estado para garantir o interesse dos senhores.


O escravismo colonial

O conceito de modo de produção escravista colonial foi desenvolvido particularmente pelo historiador brasileiro Jacob Gorender.

Segundo Gorender, o escravismo colonial mostra a dinâmica interna da produção colonial brasileira, evidenciando o papel central que o trabalhador direto – o escravo – desempenha em sua estrutura.

O escravismo brasileiro é diferente do modo de produção vigente na Grécia e na Roma antigas, que também tinham por base o trabalho escravo, exatamente por ser colonial. Isto é, os proprietários dos meios de produção e a comercialização do fruto do trabalho estavam sob o controle da metrópole portuguesa, e não da própria colônia.

Ao mesmo tempo, a organização da produção tinha por base a platation – grandes latifúndios voltados para uma só cultura destinada á exportação (cana-de–açucar, café etc.). Outra característica do escravismo colonial é que ela atendia aos interesses do capitalismo mercantil dominante na Europa.

Para Gorender, esse modo de produção apresenta três aspectos principais.

1. Economia voltada predominantemente para o mercado externo (isto é, produzia-se tendo em vista a exportação, e não o consumo interno), dependendo desse mercado externo o estímulo necessário ao desenvolvimento das forças produtivas.

2. Troca-se gêneros agropecuários ou matérias-primas minerais por produtos manufaturados fabricados na metrópole ou em algum outro país europeu.

3. Fraco ou nenhum controle da colônia sobre a comercialização no mercado externo.

A mistura de trabalho escravo e capitalismo mercantil (dominante na metrópole) criou uma sociedade peculiar. Porque, apesar de existir um pouco de agricultura de subsistência, um pouco de comércio e um pouco de acumulação e prosperidade na Bahia, no Recife e no Rio de Janeiro, não houve acumulação capitalista na Colônia.

“Os mercadores coloniais constituíam uma burguesia mercantil integrada na ordem escravista, e tão interessada na sua conservação quanto os plantadores”, explica Gorender. Boa parte desses mercadores, aliás, se dedicava ao tráfico de escravos da áfrica para o Brasil colonial e imperial.

(baseado em: Jacob Gorender. O escravismo colonial. 5 ed. São Paulo, Ática, 1988.)



Modo asiático de produção: também chamado de sociedade hidráulica, o modo de produção asiático predominou na índia e no Egito da antiguidade, bem como nas civilizações pré-colombianas dos incas (nos países andinos), maias (leste do México) e astecas (do México à Nicarágua).

Trata-se de sociedades fechadas, equipadas com um estado forte e uma burocracia muito eficiente, capaz de manter o poder total do Estado, ao qual toda sociedade estava subordinada.

No modo asiático de produção, os meios de produção e a força de trabalho pertenciam ao estado, encarnado no Imperador. Abaixo dele, o grupo mais privilegiado era o dos sacerdotes, nobres e guerreiros. Mas o grupo mais poderoso era o dos administradores públicos, que atuavam em nome do Estado.

Modo de produção feudal: o modo de produção feudal predominou na Europa ocidental entre o século V e o século XVI. Em alguns casos, prolongou-se até o século XVIII ou mesmo XIX. A sociedade feudal estruturou-se sobre a divisão entre senhores e servos. As relações de produção no feudalismo baseavam-se na propriedade do senhor sobre a terra e no trabalho agrícola do servo.

Os servos não viviam como os escravos; eles tinham o direito de cultivar um pedaço de terra cedido pelo senhor, sendo obrigados, em troca, apagar-lhe impostos, rendas, e ainda a trabalhar nas terras do senhor sem nada receber.. O servo tinha direito ao usufruto da terra, mas não podia comprá-la ou vendê-la.

Outra diferença importante entre o servo e o escravo é que o escravo era propriedade do senhor, que podia vendê-lo, alugá-lo, emprestá-lo e até libertá-lo, se quisesse. Já o servo, na condição de pessoa, não era propriedade de seu senhor, mas estava ligado ao lote de terra no qual trabalhava. Caso o senhor vendesse esse lote a outra pessoa, esta era obrigada a manter o servo na propriedade.

A economia feudal, como a escravista, se baseava no campo. Só que, nesse sistema, as cidades tinham pouca importância. Os proprietários dos meios de produção – nobres e bispos – mantinham-se em seus feudos, tinham seus próprios exércitos e gozavam de considerável independência política em relação ao rei.

(OLIVEIRA, Pérsio Santos. Introdução à Sociologia. 25ªed. reform. e atual. São Paulo, Ática, 2004, pp. 85-94. [Texto adaptado])

Postado por Epitácio Rodrigues





Professor da rede pública do estado do Ceará e pesquisador na área de Filosofia. Coautor do livro "As Portas do Tempo nos Muros da Vida".

Marx e os modos de produção

Na produção social da própria vida, os homens estabelecem relações determinadas, necessárias e independentes de sua vontade. Essas relações de produção correspondem a uma determinada etapa de desenvolvimento das suas forças produtivas materiais.

A totalidade dessas relações de produção forma a estrutura econômica da sociedade. Essa estrutura é a base real sobre a qual se levanta uma superestrutura jurídica e política, e à qual correspondem formais sociais determinadas de consciência.

O modo de produção de vida material condiciona o processo de vida social, política e espiritual. Ou seja, não é consciência dos homens que determina o seu ser, mas, ao contrário, é o seu ser social que determina sua consciência.

Em determinada etapa de seu desenvolvimento, as forças produtivas entram em contradição com as relações de produção existentes. Essas relações – o regime de propriedade, por exemplo - , que antes eram formas de desenvolvimento das forças produtivas, transforma-se em seu maior obstáculo.

Sobrevém, então, uma época de revolução social.

Mas uma formação social nunca desaparece antes que estejam desenvolvidas todas as suas forças produtivas. E novas relações de produção mais adiantadas não substituem as antigas, antes que suas condições materiais de existência tenham sido geradas no próprio seio da velha sociedade.

Em grandes traços, podem ser caracterizados como épocas progressivas da formação econômica da humanidade os modos de produção asiático, antigo, feudal e burguês moderno.

(adaptado de: Karl Marx. Para a crítica da economia política. In: Marx. São Paulo, Abril Cultural, 1978. P. 129-30. Coleção Os Pensadores





7. MODOS DE PRODUÇÃO: A HISTÓRIA DA TRANSFORMAÇÃO DA SOCIEDADE

Modo de produção é a maneira pela qual a sociedade produz seus bens e serviços, como os utiliza e como os distribui. É chamado também de sistema econômico. Modo de produção= forças produtivas + relações de produção.

