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quinta-feira, 24 de agosto de 2017

O QUE É UMA POESIA, UM POEMA E UM SONETO?



O QUE É UMA POESIA, UM POEMA E UM SONETO?

O que é Poesia?

    Parece uma pergunta fácil de ser respondida, tamanha sua ingenuidade. Como delimitar algo que não tem limites? Como categorizar a poesia, quando essa ganha diferentes sentidos, atingindo uma subjetividade que dificilmente poderá ser dimensionada? Responder a esse questionamento não é tarefa fácil nem mesmo para os mais hábeis artistas e poetas, que vivem rodeados pela linguagem poética e os múltiplos significados que dela podem emergir.
      Poesia é um gênero literário caracterizado pela composição em versos estruturados de forma harmoniosa. É uma manifestação de beleza e estética retratada pelo poeta em forma de palavras.
No sentido figurado, poesia é tudo aquilo que comove, que sensibiliza e desperta sentimentos. É qualquer forma de arte que inspira e encanta, que é sublime e bela.
Existem determinados elementos formais que caracterizam um texto poético - como por exemplo, o ritmo, os versos e as estrofes - e que definem a métrica de uma poesia.
    A poesia é a tradução em palavras do universo desconhecido das emoções, é uma esfera pouco compreendida, que tenta muitas vezes transmitir significados nas entrelinhas dos versos. Este edifício constituído pela magia das palavras revestidas de sonoridades, estruturas rítmicas e visuais, por significações latentes, desvela a alma humana, dá espaço para que ela expresse suas inquietações e anseios interiores.


O QUE É UM POEMA?

 O poema: Elemento pertencente ao gênero lírico, o poema é um gênero textual que apresenta características que permitem identificá-lo entre os demais gêneros: é um texto composto em versos e estrofes, em uma oposição aos textos compostos em prosa (textos escritos em parágrafos, ou seja, em linhas longas). Um bom poema geralmente está carregado de poesia, mas há também poemas que recusam qualquer lirismo. São recursos muito empregados no poema a musicalidade, a repetição e a linguagem metafórica, essa última responsável por conferir ao texto maior subjetividade.



Memória
Carlos Drummond de Andrade

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
A métrica de um poema

    Os poemas pulsam e vibram com uma vitalidade específica, comunicando ao leitor a própria essência da linguagem. Neles as palavras se combinam compondo sintaxes, ou seja, um quebra-cabeça onde cada peça se encaixa perfeitamente, mas sempre pode ser combinada de outra forma, criando e recriando novas possibilidades.
     A métrica de um poema consiste na utilização de recursos literários específicos que distinguem o estilo de um poeta.
    Os versos livres não seguem nenhuma métrica. O autor tem liberdade para definir o seu próprio ritmo e criar as suas próprias normas. Esse tipo de poesia é também designado por poesia moderna, na qual se destacam elementos do modernismo.

    A poesia em prosa também dá autonomia ao autor para compor um texto poético não constituído por versos (desde que haja harmonia, ritmo e a componente emotiva inspirada pela poesia).
    Ao longo dos séculos, a poesia tem sido usada como forma de expressar os mais variados sentimentos, como o amor, amizade, tristeza, saudade, etc. Alguns dos poetas mais famosos da língua portuguesa são: Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade, Luís de Camões, Vinicius de Moraes entre outros.



O QUE É UM  SONETO?


O soneto: Considerada a mais longeva forma fixa de poema, o soneto tem origem na Itália, documentado pela primeira vez na obra do poeta Giacomo da Lentini, na primeira metade do século III. O soneto segue um molde literário rígido: é composto por quatro estrofes, sendo as duas primeiras quartetos (estrofes formadas por quatro versos) e as duas últimas tercetos (estrofes formadas por três versos). É importante observar também que todos os versos são decassílabos, isto é, todos possuem dez sílabas poéticas. No Brasil, Olavo Bilac, principal nome do parnasianismo, e Vinícius de Moraes, um dos principais representantes da poesia modernista da segunda fase, escreveram dois dos mais famosos sonetos de nossa literatura:



Ouvir estrelas
Olavo Bilac

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,



Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...



E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,



Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.



Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"



E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."