Cada sociedade tem uma forma própria de produção, seu modo de produção. Este é constituído por fatores dinâmicos, que estão em constante mudança: as forças produtivas, que se modificam com o desenvolvimento dos métodos de trabalho, com o avanço tecnológico e científico; e as relações de produção, também sujeitas a transformações. Com o tempo, o desenvolvimento das forças produtivas acarreta mudanças e até ruptura (por meio de revoluções) nos modos de produção. Esse processo de desenvolvimento é responsável pelo surgimento de alguns dos principais modos de produção. São eles: comunal primitivo, escravista, asiático, feudal, capitalista e socialista. Agora vamos estudar aqueles que precederam o modo de produção pré-capitalista.

Modo de produção primitivo comunal: por volta de 10000 a.C., a espécie humana começou a cultivar a terra, produzindo cereais, verduras, legumes e frutas. A comunidade primitiva (ou modo de produção comunal) foi a primeira forma de organização humana. As pessoas trabalhavam em conjunto. A terra era o principal meio de produção. Tanto ela quanto os frutos do trabalho eram propriedade coletiva, comunal, isto é, de todos.

Não existia ainda a ideia de propriedade privada dos meios de produção, portanto não havia a oposição entre proprietários e trabalhadores. As relações de produção eram relações de cooperação, baseada na propriedade coletiva dos meios de produção.

Modo de produção escravista: na sociedade escravista, os meios de produção (terras e instrumentos de produção) e os escravos eram propriedade do senhor. O escravo era considerado um instrumento, um objeto, como um animal ou uma ferramenta. As relações de produção eram de domínio e de sujeição.

Os senhores eram proprietários dos portadores da força de trabalho (os escravos), dos meios de produção (terras, minas, oficinas artesanais, instrumentos de produção) e do produto do trabalho. Havia um rígido controle dos escravos dominados e regras para regular a ordem social. Foi necessário, portanto, que surgisse o Estado para garantir o interesse dos senhores.





O escravismo colonial

O conceito de modo de produção escravista colonial foi desenvolvido particularmente pelo historiador brasileiro Jacob Gorender.

Segundo Gorender, o escravismo colonial mostra a dinâmica interna da produção colonial brasileira, evidenciando o papel central que o trabalhador direto – o escravo – desempenha em sua estrutura.

O escravismo brasileiro é diferente do modo de produção vigente na Grécia e na Roma antigas, que também tinham por base o trabalho escravo, exatamente por ser colonial. Isto é, os proprietários dos meios de produção e a comercialização do fruto do trabalho estavam sob o controle da metrópole portuguesa, e não da própria colônia.

Ao mesmo tempo, a organização da produção tinha por base a platation – grandes latifúndios voltados para uma só cultura destinada á exportação (cana-de–açucar, café etc.). Outra característica do escravismo colonial é que ela atendia aos interesses do capitalismo mercantil dominante na Europa.

Para Gorender, esse modo de produção apresenta três aspectos principais.

1. Economia voltada predominantemente para o mercado externo (isto é, produzia-se tendo em vista a exportação, e não o consumo interno), dependendo desse mercado externo o estímulo necessário ao desenvolvimento das forças produtivas.

2. Troca-se gêneros agropecuários ou matérias-primas minerais por produtos manufaturados fabricados na metrópole ou em algum outro país europeu.

3. Fraco ou nenhum controle da colônia sobre a comercialização no mercado externo.

A mistura de trabalho escravo e capitalismo mercantil (dominante na metrópole) criou uma sociedade peculiar. Porque, apesar de existir um pouco de agricultura de subsistência, um pouco de comércio e um pouco de acumulação e prosperidade na Bahia, no Recife e no Rio de Janeiro, não houve acumulação capitalista na Colônia.

“Os mercadores coloniais constituíam uma burguesia mercantil integrada na ordem escravista, e tão interessada na sua conservação quanto os plantadores”, explica Gorender. Boa parte desses mercadores, aliás, se dedicava ao tráfico de escravos da áfrica para o Brasil colonial e imperial.


(baseado em: Jacob Gorender. O escravismo colonial. 5 ed. São Paulo, Ática, 1988.)



Modo asiático de produção: também chamado de sociedade hidráulica, o modo de produção asiático predominou na índia e no Egito da antiguidade, bem como nas civilizações pré-colombianas dos incas (nos países andinos), maias (leste do México) e astecas (do México à Nicarágua).

Trata-se de sociedades fechadas, equipadas com um estado forte e uma burocracia muito eficiente, capaz de manter o poder total do Estado, ao qual toda sociedade estava subordinada.

No modo asiático de produção, os meios de produção e a força de trabalho pertenciam ao estado, encarnado no Imperador. Abaixo dele, o grupo mais privilegiado era o dos sacerdotes, nobres e guerreiros. Mas o grupo mais poderoso era o dos administradores públicos, que atuavam em nome do Estado.


Modo de produção feudal: o modo de produção feudal predominou na Europa ocidental entre o século V e o século XVI. Em alguns casos, prolongou-se até o século XVIII ou mesmo XIX. A sociedade feudal estruturou-se sobre a divisão entre senhores e servos. As relações de produção no feudalismo baseavam-se na propriedade do senhor sobre a terra e no trabalho agrícola do servo.

Os servos não viviam como os escravos; eles tinham o direito de cultivar um pedaço de terra cedido pelo senhor, sendo obrigados, em troca, apagar-lhe impostos, rendas, e ainda a trabalhar nas terras do senhor sem nada receber.. O servo tinha direito ao usufruto da terra, mas não podia comprá-la ou vendê-la.

Outra diferença importante entre o servo e o escravo é que o escravo era propriedade do senhor, que podia vendê-lo, alugá-lo, emprestá-lo e até libertá-lo, se quisesse. Já o servo, na condição de pessoa, não era propriedade de seu senhor, mas estava ligado ao lote de terra no qual trabalhava. Caso o senhor vendesse esse lote a outra pessoa, esta era obrigada a manter o servo na propriedade.

A economia feudal, como a escravista, se baseava no campo. Só que, nesse sistema, as cidades tinham pouca importância. Os proprietários dos meios de produção – nobres e bispos – mantinham-se em seus feudos, tinham seus próprios exércitos e gozavam de considerável independência política em relação ao rei.