Os Poetas

    Os poetas criam com a matéria-prima da imaginação, extraindo de si todas as probabilidades latentes, mas ele não se atém apenas à criatividade diante da página em branco; ele explora todos os mecanismos disponíveis, recorrendo à riqueza da linguagem, ao universo gramatical, a todas as faces oferecidas pelas palavras, que são arduamente lapidadas, como uma pedra bruta antes de se transformar em diamante. Sem disposição para este trabalho exaustivo, o escritor não logrará sucesso.
   O processo de criação de um poema leva em conta as sonoridades, pulsações e ritmos que o poeta deseja alcançar, a imagética que ele pretende reproduzir, as significações que devem ser elaboradas. É como selecionar os mais aproveitáveis entre inúmeros grãos que serão escolhidos pelo chefe de cozinha e, posteriormente, depurados e consumidos. Dependendo do momento em que a poesia é gerada, seu autor pode estar em êxtase, optando inconscientemente por esta ou aquela frase, ou totalmente consciente de suas escolhas.
    O bom poema é inesgotável, oferece sempre ao leitor novas leituras, diferentes pontos de vista, sentidos os mais diversos, bem como várias sonoridades e imagens. Os versos podem ser mínimos, sugerindo amplas significações, muito próprios da estética do Modernismo, ou longos e extensos. Portanto, alguns primarão por algo sintético, mais condensado; outros, pela verborragia.
   Os versos se apresentam sempre inseridos em grupos conhecidos como estrofes. Estas podem ser compostas pela mesma métrica de sílabas poéticas – as homogêneas - ou apresentar medidas distintas – as heterogêneas. Alguns poemas revelam uma divisão silábica mais formal e rigorosa, quase matemática, perfeitamente rimada, como os clássicos.
Já os modernistas optam por uma informalidade maior, adotando os versos livres ou brancos. É importante ter em mente que as sílabas poéticas não coincidem necessariamente com as gramaticais, pois o que vale aqui é o som, não o estilo gráfico da poesia.
A liberdade dos versos elaborados pelos modernistas não rouba do poema sua sonoridade, a estrutura rítmica, pulsações e tons que podem ser percebidos claramente ao se interpretar em voz alta a poesia em questão. Também não se pode dispensar dos autores modernistas o quesito técnica, pois suas obras foram elaboradas tão arduamente quanto as produzidas no período clássico.


Sobre as origens da poesia:

    A poesia como uma forma de arte é anterior à escrita. Os primeiros poemas, datados de antes de Cristo, apenas foram compostos em forma poética para que sua memorização fosse facilitada, assim como sua preservação, visto que a transmissão oral nem sempre o fazia de maneira eficiente. A poesia está entre os primeiros registros de grande parte das culturas letradas, o que comprova que desde sempre o homem se interessa pela linguagem voltada para fins estéticos. É na poesia que a palavra desvincula-se de seus significados habituais e alcança diferentes acepções, em um jogo inusitado entre significante e significado, apresentando elementos que subvertem as funções da linguagem e a ela conferem aspectos metafísicos que transcendem o universo das coisas palpáveis (ou explicáveis).


A poesia e o gênero textual poema:

     A poesia comumente é vinculada ao poema, contudo, essa relação não é exclusiva, tampouco indissociável. A poesia pode estar em todas as coisas, até mesmo nos mais corriqueiros dos gestos, nas mais despretensiosas atitudes. A poesia reside também nas diferentes manifestações artísticas, e não apenas na literatura: há poesia nas artes plásticas, na fotografia, na música, no teatro e em tudo aquilo onde se deposita a vontade de provocar no leitor ou no espectador uma experiência sensorial. Percebê-la é uma questão íntima e individual, pois o que soa poético para mim pode não representar nada para o outro. A poesia só existe quando é plenamente compreendida.
Embora a maioria dos dicionários defina a poesia como uma composição poética pouco extensa composta por versos, é equivocado limitar a poesia ao gênero literário poema. A poesia é comunicação, efetuada por meio de palavras ou não, geralmente permeada por conteúdos psíquicos, sejam eles de ordem afetiva, sensorial ou conceitual, sempre repletos de sensorialidade ou sentimentalidade.
A poesia é algo intrigante. Tão antiga quanto à sua existência, são as dúvidas sobre a sua própria gênese.
Portanto, quem melhor do que os próprios poetas para definir poesia? Talvez não sejam explicações lógicas nem exatas sobre elas. Porém, são sentimentos, inquietudes e até misteriosas afirmações sobre um gênero de escrita que fascina o homem desde muito tempo.



DEFINIÇÕES 

"A poesia é o amor realizado do desejo que permanece como desejo".
 Carlos Drummond de Andrade

Ao Amor Antigo
Carlos Drummond de Andrade


O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.


O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.


Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
a antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.


Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.




"Poesia para mim é vida, sonhos e amor. Escrevo pelo prazer
 de contradizer e pela felicidade estar só contra todos". Cecília Meireles

Meu Sonho
 (Cecília Meireles)

Parei as águas do meu sonho
para teu rosto se mirar.
Mas só a sombra dos meus olhos
ficou por cima, a procurar…
Os pássaros da madrugada
não têm coragem de cantar,
vendo o meu sonho interminável
e a esperança do meu olhar.
Procurei-te em vão pela terra,
perto do céu, por sobre o mar.
Se não chegas nem pelo sonho,
por que insisto em te imaginar ?
Quando vierem fechar meus olhos,
talvez não se deixem fechar.
Talvez pensem que o tempo volta,
e que vens, se o tempo voltar.



"A poesia é a união de duas palavras que ninguém poderia supor que se juntariam, e que formam algo como um mistério". Pablo Neruda


Gosto quando te calas
Pablo Neruda


Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.


Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.


Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.


Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longínquo e singelo.


Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.





"A poesia é um acontecimento humano e você pode encontrá-la em qualquer parte, a qualquer hora, surpreendentemente".Vinicius de Moraes



Soneto de Fidelidade
Vinicius de Moraes


De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.


Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.


E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama.


Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.




"A poesia é o amor realizado do desejo que permanece como desejo". Mario Quintana


Os Poemas
Mario Quintana


Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.

Quando fechas o livro, eles alçam voo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…


Se você conseguiu perceber toda beleza e lirismo presente nas pinturas, nas cantigas folclóricas e no poema de Mario Quintana, parabéns, você é capaz de sentir a poesia. Lembre-se de que a poesia só existe quando é plenamente compreendida. Para compreendê-la, é preciso um bocado 
de sensibilidade!




Fontes:
http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/literatura/o-que-poesia.htm
http://www.infoescola.com/literatura/poesia/
Amaral, Emília; Severino, Antônio; Patrocínio, Mauro Ferreira do. Novo Manual Nova Cultural. Nova Cultural e Círculo do Livro, São Paulo, 1996.
http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/literatura/o-que-poesia.htm
http://escolakids.uol.com.br/o-que-e-poesia.htm


Pesquisa e organização da postagem, Profª Lourdes Duarte





LÁGRIMAS E GOTAS DE ORVALHO
( Autora: Profª Lourdes Duarte)


Lágrimas de saudade rolam em meu rosto
Como gotas de orvalho que salpicam o chão
São lágrimas que extravasam mágoas
Em ver que toda minha vida passou em vão.


Quem dera não fossem lágrimas de tristeza
Mas carinho como gotinhas douradas de estrelas
Que se misturassem com a sensação de bem estar
Salpicando meu coração de pura beleza.


Vejo toda minha vida passar sobre meus olhos
Com o pensamento envolto em meus medos
Observo as gotas de orvalho depois de uma noite fria
Equilibrando-se entra as folhagens de uma roseira.


Como se me mostrassem como sobreviver
Depois da temporada fria
As gotas de orvalho misturam-se as minhas lágrimas
Dando-me exemplo como jamais alguém me deu.


Observando aquelas gotinhas
Com vida que dura até o sol nascer
Descubro que para ser feliz
Devo usar a dor para lapidar o prazer
E compreender que para ser feliz
Não é preciso ter uma vida perfeita.




terça-feira, 22 de agosto de 2017

CONHEÇA UM POUCO SOBRE A LITERATURA DE CORDEL

Literatura de Cordel





Meu sertão
Paulo Gondim



Meu sertão quando tá seco
É triste de fazer dó
Seca água nos açudes
A pastagem vira pó
Morre o gado no curral
E o galo no quintal
Não canta, pois ficou só


Chega a noite, o sertanejo
Olha o céu e desvanece
A nuvem escura sumiu
A barra desaparece
Vai dormir desconsolado
Acorda desanimado
E a tristeza permanece


Mas o nordestino é forte
Não se cansa de esperar
Mas um dia a sorte muda
É preciso confiar
Olha pro céu novamente
Sonha ver alegremente
A chuva logo chegar


E quando a chuva aparece
Até o pó vira lama
O Galo volta a cantar
O gado come na rama
Tendo chuva, tem fartura
Arroz, feijão e mistura
Toda noite amor na cama


E com chuva no Sertão
A natureza floresce
O sertanejo se alegra
E da mulher não se esquece
Não liga mais pra fraqueza
Nove meses, com certeza,
Menino novo aparece



   A Literatura de Cordel é uma manifestação literária da cultura popular brasileira.
Ela típica do nordeste do país, sendo muito notória nos estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Pará, Rio Grande do Norte e Ceará.



Origem


    O termo “Cordel” é de herança portuguesa. Essa manifestação artística foi introduzida por eles no país em fins do século XVIII.
Na Europa, ela começou a aparecer no século XII em outros países, tais quais França, Espanha, Itália, popularizando com o Renascimento.

     No Brasil, a literatura de cordel representa uma manifestação tradicional da cultura interiorana do nordeste que adquiriu força no século XIX, sobretudo, entre 1930 e 1960.

    É por meio da oralidade e da presença de elementos da cultura brasileira que ela possui uma importante função social: informar e divertir os leitores.
Em sua origem, muito poetas vendiam seus trabalhos nas feiras das cidades. Todavia, com o passar do tempo e o advento do rádio e da televisão, sua popularidade foi decaindo.

    No Brasil, a literatura de cordel influenciou diversos escritores, por exemplo: João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna, Guimarães Rosa, dentre outros.


Principais Características

Oposta à literatura tradicional (impressa nos livros), a literatura de cordel é uma tradição literária regional.
Sua forma mais habitual de apresentação são os “folhetos”, pequenos livros com capas de xilogravura que ficam pendurados em barbantes ou cordas, e daí surge seu nome.
    A literatura de cordel é considerada um gênero literário geralmente feito em versos. Ele se afasta dos cânones na medida em que incorpora uma linguagem e temas populares.
Além disso, essa manifestação recorre a outros meios de divulgação, e nalguns casos, os próprios autores são os divulgadores de seus poemas.
Em relação à linguagem e o conteúdo, a literatura de cordel tem como principais características:

 Linguagem coloquial (informal)

 Uso de humor, ironia e sarcasmo

Temas diversos: folclore brasileiro, religiosos, profanos, políticos, episódios - históricos, realidade social, etc.