(OLIVEIRA, Pérsio Santos. Introdução à Sociologia. 25ªed. reform. e atual. São Paulo, Ática, 2004, pp. 85-94. [Texto adaptado])



FONTE: http://filosofiaprofrodrigues.blogspot.com.br/2011/06/base-economica-da-sociedade.html

Organização da postagem : Profª Lourdes Duarte

sábado, 2 de setembro de 2017

O QUE É UM ACRÓSTICO:

O que é um Acróstico:


      Acróstico é um substantivo masculino, que descreve uma composição literária normalmente poética em que as letras iniciais, do meio ou do fim formam nomes ou palavras em concreto.
Esta palavra tem origem no grego akrostichís, sendo que akro significa “extremo” e stikhis, que significa linha ou verso. Em inglês, acróstico é traduzido como acrostic.
No acróstico, a palavra formada pelas primeiras letras é lida na vertical. Muitas vezes a palavra formada verticalmente é um nome próprio ou pode também ser um aforismo, ou seja, uma máxima ou regra.
   Acróstico é um gênero de composição geralmente poética, que consiste em formar uma palavra vertical com as letras iniciais ou finais de cada verso gerando um nome próprio ou uma sequência significativa.
Os acrósticos já existiam na antiguidade com escritores gregos e latinos e na Idade Média com os monges. Foi um gênero muito utilizado no período barroco, durante os séculos XVI e XVII, e ainda hoje é muito utilizado por pessoas de várias faixas etárias, classes sociais e culturas diferentes.
Esta forma de expressão requer criatividade, pois está relacionada com o mundo da poesia.

Exemplos de acrósticos

Os acrósticos são frequentemente usados como forma de expressar o romantismo, como o seguinte exemplo de um acróstico de amor:

Algo maravilhoso aconteceu em mim quando
Meus olhos encontraram os seus pela primeira vez
O mundo ganhou uma nova cor e o meu coração foi
Renovado depois de uma eternidade de solidão.

Acróstico de nomes

São muito populares os acrósticos de nomes, que são dedicados a pessoas especiais, como a mãe, namorado ou amigo. Na maior parte destes casos, cada letra corresponde a um adjetivo que caracteriza a pessoa em questão, como é possível ver no exemplo feito com o nome "Pedro".

Paciente
Especial
Dinâmico
Risonho
Otimista


    Segundo a Enciclopédia Britânica, o acróstico é utilizado desde a antiguidade, inclusive nos livros bíblicos dos Provérbios e dos Salmos.
Em português o acróstico apareceu no Cancioneiro geral (século XVI) e chegou a ser feito por Camões, no soneto CCIX, cujo primeiro verso é “Vencido está de amor meu pensamento".
Há muitas variantes: o acróstico alfabético, em que se vai enfileirando o alfabeto verticalmente; o mesóstico, em que as letras da palavra-chave aparecem no meio da composição, no final de cada primeiro hemistíquio ou início do segundo; e outras modalidades ainda mais complicadas.
Fizeram-se acrósticos em prosa, com as letras do começo de cada parágrafo, e se chegou a verdadeira mania de acrósticos nos tempos do barroco.

Um trabalho de autor nacional sobre acrósticos, é o de Dorival Pedro Lavirod. De sua autoria é a fábula intitulada “O Sapo e a Borboleta”, cujos versos são os seguintes:


Sabia que sou mais bonita?
A borboleta disse ainda ao sapo:
Pobre batráquio asqueroso,
O que você é me causa nojo!
E o sapo, com toda calma do mundo,
Assim respondeu à borboleta:
Bonita é minha natureza anfíbia,
O que, também, me protege mais,
Rios e solo me dão guarida,
Brejos e até mesmo matagais!
O que você faz para se defender?
Livre, viajo sobre todos os animais!
E, num segundo, o sapo projetou
Tamanha língua no espaço,
Acabando, assim, com o embaraço!

     Os acrósticos podem ser simples, com frases, nomes ou palavras que não tenha ligação entre si, ou ainda poemas completos. Podem ser encarados como atividade lúdica, tornando-se um jogo muito interessante. Assim, uma das funções pode ser ressaltar as qualidades ou defeitos de alguém.
Pode-se dar evidência às letras em cada verso para evidenciar a quem são dedicados, ou ainda deixá-las sem evidência alguma, para torná-las secretas. Depende da intenção com que se fez o acróstico. Os acrósticos são ainda encontrados na Bília, principalmente nos Salmos, e em alguns poemas com o objetivo de revelar sua autoria.
Podemos dizer que o acróstico parece englobar três funções: 1) uma procura de virtuosidade própria dos poetas palacianos; 2) um carácter lúdico que designa todo um jogo de espírito sutil; 3) um certo gosto pelo secreto.
Exemplo:


Portugal, séc. XV, “meu pensamento”:

Vencido está de amor meu pensamento,
O mais que pode ser vencida a vida,
Sujeita a vos servire instituída,
Oferecendo tudo a vosso intento.
Contente deste bem, louva o momento
Ou hora em que se viu tão bem perdida;
Mil vezes desejando a tal ferida,
Otra vez renovar seu perdimento.
Com esta pretensão está segura
A causa que me guia nesta empresa.
Tão sobrenatural, honrosa e alta,
Jurando não seguir outra ventura,
Votando só para vós rara firmeza,
Ou ser no vosso amor achado em falta.

     Neste caso a frase é Vosso como cativo, mui alta senhora, e constitui um duplo acróstico, composição difícil, na qual a leitura de duas séries de letras separadas forma uma frase significativa. Mas se relermos o repertório das curiosidades poéticas deparamos com o pentacróstico aue repete cinco vezes a mesma palavra, em cinco partes verticais dos versos (v. Tratatus de Executoribus de Silvestre de Morais, Tome II, Lisboa, 1730, p. 11).
    O acróstico dissimula a palavra, que ele dá, escondendo-a; e requer do leitor uma certa esperteza para descobrir a sua subtileza. Relaciona-se com a adivinha e liga-se logicamente com ela pois existem enigmas em verso cujo nome figura em acróstico. Um autor pode assinar com um tipo de assinatura cifrada o seu próprio nome em acróstico.

    Acróstico é quando utilizam as letras de uma palavra para formar outras palavras ou uma frase correspondente. Por exemplo, utiliza-se o nome de uma pessoa para fazer um acróstico com adjetivos que expressem as qualidades dela.