Presença de rimas, métrica e oralidade

Literatura de Cordel e Repente


A literatura de cordel e o repente são duas manifestações populares e culturais distintas. Embora sejam parecidas, essa relação gera muita confusão.

    Os textos são poéticos, rimados e publicados em pequenos livros de papel feitos manualmente pelos próprios autores. Eles são feitos com apenas uma folha dobrada estrategicamente para formar oito páginas, mas alguns podem chegar até 32. A venda também é feita pelos autores, geralmente em feiras nordestinas ou nas ruas, onde são expostos em um fio de barbante.

    Os temas são variados e representam, principalmente, a opinião do autor a respeito de algo na sociedade e no seu cotidiano. A linguagem não é impessoal e muito menos imparcial, são utilizadas várias técnicas de persuasão para convencer o leitor a acreditar nos acontecimentos narrados nos cordéis.

    Os assuntos transitam entre aventuras, mitos, lendas, romances, boatos e histórias cômicas. É muito comum encontrar também cordéis que reproduzem desafios de ícones nordestinos como Lampião, Padre Cícero e Frei Damião. Os temas mais sérios como os religiosos, políticos e sociais também estão muito presentes. Grande parte dos autores aproveita para criticar a realidade e as condições em que vivem, sempre abusando da ironia e do sarcasmo.


    Podemos dizer que o cordel também tem caráter jornalístico, já que os desastres, as inundações, as secas, os cangaceiros, as reviravoltas políticas são retratadas em centenas de títulos por ano. Um bom exemplo disso é o cordel intitulado “A lamentável morte de Getúlio Vargas", que foi feito imediatamente após o cordelista Delarme Monteiro da Silva escutar a notícia do suicido do ex-presidente no rádio. O sucesso foi tanto que ele vendeu 700 mil exemplares em apenas dois dias. Outros assuntos da mídia que tiveram grande repercussão foram "O trágico romance de Doca e Ângela Diniz" e "Carta do Satanás a Roberto Carlos”, este último inspirado na música "Quero que vá tudo pro inferno”, do rei da Jovem Guarda.

    Entre os autores principais estão Leandro Gomes de Barros e João Martins de Atahyde. Leandro foi o pioneiro na publicação, edição e venda dos poemas e lançou o primeiro cordel em 1893. Ele foi o mais famoso e importante cordelista e vendeu mais de um milhão de exemplares do seu livreto “O Cachorro dos Mortos”.

  Já João, foi o que mais produziu, além dos seus inúmeros escritos, ainda comprou os direitos autorais das obras de Leandro quando ele faleceu. Cuíca de Santo Amaro, também foi um importante autor e talvez o mais radical de todos. Fazia denúncias contra corruptos de sua época e era amigo íntimo de Jorge Amado, que o incluiu como personagem em alguns de seus contos, como o famoso “A Morte de Quincas Berro D’água”.

Outra característica marcante da literatura de cordel são as xilogravuras. Esse método de ilustração é primeiramente esculpido em madeira e depois impresso no papel. As capas dos livretos são sempre ilustradas com esses desenhos e, atualmente, muitos xilógrafos nordestinos vendem suas gravuras individualmente.
   Esta manifestação popular já foi muito estigmatizada e sofreu muitos preconceitos pela informalidade de sua estrutura e linguagem. Com o passar dos anos, passou a ser cada vez mais respeitada e hoje é admirada por muitas pessoas em diferentes lugares do país, tendo ganhado, inclusive, uma Academia Brasileira de Literatura de Cordel.

    Juntando poesia, gravura e protestos, a literatura de cordel representa uma das mais interessantes expressões da arte brasileira. Além disso, influenciou renomados escritores brasileiros como Jorge Amado, Guimarães Rosa e José Lins do Rego, mostrando que nem sempre o que é popular é de baixa qualidade.

Fontes: culturanordestina.blogspot.com.br
http://lounge.obviousmag.org/memorias_do_subsolo/2013/01/literatura-de-cordel-a-memoria-do-sertao-em-folhetos-de-papel.html
https://www.todamateria.com.br/literatura-de-cordel/

O QUE É UM SONETO?



O que é um soneto?


O soneto é uma tradicional forma poética do gênero lírico. Com origem na Itália, encontrou na literatura brasileira representantes como Vinícius de Moraes e Olavo Bilac
É um poema composto de catorze versos, divididos em dois quartetos (duas estrofes com quatro versos) e dois tercetos (duas estrofes com três versos).
A sílaba métrica (ou poética) nem sempre corresponde a uma sílaba gramatical. Na divisão (ou contagem) das sílabas poéticas de um verso, considera-se as emissões de voz do verso como um todo. Além disso, conta-se apenas até a última sílaba tônica do verso. Essa contagem é chamada de escansão.

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.


Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento


E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama


Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


O poema que você leu agora certamente está entre os mais conhecidos da literatura brasileira e possivelmente é o soneto mais famoso de nossas letras. Composto por Vinícius de Moraes, poeta que, como poucos, dedicou-se à clássica forma poética, os versos de Soneto de Fidelidade povoam o imaginário do leitor brasileiro por seu lirismo e beleza inigualáveis.
Vinícius foi o maior entre os sonetistas brasileiros, isso é indiscutível. Mas você sabe o que é um soneto? Tipo de poema que apresenta forma fixa, o soneto tem origem na Itália, documentado pela primeira vez na obra de Giacomo da Lentini na primeira metade do século III. Sua estrutura não sofre alteração, sendo composta por quatro estrofes — as duas primeiras são constituídas por quatro versos cada uma, os quartetos, e as duas últimas, de três versos cada uma, os tercetos. Na introdução, podemos identificar a apresentação do tema; posteriormente o desenvolvimento de ideias e, ao final, no último terceto, o sentido ou o significado do soneto.
O soneto possui versos metrificados e rimados e, classicamente, esses versos são decassílabos (com dez sílabas métricas) ou alexandrinos (com doze sílabas métricas).
No século XX, apesar de a literatura moderna ter rompido com os modelos clássicos, alguns poetas cultivaram o soneto, como Guilherme de Almeida, Manuel Bandeira e Vinícius de Moraes.


Observe a estrofe do Soneto do Maior Amor, de Vinícius de Moraes. Todos os versos são decassílabos (com dez sílabas métricas).

Mai/o/r a/mor/ nem/ mai/s es/tra/nho e/xis/te
Que o/ meu/, que/ não/ so/sse/ga a/coi/sa a/ma/da
E/ quan/do a/sen/te a/le/gre/, fi/ca/ tris/te
E/ se a/ vê/ des/con/ten/te/, dá/ ri/sa/da.




O soneto, embora seja uma forma poética clássica do gênero lírico, nunca deixou de receber atenção de poetas em todo o mundo, mesmo quando o Romantismo deu início ao culto ao verso branco, ou seja, versos que possuem métrica, mas não possuem rima. O soneto sobreviveu ao tempo, um caso único na literatura, pois não há nenhum outro molde literário tão longevo quanto ele. Na língua portuguesa, a forma encontrou diversos representantes, entre eles Augusto dos Anjos, Cruz e Sousa, Luís Vaz de Camões, Manuel Maria Du Bocage, Olavo Bilac, o já citado Vinícius de Moraes, Antero de Quental e Florbela Espanca, apenas para mencionar alguns.

A estrutura dos sonetos


Ao falarmos da estrutura dos sonetos, primeiramente devemos nos ater à métrica, que é o primeiro importante ponto estrutural deste gênero lírico. Um soneto é composto por 14 versos e cada um deles deve possuir a mesma métrica, isto é, cada um dos catorze versos deve apresentar o mesmo número de sílabas poéticas.

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Os sonetos podem ser apresentados em três formas de distribuição de versos, a saber:

Soneto petrarquiano ou italiano: possui duas estrofes de quatro versos (denominados quartetos) e duas de três versos (denominados tercetos);

Soneto inglês ou Shakespeariano: esta forma de soneto apresenta três quartetos e um dístico;

Soneto monostrófico: estrutura composta por uma única estrofe de 14 versos.
Além da métrica, outro ponto observável na composição do soneto é a ordem em que os versos apresentam as rimas. Em se tratando de quartetos, podemos encontrar três principais formas de posicionamento das rimas. Confira a seguir:
Rimas entrelaçadas ou opostas – abba – Neste posicionamento, o primeiro verso rima com o quarto, e o segundo com o terceiro;

Rimas alternadas – abab – Neste caso, o primeiro verso rima com o terceiro e o segundo rima com o quarto;
Rimas emparelhadas – aabb – Ocorrem quando o primeiro verso rima com o segundo e o terceiro rima com o quarto.

Os sonetos em língua portuguesa

Os sonetos de Luís de Camões são considerados os melhores da Língua Portuguesa. Além do poeta português, outros sonetistas em Língua Portuguesa que se destacam são os seguintes: Augusto dos Anjos, Olavo Bilac, Vinícius de Moraes, Gregório de Matos Guerra, Florbela Espanca, Cláudio Manuel da Costa e vários outros.

Confira a seguir um famoso soneto de Camões:

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?




*Débora Silva é graduada em Letras (Licenciatura em Língua Portuguesa e suas Literaturas)
https://www.estudopratico.com.br/

Arte Islâmica – Conceito, História e Características CONCEITO

Queridos alunos de Artes, saiba um pouco mais sobre a Arte Islâmica.

Arte Islâmica – Conceito, História e Características

CONCEITO

  A ideia de infinito e a tendência à imaterialidade, reflexos da crença na eternidade, do desprezo pela vida terrena e da vontade de superar os limites do mundo real, nortearam a arte que se desenvolveu em todos os territórios conquistados pelo Islam.  
A arte islâmica abrange a literatura, a música, a dança, o teatro e as artes visuais de uma vasta população do Oriente Médio que adotou o islamismo a partir do século VII, em sentido estrito, a arte dos povos islâmicos inclui apenas as manifestações diretamente surgidas da prática religiosa, é comum, no entanto, que o termo abarque todos os gêneros da arte produzida pelos povos muçulmanos, associada ou não à religião.  

A arte islâmica abrange a literatura, dança, música, teatro e artes visuais da população do Oriente Médio que adotou o islamismo a partir do século VII.
Ela não significa somente uma manifestação que tem por objetivo render culto a fé, pois apresenta grandes características artísticas de um povo que dominou uma grande parte do mundo durante muito tempo.

HISTÓRIA

Maomé deu origem ao Islamismo, religião monoteísta, depois de uma suposta revelação divina. Foi a partir do século VII que esta religião espalhou-se pela Arábia e por diversos paises da Europa e Ásia.
Seu crescimento é considerado uma dos mais rápidos progressos já registrados na História. Sua base vem das heranças mediterrâneas gregas e romanas mescladas com outros povos.


CARACTERÍSTICAS

Apesar dos muçulmanos terem se inspirado em vários traços artísticos dos povos conquistados, eles conseguiram adaptar seu modo de pensar e agir, conseguindo transmitir sua própria identidade em uma arte rica e variada.
A produção artística islâmica é marcada de idéias religiosas, imateriais (usando conceitos de eternidade e infinito) e concepções do Profeta.
Suas artes visuais constituem-se de elementos geométricos e arabescos que geralmente não possuem expressões figurativas. Mesmo assim encontramos expressões com imagens de animais e humanos.
Na arquitetura, os muçulmanos se expressavam através da construção de mesquitas, escolas religiosas, conhecidas como madrasas, locais de retiros espirituais e túmulos.
Já na pintura islâmica destacam-se afrescos e miniaturas. Muito pouco desta arte existe ate hoje, pois eram empregadas em paredes de palácios ou edifícios públicos.
Dentro da cultura islâmica, os tapetes e tecidos desempenharam grande papel na decoração de tendas na época do nomadismo. Esta arte abrange ainda a literatura, a música, a dança e o teatro.
É uma arte muito valorizada por conter seus traços únicos mesmo que seja aproveitando as influências de outros povos.
Autoria: Jeniffer Elaina da Silva.



COMO SURGIU

O Islamismo é uma religião monoteísta, criada por Maomé e que começou a se difundir a partir da Arábia desde o século VII. O Islamismo incorporou elementos de outras religiões, como por exemplo, o Cristianismo e o Judaísmo, nesta religião também foram incorporadas partes das culturas dos povos beduínos.
Classifica-se como arte islâmica tudo o que é abarcado pela literatura, teatro, dança, música e as artes visuais de uma grande parcela de pessoas do Oriente Médio que adotaram o Islamismo como religião.
As principais influências para esta arte vêm dos povos pré-islâmicos, dos chamados “conquistados” e de outras dinastias relacionadas à religião. Dessa maneira, foram espalhando ideias baseadas no conceito do infinito, eternidade e o menosprezo pela vida material. Diversos estudiosos acreditam que a arte islâmica sofreu muita influência por parte do Alcorão, o livro sagrado do Islamismo, e também de algumas percepções do próprio Maomé.


ONDE ACONTECEU DE FORMA INTENSA

Fora do mundo ocidental, o desenvolvimento artístico também aconteceu de forma intensa e com vários intercâmbios culturais. Desde a região da Anatólia (parte da atual Turquia), na Ásia Menor, até o Extremo Oriente, onde se desenvolveram as civilizações chinesa e japonesa, o desenvolvimento artístico foi impressionante.

 Um dos exemplos notórios é a Arte Islâmica.
Com a fundação do islamismo pelo profeta Maomé no século VII, muitos povos que viviam na Península Arábica, na Pérsia e na Ásia Menor, bem como, depois, no Norte da África, unificaram-se em torno da nova religião. O árabe tornou-se a língua sagrada dos muçulmanos e, também, fonte de expressão artística.

Uma das primeiras manifestações da arte islâmica, a arquitetura, floresceu sobretudo na construção dos templos, isto é, as mesquitas. O complexo arquitetural das mesquitas envolvia sobretudo a construção de um interior com decoração suntuosa, expressa nos arabescos (desenhos em formas geométricas harmônicas), e na caligrafia árabe, com trechos do Alcorão.

Mas a arte islâmica teve sua expressão mais contundente em dois seguimentos e acompanhou duas ramificações da própria civilização islâmica: a Sá ávida e otomana. Os safávidas passaram a dominar a região da Pérsia (atual Irã) a partir do ano de 1501, sob a liderança de Ismail. Com o tempo, o império Sá ávida expandiu-se em direção ao norte, ocupando regiões como a do atual Afeganistão, ao sul da Península Arábica, e ao leste, em direção ao atual Paquistão.
Esse império legou uma vasta produção artística à posteridade, destacando-se nas pinturas, incluindo a representação de formas humanas (fato que não havia em outros ramos da arte islâmica), e uma extraordinária tapeçaria, com arabescos e inscrições caligráficas. Entre os tapetes mais famosos dos persas safávidas está o tapete de Ardabil, como destaca o historiador da arte Stephen Farthing:
         [...] os safávidas representavam seres vivos em suas obras de arte, e a presença de pessoas e animais se tornou uma característica distinta do estilo em iluminuras, como pode ser visto em Rostam dormindo enquanto Rakhsh enfrente o leão. Intrincados arabescos florais eram um traço igualmente importante na arte safávida, principalmente na abundante produção de tecidos e tapetes. Os tapetes persas do século XVI são alguns dos mais suntuosos já produzidos. Entre eles, reina supremo o tapete de Ardabil (1539-1540), que está assinado Maqsud de Kashan.