Amiga
Linda
Inteligente
Nobre
Estudiosa

    No acróstico, a letra utilizada pode ser a letra inicial da palavra, como no exemplo acima, ou pode ser a última letra, a do meio, não importa muito a posição. Veja abaixo mais alguns exemplos.
      Não é só com palavras e adjetivos que os acrósticos são feitos. É muito comum também se utilizar de frases mais longas para escrever o acróstico. Fica mais elaborado, bem bonito e especial. A baixo mostramos o exemplo de uma poesia feita no formato de um acróstico pela poetisa paranaense Santher:


Magia
Amor
Encantamento

Exemplo usando a letra final:

DoM
AlmA
LevE


Acrósticos POESIAS
Vejamos o acróstico utilizado pela poetisa paranaense Santher:

Minha Razão de Viver

Felicidade maior que se 
Instalou em minha vida... 
Luz que ilumina e me mostra o 
Horizonte a seguir... Abrigo 
Onde repouso meus 
Sonhos, sem nunca pensar em desistir

 CHICA BRINCA DE POESIA?

 Esta linda poesia foi para nossa amiga Chica, postado por 
http://majoli-rabiscosdaalma.blogspot.com.br/2012/08/chica-brinca-de-poesia.html

Chica brinca de poesia?
Hesita não, faz com maestria
Inova a cada novo dia
Convidando-nos a sonhar
Acalentando nosso caminhar


Busca sempre imagens marcantes
Reflexões que são importantes
Induzindo-nos a renascer
Nos mostrando como é bom viver
Colocando em nossa alma
Algo que nos trás calma


De vez em quando faz estrepolia
E a gente ferra a rir, contagia


Por ser assim tão transparente
Os amigos sempre se fazem presente
Ela consegue prender nossa atenção
Sim, já de antemão, mexe com nossa emoção
Irradiando simpatia
A Chica é pura alegria


 Chica brinca de poesia?
 ♥ ♥ ♥

Odete Ferreira

Poesias na vida do dia-a-dia…
http://portate-mal.blogspot.com.br

P alavras soltas em brisa suave
O ndas de sentidos molhados
E ncantos em lagos espelhados
S entimentos desordenados
I nventados em almas acordadas
A madas palavras fazem poetas



 Acróstico Natureza

Fátima Ferreira
http://publicarteepoesia.blogspot.com.br
Nativos o mundo
Abraça pra cuidar da
Terra e plantar, com 
União a colheita 
Rural só traz lucros em 
Especial pra quem 
Zelar o que Deus criou pra então 
Alimentar e prosperar o seu produtor...


Dina  Fernandes O.Souza
dinapoetisadapaz
https://afetocolorido.blogspot.com.br/

onte que deveria ser de amor,
A nos unir em irmandade de sangue,
M ostrar a força da Unidade fraternal,
I  nteragir e acatar ensinamentos da retidão,
abor em conjunto, primícias de progresso,
I ndo ao encontro da conquista e vitória.
A ssim Deus nosso Pai, preconizou.

 Acróstico (Primavera)

Autora:By esiamari
http://esiamari.blogspot.com.br

                    E chegada a estação 
                    Salutar... muitas flores, futuros frutos, 
                    Tantos ipês que já floriram - um primor.
                    A mais simples árvore floresce,
                    Mostrando sua graça e cor;
                    Os beija-flores fazendo festa
                    Sob o sol e todo seu calor.

                    Neste período lindo do ano
                    A natureza brinda seu esplendor soberano.

                           Pretextos para largos sorrisos
                    Rondam aqui e acolá; vamos
                    Investir num plantio quando a chuva chegar.
                    Mesmo adiando o enlace,
                    As noivas de maio estão 
                    Velejando para cá;
                    Entre sonhos e desejos a realizar,
                    Resplandece o aroma das flores,
                    A beleza das cores em cada olhar.
 Pesquisa e organização da postagem, Profª Lourdes Duarte

Fontes:
https://www.significados.com.br/acrostico/
http://www.infoescola.com/literatura/acrostico/
http://www.fernandodannemann.recantodasletras.com.br
http://muraldosescritores.ning.com
http://www.fcsh.unl.pt/invest/edtl/verbetes/A/acrostico.htm
https://www.estudokids.com.br/o-que-e-um-acrostico/
http://portate-mal.blogspot.com.br/2011/04/acrostico-poesia.html



quinta-feira, 31 de agosto de 2017

O QUE É UMA CRÔNICA E SUAS CARACTERÍSTICAS.



O QUE É UMA CRÔNICA E SUAS CARACTERÍSTICAS.

    A crônica é uma forma textual no estilo de narração que tem por base fatos que acontecem em nosso cotidiano. Por este motivo, é uma leitura agradável, pois o leitor interage com os acontecimentos e por muitas vezes se identifica com as ações tomadas pelas personagens.

Você já deve ter lido algumas crônicas, pois estão presentes em jornais, revistas e livros. Além do mais, é uma leitura que nos envolve, uma vez que utiliza a primeira pessoa e aproxima o autor de quem lê. Como se estivessem em uma conversa informal, o cronista tende a dialogar sobre fatos até mesmo íntimos com o leitor.

O texto é curto e de linguagem simples, o que o torna ainda mais próximo de todo tipo de leitor e de praticamente todas as faixas etárias. A sátira, a ironia, o uso da linguagem coloquial demonstrada na fala das personagens, a exposição dos sentimentos e a reflexão sobre o que se passa estão presentes nas crônicas.



CARACTERÍSTICAS DAS CRÔNICAS

Como exposto acima, há vários motivos que levam os leitores a gostar das crônicas, mas e se você fosse escrever uma, o que seria necessário? Vejamos de forma esquematizada as características da crônica:

•  Narração curta;
• Descreve fatos da vida cotidiana;
• Pode ter caráter humorístico, crítico, satírico e/ou irônico;
• Possui personagens comuns;
• Segue um tempo cronológico determinado;
• Uso da oralidade na escrita e do coloquialismo na fala das personagens;
• Linguagem simples.

Portanto, se você não gosta ou sente dificuldades de ler, a crônica é uma dica interessante, pois possui todos os requisitos necessários para tornar a leitura um hábito agradável!

Alguns cronistas (veteranos e mais recentes) são: Fernando Sabino, Rubem Braga, Luis Fernando Veríssimo, Carlos Heitor Cony, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Ernesto Baggio, Lygia Fagundes Telles, Machado de Assis, Max Gehringer, Moacyr Scliar, Pedro Bial, Arnaldo Jabor, dentre outros.

Escolhas de uma vida
Pedro Bial



A certa altura do filme Crimes e Pecados, o personagem interpretado por Woody Allen diz: "Nós somos a soma das nossas decisões".

Essa frase acomodou-se na minha massa cinzenta e de lá nunca mais saiu. Compartilho do ceticismo de Allen: a gente é o que a gente escolhe ser, o destino pouco tem a ver com isso.

Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção, estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar "minha vida".