Já o estilo otomano prevaleceu na Ásia Central, no leste europeu e no Norte da África, haja vista que essa era a extensão do Império Otomano, que foi galgada a partir de 1453, quando houve a queda de Constantinopla. Os traços da arte otomana misturaram o legado tipicamente árabe com técnicas de Bizâncio, com o estilo timurid, com a arte dos Bálcãs e com o que era feito às margens do Mediterrâneo, sobretudo em Veneza.

 Além disso, havia também a influência da arte mongol e chinesa, como atesta também o historiador Farthing:
         “[…] os desenhos em cerâmica foram influenciados pelas porcelanas chinesas, e os padrões estilizados de plantas e flores eram os mais frenquentemente empregados, sobretudo na admirada cerâmica iznik. Caligrafias e desenhos com traços geométricos estavam restritos principalmente à decoração arquitetônica. No século XIX, as cerâmicas iznik eram colecionadas no Ocidente e serviam como fonte de inspiração para vários estilos artísticos dos séculos XIX e XX, principalmente o movimento Arts & Crafts”.


Artes Visuais

De variedade estilística e virtuosismo técnico extraordinários, a arte visual islâmica é decorativa, colorida e, no caso da religiosa, não figurativa, a decoração islâmica característica é conhecida como arabesco, um ornato que emprega desenhos de flores, folhagens ou frutos, às vezes, animais, esboços de figuras ou padrões geométricos, para produzir um desenho de retas ou curvas entrelaçadas, esse ornamento é empregado tanto na arquitetura quanto na decoração de objetos. 

 A cerâmica, o vidro, os tecidos, a ilustração de manuscritos e o artesanato em metal ou madeira têm sido de importância fundamental na cultura islâmica, a cerâmica constituiu a mais importante das primeiras artes decorativas dos muçulmanos.
Na decoração da louça de barro esmaltado, a maior contribuição islâmica para a cerâmica, empregam-se compostos metálicos nos esmaltes, que, quando queimados, transformam-se em películas metálicas iridescentes. Outros objetos cuja produção se destacou durante o período dos califados (do século VII ao XI) são o bronze e a madeira entalhada do Egito, os estuques do Iraque e o marfim entalhado da Espanha. 

No período seljúcida (do século XI ao XIII), manteve-se a importância da cerâmica, dos tecidos e dos vidros, além disso, objetos utilitários de bronze e latão eram incrustados com prata e cobre e decorados com desenhos complexos.
A ilustração de manuscritos também se tornou uma arte bastante respeitada, e a pintura em miniatura foi a maior e mais característica manifestação artística do período que se seguiu às invasões dos mongóis (1220-1260). 
O Islam considera a palavra escrita o meio por excelência da revelação Divina, por essa razão, a arte caligráfica se desenvolveu de forma rica e complexa, empregando uma ampla variedade de elegantes caracteres cursivos. A caligrafia era usada também como importante elemento decorativo na arquitetura e em peças utilitárias.  


Tapeçaria

Os mais belos tapetes de toda a história da arte são persas e datam dos séculos XVI e XVII, foram produzidos em Tabriz, Kashan, Herat e Isfahan, na dinastia dos safávidas, feitos de lã, seda e outros materiais, os tapetes persas, a exemplo do que ocorrera séculos antes com os turcos, tiveram grande aceitação no Ocidente.
Os temas são variados, mas predominam cenas de caçada e combate, não raro de origem chinesa. Em Agra, Lahore e algumas cidades da Índia, onde também foram produzidos tapetes de inspiração persa, desenvolveu-se um estilo de ornamentação floral tipicamente indiano e mongol, de temática naturalista. 


Literatura

No Islam, a literatura se desenvolveu principalmente em quatro línguas: árabe, persa, turco e urdu, o árabe é de extrema importância como a língua da revelação do Islam e do Alcorão.
A poesia árabe, cujos elementos básicos foram herdados de modelos pré-islâmicos, é monorrima (todas as linhas apresentam a mesma rima) e de métrica complicada (sílabas longas e curtas arranjadas em 16 métricas básicas). 
Há três gêneros poéticos principais: o gazel (ghazal), geralmente um poema de amor, que tem de cinco a 12 versos monorrimos; o qasida, um poema de louvação com vinte a mais de cem versos monorrimos; e o qita, uma forma literária empregada para lidar com aspectos da vida cotidiana. 

 Os persas aperfeiçoaram os gêneros, formas e regras da poesia árabe e adaptaram-nos a sua própria língua, desenvolveram também um novo gênero, o masnavi (composto de uma série de dísticos), empregado na poesia épica, desconhecida dos árabes.
A literatura persa, por sua vez, influenciou tanto a literatura urdu quanto a turca, especialmente no que se refere ao vocabulário e à métrica, a Turquia também tem uma rica tradição de poesia popular. 
A literatura islâmica compreende ainda textos em prosa, de cunho literário, didático e popular, o gênero que caracteriza a prosa islâmica é o maqama, em que uma narrativa relativamente simples é contada de maneira complicada e elaborada, com metáforas e jogos de palavras.


A EVOLUÇÃO DA ARTE ISLÂMICA


    Da arquitetura dos templos de Petra às enormes mesquitas de Bagdá, a evolução da arte sob a influência do Islamismo será tratada no curso Arte Islâmica, que ocorre nos dias 06, 13, 20 e 28 de outubro, na capital paulista. O curso é organizado pelo Instituto da Cultura Árabe (Icarabe) e será ministrado por Plínio Freire, mestre em História pela Universidade de São Paulo (USP).

A arquitetura de Petra, na Jordânia. Freire destaca que antes da ascensão do Islã, no século 7º, aquela região era uma rota de caravanas do deserto, um local de cultura árabe, mas com forte influência grega e romana. “Essas influências se cruzem em Petra, que tem elementos helenísticos e mesopotâmicos. Eles são fundamentais para entender como o Islã aparece”, afirma.

   A arquitetura de Petra “exuberante”. O que pode ser visto na cidade. “As colunas com capitéis [extremidades superiores] da ordem coríntia, tudo em um contexto de cultura helenística, com elementos mesopotâmicos e egípcios, e as réplicas de casas assírias”, aponta.

“Os árabes foram brilhantes para coletar elementos de diferentes culturas. Existia um imenso bom gosto e eles iam coletando elementos das culturas com as quais iam entrando em contato”, conta.

  A  cidade de Meca, na Arábia Saudita  era um grande centro comercial e por isso virou um grande centro religioso. Vou mostrar como funcionavam as religiões nas caravanas e a formação da língua árabe, que surgiu a partir de poetas que cantavam as glórias das tribos caravaneiras”, diz.

   A poesia, teve um papel fundamental na criação da língua árabe. Freire conta que, quando as diferentes tribos do deserto se encontravam, os poetas precisavam usar uma língua intermediária entre as diferentes línguas usadas nas tribos, ou seja, uma língua que fosse compreendida pelos membros das diversas tribos que se encontravam para mostrar suas conquistas. Foi daí que nasceu o idioma árabe. “É por isso que é uma língua tão difícil, porque é uma língua feita por poetas”, ressalta. Nessa época, além da poesia, destaca-se ainda a tapeçaria.

  A cidade de Damasco, na Síria, e a expansão do Islã são tratados na terceira aula. Após a morte do profeta Maomé, ocorre a divisão entre sunitas e xiitas. Com a decisão da maioria dos seguidores do profeta em passar a liderança da religião a um califa (palavra que significa sucessor), o império islâmico se expande rapidamente e o centro de poder religioso se transfere de Meca para Damasco.

“Aí começa a surgir a arte islâmica”, diz Freire. “Surgem as primeiras mesquitas extraordinárias, luxuosas, refinadas. É o Islã como uma manifestação política”, aponta.
A mesquita principal ficava ao lado do palácio do califa. A principal mesquita desta época, a Grande Mesquita Omíada, ainda hoje existente em Damasco, foi “a primeira construída dentro desse contexto imperial, pensada como uma obra de arte”. O local, que havia sido um templo romano e uma basílica cristã, foi redecorado com mármore, mosaicos e enfeites luxuosos. A mesquita do Domo da Rocha, em Jerusalém, foi erguida seguindo as mesmas bases de luxo e requinte, mesmo tendo um tamanho menor, diz o professor.

Bagdá, no Iraque, é o tema da quarta aula. Com a queda da dinastia omíada e ascensão da dinastia abássida, o centro de poder é transferido de Damasco para Bagdá. A cidade que foi construída artificialmente, em forma de círculos. “A cidade em forma de círculo significa um império, porque o círculo significava o mundo todo”, conta.

Neste período, entre os séculos 8º e 9º, aumenta muito o número de fieis do Islã e as mesquitas deixam para trás o luxo para abrigar o crescente número de seguidores. “As mesquitas perdem o caráter de luxo e começam a ser feitas de tijolos, mas são muito grandes e com um pátio interno muito grande”.

Isso deixa marcas muito profundas na arquitetura do Islã, pois as mesquitas deixam de ser construções luxuosas e passam a ser minimalistas na decoração e ganham áreas muito maiores.

Fontes: http://brasilescola.uol.com.br/artes/arte-islamica.htm

https://www.resumoescolar.com.br/historia/arte-islamica-como-surgiu/
http://www.islam.org.br/arte_islamica.htm

http://www.anba.com.br/noticia_educacao.kmf?cod=21872665
Aurea Santos
aurea.santos@anba.com.br

MUDANÇA Texto de Clarice Lispector


MUDANÇA

Texto de Clarice Lispector



Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama... Depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de tv, compre outros jornais... leia outros livros.
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
A nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda !
Repito, por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!


"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada." ( Clarice Lispector)



Nunca deixe que nenhum limite tire de você a ambição da auto superação.
Tenham uma boa leitura e reflitam. Profª Lourdes Duarte.