Não é tarefa fácil. No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser piloto de avião. Ao optar pela vida de atriz, será quase impossível conciliar com a arquitetura. No amor, a mesma coisa: namora-se um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances. Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades.

As duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com laços...

Escolha: beber até cair ou virar vegetariano e budista? Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas.

Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, ser casados de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana, ter filhos quando se está bem-disposto e não tê-los quando se está cansado. Por isso é tão importante o auto conhecimento. Por isso é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos. Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: Ninguém é o mesmo para sempre.

Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido. A estrada é longa e o tempo é curto.Não deixe de fazer nada que queira, mas tenha responsabilidade e maturidade para arcar com as conseqüências destas ações.

Lembrem-se: suas escolhas têm 50% de chance de darem certo, mas também 50% de chance de darem errado. A escolha é sua...


     Como sabemos, a palavra crônica tem origem grega (chronos) e significa "tempo". O gênero discursivo crônica narrativa pertence à tipologia de texto narrativa e pode ser definido como sendo uma breve história que retrata acontecimentos diversos do nosso cotiano em determinada época e de maneira bem-humorada e inusitada. Trata-se, portanto, de uma narrativa que segue uma ordem cronológica e que relata fatos do cotidiano e outros assuntos relacionados à arte, esporte, ciência, relacionamentos interpessoais, entre outros.
De maneira geral, encontramos as crônicas narrativas em suportes de circulação como jornais, revistas e livros (coletâneas de crônicas). Os cronistas, assim chamados os escritores de crônicas, relatam os acontecimentos sociais a partir de sua visão crítica sobre os fatos. Em grande parte das crônicas narrativas, é possível encontrar muitas sequências de discurso direto (diálogo).
Leia um exemplo de crônica narrativa do escritor brasileiro Luis Fernando Verissimo:

 Crônica narração curta

Pneu furado

   O carro estava encostado no meio-fio, com um pneu furado. De pé ao lado do carro, olhando desconsoladamente para o pneu, uma moça muito bonitinha. Tão bonitinha que atrás parou outro carro e dele desceu um homem dizendo "Pode deixar". Ele trocaria o pneu.
– Você tem macaco? - perguntou o homem.
– Não - respondeu a moça.
– Tudo bem, eu tenho - disse o homem - Você tem estepe?
– Não - disse a moça.
– Vamos usar o meu - disse o homem. E pôs-se a trabalhar, trocando o pneu, sob o olhar da moça. Terminou no momento em que chegava o ônibus que a moça estava esperando. Ele ficou ali, suando, de boca aberta, vendo o ônibus se afastar. Dali a pouco chegou o dono do carro.
– Puxa, você trocou o pneu pra mim. Muito obrigado.
– É. Eu... Eu não posso ver pneu furado. Tenho que trocar.
– Coisa estranha.
– É uma compulsão. Sei lá.

Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola


 Crônica que descreve fatos da vida cotidiana

OS MORADORES DE Rua
Autora: Tais Luso de Carvalho
https://taisluso.blogspot.com.br/2010/05/os-moradores-de-rua.html


     Estes desprovidos de sorte, filhos de uma vida desgraçada, passam o dia caminhando, comendo as sobras e o podre dos outros. É dureza caminhar tanto, suplicar tanto para no fim do dia conseguirem comer lixo. E os responsáveis por isso, por este lindo quadro patriótico, passam sem olhar. Não interessa olhar para desgraça. Todos querem ver uma cidade bonita, limpa, arborizada e florida; quanto mais florida, melhor! Esconde o horror.

O que mais se vê pelas esquinas dos países em desenvolvimento, é gente dormindo pelos cantos, enfiados em buracos ou em caixas de papelão, num canto debaixo de qualquer coisa que se pareça com teto. Vivem como ratos; mas são os moradores de rua: um dia aqui, outro ali... Caminham e procuram por um canto até terem a certeza do sossego. E contam com a sorte de não serem importunados por gente sem piedade.

E nós, os mais sortudos, damos de cara com este mundo cão, um mundo que saltou da condição de pobreza, para a indigência, porém, muitas vezes ainda botamos banca, achando que ver isso é desagradável. Desagradável é pouco: é desumano tanto descaso. Mas a solução não está em nossas mãos: o brasileiro trabalha meio ano para pagar imposto e o que vemos é isto. De nada adianta a população sair a distribuir uns trocados; isto nós fazemos. E não soluciona, nem minimiza o problema.

 Pelas ruas, mãos humilhadas se estendem; nos tocam e suplicam. Já conhecem o que é desprezo, o que é fome, o que é sede, o que é martírio. Conhecem um lado da vida que nós não conhecemos. Banheiros e chuveiros não existem para os moradores de rua. E como é que fica? Algum político já deu alguma solução? Não: lugar de fazer as necessidades fisiológicas fica a quilômetros, subindo os morros, na mata. E olha lá.

Então vem a pergunta que não cala: por que esta gente não arruma um emprego? Por que ficam pedindo, ao invés de trabalharem?
Ora... como resolver este problema se esta gente é solitária, doente, desamparada, sem escolaridade... Não há interesse político voltado para todos eles; não temos uma ação social eficaz. E outras pragas mais. O dinheiro é para outros fins.

Dá pra entender que somos um país em dificuldades; só não deu pra entender, ainda, que um país continental como o nosso, com tanta gente miserável morando nas ruas, com milhões de pessoas passando fome, que ainda se escute que não há verba suficiente para matar a fome do povo e lhes proporcionar um teto.

PORÉM...

Para meu espanto, de uma hora pra outra surgem milhões de nossas reservas para mandar pra fora do país... Fazendo bonito com o sacrifício de nossa população indigente, que come capim e faz sopa de papelão e jornal. Sei que é um enorme problema social, mas seguindo meu bom senso, teríamos de resolver, primeiro, o problema da nossa gente: dar comida e teto para o Brasil. Mas não é bem assim: existem as negociações! E, enquanto os homi ficam trocando figurinhas, nossa gente que espere, que continue a comer lixo.


Crônicas com caráter humorístico, crítico, satírico e/ou irônico
Tudo vai melhorar! Cronicas Pequenas e Engraçadas

Numa feira de agropecuária, um fazendeiro do Mato Grosso do Sul encontrou-se com um Fazendeiro do estado do Tocantins:
O Fazendeiro do Mato Grosso do Sul perguntou:
- Cumpadre! Se o senhor não se importa deu perguntar, Qual é o tamanho da sua fazenda?
O Fazendeiro do Tocantins respondeu:
- Oía cumpadre! Acho que deve di dar aí uns quatrocentos hectare é piquinina! E a sua?
Como o fazendeiro do Mato Grosso do Sul era daquele tipo meio arrogante e cheio de mania de grandeza ele foi logo esnobando o outro fazendeiro dizendo:
- Cumpadre! O senhor sabe que eu nunca me interessei de contá eu só sei que eu saio de manhã bem cedinho e quando é meio dia eu ainda nem cheguei na metade da propriedade. Respondeu o fazendeiro do Mato Grosso.
O fazendeiro do Tocantins, comovido, deu uns tapinhas nas costas do fazendeiro do Mato Grosso e disse:
- Eu sei cumpadre!...Eu sei! No começo eu também andava de carroça...Squenta não!...Guenta firme cumpadre! Tenho certeza que tudo vai melhorar!

Edilson Rodrigues Silva

Táxi



táxi
Dois amigos, que como bons portugas se chamavam Joaquim e Manuel, resolveram comprar um táxi em sociedade. Depois de rodarem dia e noite pela cidade, durante um ano, sem pegar um único passageiro, decidiram desfazer o negócio, inconformados com o prejuízo. Fazem as contas e dividiram as perdas. Mas foi só o Joaquim descer do táxi que, já no primeiro quarteirão, o Manuel conseguiu o seu primeiro passageiro... 

Depois de deixar a sociedade no táxi, o Joaquim, se achando um azarado, estava meio deprimido. Como ele era muito tímido, comprou um carro para ver se arrumava alguma namorada.

Alguns dias depois conseguiu convencer uma bela morena a ir até a praia. Pensou consigo mesmo, "esta eu pego!” 

No dia combinado, botaram o carro na estrada. Depois de rodar cinqüenta quilômetros, Joaquim ganhou coragem e colocou uma mão no joelho da moça. Percebendo as intenções dele, pra facilitar, ela falou:

-Se quiser, pode ir mais adiante.

A animação bateu no coração do Joaquim, ele tirou a mão do joelho da garota, agarrou o volante, pisou fundo no acelerador e...
.
.
... dirigiu por mais 100 Km!


Crônica Literária



A crônica literária, assim como o folhetim, tem suas origens na prosa francesa do século XIX. Filhos do jornal, tais gêneros surgem na época em que os veículos de comunicação se tornaram massificados, com tiragens relativamente grandes e conteúdo acessível ao público inculto. A partir daí, tanto o folhetim quanto a crônica passaram a ter seu lugar garantido em praticamente todos os jornais. Todavia, enquanto o primeiro se constitui num espaço reservado às narrativas ficcionais, a crônica, em regra, é um texto com linguagem um pouco mais próxima à das reportagens, que registra e comenta a vida cotidiana da cidade, do país, ou do mundo. De acordo com a crítica Leyla Perrone-Moisés:

Crônica de feição moderna, [...] publicada em jornal ou revista e muitas vezes reunida em volume, concentra-se num acontecimento diário que tenha chamado a atenção do escritor, e semelha, à primeira vista, não apresentar caráter próprio ou limites muito precisos. Na verdade, classifica-se como expressão literária híbrida, ou múltipla, de vez que pode assumir a forma de alegoria, necrológio, entrevista, invectiva, apelo, resenha, confissão, monólogo, diálogo, em torno de personagens reais e/ou imaginárias etc. [...] implicando sempre a visão pessoal, subjetiva, ante um fato qualquer do cotidiano, a crônica estimula a veia poética do prosador; ou dá margem a que este revele seus dotes de contador de histórias.
O escritor Affonso Romano de Sant’Anna também aponta essa característica dúplice da crônica:
É um gênero intermediário entre o jornalismo e a literatura. Como texto para jornal é aquele no qual é admitido alto grau de subjetividade. Os demais jornalistas têm que ser mais objetivos. O cronista vai ao Oriente pelo Ocidente, ou vice-versa. É também um gênero disseminador. O recorte da crônica ganha um significado especial. O leitor se apodera do texto, guarda-o na carteira, na agenda, o reproduz e o repassa como um talismã criando uma espécie de corrente. Por isto, já pensei que entre o jornal e o livro, talvez fosse necessário servir as crônicas separadamente ao leitor, e num papel mais resistente, numa caixa ou pasta onde ele escolhesse as que quisesse.
Assim, por seu estilo diferenciado e, de certa forma, liberto de exigências como objetividade, imparcialidade, urgência ou furo, a crônica se apresenta como espaço privilegiado para a defesa de opiniões que fogem ao senso comum presente na abordagem das notícias. O cronista observa o mundo e o apresenta aos leitores segundo sua interpretação, assumindo o papel do intelectual conectado com os conflitos de seu tempo. A liberdade com relação às regras que direcionam a prática jornalística concede ao cronista maior autonomia para divulgar visões alternativas a respeito de temas da atualidade e, não raro, suscitar perplexidades.
Os textos do gênero são marcados, principalmente, pelos comentários pessoais e o olhar subjetivo. Nesse sentido, a crônica funciona como um elemento de perturbação da objetividade, ampliando as possibilidades de leitura do jornal. Se os fatos e o tempo são a matéria-prima da notícia, é também com fatos e com atualidade que a crônica joga. Só que ela os explora para ultrapassá-los.
Na maioria das vezes, a crônica é desenvolvida com o tom de uma conversa leve e acessível. O texto costuma ser curto e de linguagem acessível, tornando-o mais próximo dos leitores de todas as faixas etárias. Os leitores, quando se identificam com as opiniões manifestadas pelo autor, terminam por considerá-lo como uma espécie de “amigo” mais culto, que elegem como porta-voz de suas ideias.
Com a chegada do novo modelo de jornalismo, muitos dos profissionais de imprensa que estavam acostumados aos antigos padrões optaram por se fixar na crônica, espaço onde podiam exercer à vontade o papel de polemistas, lançando mão de recursos como a sátira, a ironia, a exposição dos sentimentos e a reflexão sobre temas presentes no cotidiano. O intercruzamento de temas e gêneros distintos também é um aspecto que pode ser observado com recorrência.
Entre os maiores cronistas da história do jornalismo brasileiro, destacam-se Machado de Assis, Lima Barreto, João do Rio, Cecília Meireles, Rubem Braga, Nelson Rodrigues, Paulo Mendes Campos, Clarice Lispector, Fernando Sabino, Carlos Drummond de Andrade e Vinícius de Moraes, entre outros.

Exemplo:


Josefino – O Primeiro Imperador da Terra de Cego - Juliano Martins.

  Em Terra de Cego quem tem um olho é o Josefino, filho do seu Aderbal, que mora lá no final da Vila Real
Desde criança, Josefino era a pessoa mais famosa e requisitada na Terra de Cego. Sendo o único habitante que tinha um olho, não havia uma só alma viva que não o procurasse em um momento ou outro da vida.
Em Terra de Cego, as festas eram rotina. Nestas ocasiões, as pessoas se produziam. Vestiam suas melhores roupas, caprichavam no penteado e maquiagem. Depois, corriam até o Josefino para perguntar o que ele achava. Isso para não falar nas inúmeras vezes em que o pequenino Josefino foi arrastado até as lojas e determinava se as roupas “caíam” bem nos clientes. Se ele dizia não, o vendedor tratava de tatear e trazer outra opção. O cliente só comprava as roupas quando Josefino dava seu ok.
Com o tempo, inteligência mais aguçada ao fincar os pés na adolescência, Josefino percebeu que podia tirar algum lucro com a habilidade. Começou a cobrar pela consultoria. Não dava uma única opinião se não lhe pagassem: seja em espécie ou favores. Acompanhava as pessoas em suas compras, sugeria decoração, opinava na construção de casas, armazéns e palácios. E foi assim que sua riqueza começou a crescer vertiginosamente, dia após dia, ano após ano.
Com a demanda sempre crescente, passou a cobrar exorbitâncias. Somente os homens e as mulheres mais ricos podiam lhe pagar. Em certo momento, os nobres passaram a lhe trazer pretendentes apaixonados para ver se eram belos o suficiente para lhes permitir casar com suas filhas. Se Josefino não elogiava a beleza do pretendente, lá se ia um rapaz aos prantos, desiludido e solitário.
Com a riqueza e poder extraordinários, Josefino construiu um castelo. Montou uma gigantesca guarda com mais de mil guerreiros. Passou a erigir monumentos em sua homenagem. E, finalmente, aos 25 anos, proclamou-se rei da Terra de Cego. A partir daí, passou a ser conhecido como Imperador Josefino I.
Certo dia, um viajante com dois olhos chegou a cidade. Ele tinha sido atraído pelas notícias de Josefino, de como tinha construído um império com apenas um olho. Se um olho fora capaz de tornar um homem imperador, dois olhos (deve ter suposto o viajante) tornariam-no em um deus.
No dia que o viajante chegou à cidade, e proclamou ser possuidor de dois olhos, todos foram ao seu encontro. Uma multidão de dezenas, centenas de pessoas. Contrário às suas expectativas, foi agarrado, levado à praça pública e linchado até a morte pelos moradores.
Sua morte foi muito rápida. Provavelmente, nem teve tempo de aprender a valiosa lição: Em terra de cego quem tem um olho é rei. Mas, quem tem dois é uma aberração.

Uso da oralidade na escrita e do coloquialismo na fala das personagens.

     A oralidade e a escrita são duas formas de variação linguística, donde a oralidade é geralmente marcada pela linguagem coloquial (ou informal), enquanto a escrita, em grande parte, está associada à linguagem culta (ou formal).
A Fala, a Leitura e a Escrita.

    Quando falamos com os amigos ou familiares utilizamos a linguagem informal, constituída por marcas da oralidade, seja abreviações, erros de concordância, gírias, expressão menos prestigiadas, prosódias.

   Importante notar que historicamente, a fala precede a escrita, ou seja, a escrita foi criada a partir da comunicação entre os homens bem como da necessidade de registro.
Claro que a linguagem informal não pode ser considerada errada uma vez que os falantes da língua utilizam a informalidade de acordo com determinados contextos.
No entanto, quando estamos conversando com superiores no trabalho, por exemplo, essas marcas são deixadas de lado, para dar lugar a uma linguagem mais cuidada, ou seja, aquela em que não notamos as marcas da oralidade, e que intuitivamente utilizamos em determinados contextos de produção que exigem formalidades.


Crônica- A idade das palavras
Walcyr Carrasco 


     Já cansei de ver gente madura falando gíria para parecer jovem. O trágico é que, em geral, a gíria é velha! Verbos, adjetivos e substantivos possuem maior permanência. Gíria é volátil. Terrível ver uma senhora madura e plastificada dizendo:

– Eu sou prafrentex!

O termo foi usado lá pela década de 60 para dizer que alguém aceitava comportamentos mais ousados, tipo viajar no fim de semana para a praia com um grupo de amigos, o máximo de liberdade imaginável até então. É passado. Assim como as variações para falar de homem bonito. Houve época em que era "pão", lá pelos anos 80 virou "lasanha". Agora se usa gato, se não estou atrasado. Volta e meia noto uma cinqüentona exclamar à passagem de algum atleta:

– Ai, que pão!

Esse é o mal das gírias. Marcam a juventude de cada um. O tempo passa. Fica difícil mudar o modo de falar. Às vezes ainda ouço um "é uma brasa, mora", usado por Roberto Carlos nos tempos do programa Jovem Guarda, início dos 60. Lembro do sucesso de "boko moko", criado por uma marca de refrigerante para identificar quem era cafona e não tomava a tal bebida. Caiu na boca do povo. Cafona vale? Ou devo dizer "out", como na década de 90?

As palavras expressam sua época. Certa vez estava escrevendo uma novela passada nos anos 20 e coloquei a expressão "vou tirar você do meu caderninho". Meu pesquisador me orientou:

– Naquele tempo poucas pessoas tinham telefone em casa. Não se falava assim.

O tal "caderninho" correspondia à agenda telefônica. Só passou a ser comum quando o aparelho se tornou mais popular.

Para escrever outra novela de época, passada no século XVIII, eu recorria ao raciocínio puro e simples para definir o modo de falar. Descobri que "comer à tripa forra" tinha a ver com o período da escravidão. O negro liberto era "forro". Deduzi que significava comer à vontade.

Outro dia, vendo uma reportagem de televisão, observei uma família simples com o telefone de teclas. Todo mundo tem. Até algum tempo atrás se discava o telefone. Hoje se tecla um número.

Reconheço. Tenho saudade de certos termos. Lembro de meu irmão mais velho dizendo "que carro jóia!". E "olha o broto!". Ou dos amigos nos anos 70, quando fiz faculdade. Freqüente era ouvir "tou numas com ela", equivalente, guardadas algumas proporções, ao "ficar" de hoje em dia.

Que adolescente aceitaria hoje ir a um "mingau dançante"? Vão para a balada, para a "night". Aliás, a maioria foge de mingau e de qualquer delícia que engorde!

Muita gente odeia gíria. Alguns a consideram um dialeto capaz de estraçalhar a língua. Esquecem-se de que, no seu tempo, também a usavam. Não é fácil acompanhar sua evolução. Outro dia ouvi:

– Eu deletei aquele sujeito da minha vida.

É a versão mais atual para "tirei do meu caderninho". No computador, deletar é eliminar. Apagar. Também se fala tranquilamente:

– Eu estava casado, mas não estou mais.

Não tem nada a ver com casamento formal, necessariamente. Significa que o rapaz em questão viveu um relacionamento forte. Possivelmente, nem moravam sob o mesmo teto.

Eu me confundo: não sei se ainda se fala "hype" para indicar algo que no passado foi "in". Ou que alguém é "fashion", para dizer que está "nos trinques" como nos anos 80. Falar com um jeito antigo é pior do que botar calça boca-de-sino, ícone dos anos 60.

Não há corte de cabelo, Botox ou plástica que resista. Gíria velha denuncia a idade mais do que um festival de rugas!




Crônica com sentido carta

 Desistindo de Natal
  Moacyr Scliar


 Segundo pesquisa do instituto Ipsos, encomendada pela Associação Comercial de São Paulo, 32% dos consumidores não pretendem fazer compras neste Natal. Folha Dinheiro, 9 de dezembro de 2005

"Prezado Papai Noel: há uma semana eu lhe mandei uma carta com a lista dos meus pedidos para o Natal. Agora estou mandando esta outra carta para dizer que mudei de ideia. Não vou querer nada. Ontem o papai nos avisou que não tem dinheiro para as compras do fim de ano. Papai está desempregado há mais de um ano. A gente mora numa cidade pequena do interior, muito pobre. No Natal passado, o prefeito anunciou que tinha um presente para a população: uma grande fábrica viria se instalar aqui, dando emprego para muitas pessoas. Meu pai ficou animado. Ele é um homem trabalhador, sabe fazer muitas coisas e achou que com isso o nosso problema estaria resolvido. Agora, porém, o prefeito teve de dizer que a fábrica não vem mais. Não entendo dessas coisas, mas parece que a situação está difícil.

Portanto, Papai Noel, peço-lhe desculpas se o senhor já encomendou as coisas, mas infelizmente vou ter de desistir. Para começar, não quero aquela bonita árvore de Natal de que lhe falei -até mandei um desenho, lembra? Nada de pinheirinho, nada de luzinhas, nada de bolinhas coloridas. A verdade, Papai Noel, é que essas coisas só gastam espaço e, como disse a mamãe, gastam muita luz.

E nada de ceia de Natal, Papai Noel. Nada de peru. Como eu lhe disse, nunca comi peru na minha vida, mas acho que não vai me fazer falta. Se tivesse peru, eu comeria tanto que decerto passaria mal. Portanto, nada de peru. Aliás, se a gente tiver comida na mesa, já será uma grande coisa.

Nada de presentes, Papai Noel. Não quero mais aquela bicicleta com a qual sonho há tanto tempo. Bicicletas custam caro. E além disso é uma coisa perigosa. O cara pode cair, pode ser atropelado por um carro... Nada de bicicleta.

Nada de DVD, Papai Noel. Afinal, a gente já tem uma TV (verdade que de momento ela está estragada e não temos dinheiro para mandar consertar), mas DVD não é coisa tão urgente assim.

Também quero desistir da roupa nova que lhe pedi e dos sapatos. A minha roupa velha ainda está muito boa, e a mamãe vai fazer os remendos nos rasgões. E sapato sempre pode dar problema: às vezes ficam apertados, às vezes caem do pé... Prefiro continuar com meus tênis e o meu chinelo de dedo.

Ou seja: nada de Natal, Papai Noel. Para mim, nada de Natal. Agora, se o senhor for mesmo bonzinho e quiser nos dar algum presente, arranje um emprego para o meu pai. Ele ficará muito grato e nós também. Desejo ao senhor um Feliz Natal e um próspero Ano Novo."

Crônica Simples

    À medida que o tempo foi se esvaindo, a crônica foi se redimensionando a partir de suas distintas finalidades. Passando a ser cultivada em solo brasileiro a partir da segunda metade do século XIX, caracterizada como uma espécie de artigo no qual se discutia sobre assuntos políticos, sociais, artísticos, bem como retratava aspectos inerentes à vida de personagens importantes da sociedade carioca.

Situando-a no contexto vigente, percebemos uma nítida mudança quanto ao foco, haja vista que a crônica hoje oscila entre o jornalismo e a literatura. Tal qual o jornalista que mediante a observação dos fatos ligados ao cotidiano social revela-os de forma verídica e objetiva, o cronista, sob uma perspectiva individual e subjetiva - daí o perfil literário, analisa os fatos de forma singular, dando-lhes uma nova “roupagem”.

Assim sendo, podemos constatar que se atenua uma divergência entre tal dualidade, ou seja, enquanto que o repórter narra os acontecimentos de forma imparcial, o cronista se apoia nestes, no intento de expor ao leitor sua maneira pessoal de como compreendê-los, na qual emoção e subjetividade se fundem a todo o momento.

Mediante a referida intenção, ao desenvolver seu estilo próprio, o autor seleciona criteriosamente as palavras utilizadas em seu texto, materializadas por meio de uma linguagem simples e espontânea com vistas a promover uma efetiva interação entre os interlocutores.

Tornando práticos os nossos conhecimentos adquiridos sobre o gênero ora em discussão, analisemos, pois, uma crônica intitulada – O padeiro, de Rubem Braga:


Crônica - O padeiro

 Carlos Drummond de Andrade

     Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento - mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a "greve do pão dormido". De resto não é bem uma greve, é um lock-out, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo.

    Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:

- Não é ninguém, é o padeiro!

Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?

"Então você não é ninguém?"

Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: "não é ninguém, não senhora, é o padeiro". Assim ficara sabendo que não era ninguém...

Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para explicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação de jornal, quase sempre depois de uma passagem pela oficina - e muitas vezes saía já levando na mão um dos primeiros exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno.

Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque no jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou artigo com o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; "não é ninguém, é o padeiro!"
E assobiava pelas escadas.

Pesquisa e organização da postagem: 

Profª Lourdes Duarte
e Elza Interaminense.


Fontes:
http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/redacao/cronica-narrativa.htm
http://humordeadolescetekkk.blogspot.com.br
http://corrosiva.com.br/cronicas/josefino-primeiro-imperador-terra-cego/
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=55308
http://brasilescola.uol.com.br/redacao/cronica.htm
http://portugues.uol.com.br/literatura/a-cronica-.html
http://vejasp.abril.com.br/revista/...
https://taisluso.blogspot.com.br/2010/05/os-moradores-de-rua.html