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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

MOBILIDADE SOCIAL E MOBILIDADE SOCIAL NO BRASIL

 MOBILIDADE SOCIAL E MOBILIDADE SOCIAL NO BRASIL




MOBILIDADE SOCIAL E MOBILIDADE SOCIAL NO BRASIL

   Mobilidade social significa o fenômeno em que um indivíduo (ou um grupo) que pertence a determinada posição social transita para outra, de acordo com o sistema de estratificação social.

Existem dois tipos de mobilidade social: horizontal e vertical.

Mobilidade social horizontal: há uma alteração de posição provocado por fatores geracionais ou profissionais, mas não implica uma mudança de classe social. A mobilidade acontece dentro da mesma classe. Por exemplo, o caso de um trabalhador que migra do interior para a capital. A sua posição social pode se alterar mas o nível de renda não sofre grandes alterações e, por isso, permanece na mesma classe social.

Mobilidade social vertical: há uma alteração de classe social que pode acontecer de forma ascendente (de uma classe baixa para outra superior) ou descendente (de uma classe alta para outra inferior).

A mobilidade social é um conceito estudado pela sociologia, que indica a possibilidade de um indivíduo subir a nível de classe social. Alguns autores afirmam que uma sociedade estratificada é aquela onde não se verifica a mobilidade social. Em uma sociedade estruturada dessa forma, um determinado indivíduo mantém a sua classe social independentemente das circunstâncias.

Mobilidade Social refere-se à transição de indivíduos ou grupos de um estrato ou de uma classe social para outra. Existem dois tipos de mobilidade social: a mobilidade intrageracional, caso em que analisamos a situação dos indivíduos numa geração, isto é, a posição por eles ocupada no início e no fim das suas carreiras; e a mobilidade intergeracional, caso em que analisamos mais do que uma geração, procurando ver, por exemplo, se os indivíduos pertencem à mesma classe social dos seus pais. Em termos de sentido, a mobilidade social (intra ou intergeracional) pode ser ascendente, caso em que, por exemplo, determinados indivíduos ou grupos passam de uma classe social mais baixa para uma classe social mais alta, ou descendente, caso em que determinados indivíduos ou grupos passam de uma classe social mais alta para uma classe social mais baixa.

A proporção de mobilidade social ascendente ou descendente é, habitualmente, tida como um indicador do grau de "abertura" de uma sociedade e relaciona-se, portanto, com o sistema de estratificação social que nela vigora. Neste sentido, as sociedades de classes parecem ser aquelas em que a mobilidade social é mais evidente, embora a sua proporção real não seja tão grande como geralmente se supõe, e atingindo privilegiadamente determinados estratos ou classes sociais, em detrimento de outras. A mobilidade social tende a ser, maioritariamente, de curto alcance, isto é, as pessoas tendem a mover-se entre estratos, frações de classe ou classes sociais próximos, sendo rara a mobilidade de longo alcance. 
Do mesmo modo, a mobilidade ascendente parece também assumir maior dimensão do que a mobilidade descendente. Embora seja possível referir estas tendências gerais, a sua extensão, todavia, difere de acordo com as características da sociedade concreta que estejamos a analisar.

Face à questão da mobilidade, os sociólogos estão interessados em analisar duas questões: quais os fatores que subjazem aos processos de mobilidade e como atuam; e quais as consequências da mobilidade para uma sociedade e/ou para os indivíduos. Quanto à primeira questão, os processos de mudança social, suas características e extensão, estão ligados a alterações no funcionamento estrutural de uma sociedade, por exemplo, processos de urbanização ou de industrialização, alterações na estrutura ocupacional dessa sociedade ligadas ao funcionamento do sistema produtivo, ou reestruturações do próprio sistema produtivo. Assim, uma alteração no tecido produtivo, em que este passe a exigir indivíduos com qualificações mais elevadas, pode facilitar processos de mobilidade ascendente a certos indivíduos ou grupos, mudando a sua situação no decurso da sua vida (mobilidade intergeracional) e, eventualmente, conduzindo a modificações ao nível da mobilidade intergeracional. 
Relativamente à segunda questão, ligado a cada estrato ou classe social há um conjunto de comportamentos, valores, atitudes, etc., que os distinguem entre si - um processo de mobilidade social implica, pois, necessariamente, embora em grau variável, a conversão, pelo menos parcial, dessas "características", significando isto que algumas se manterão, mas outras serão substituídas.
 Bourdieu (1985, La distinction: critique sociale du jugement) refere-se a estas "características" utilizando o termo habitus e mostra como este funciona, simultaneamente, como elemento distintivo e elemento identificativo de um estrato, fração de classe ou classe social face a outros estratos, frações de classe ou classes sociais. Produzindo-se alterações ao nível dos indivíduos, modificam-se também certas características da sociedade, tomada no seu conjunto - alguns estudos parecem indicar que as sociedades que apresentam maior mobilidade social são também sociedades mais estáveis e mais moderadas em termos políticos.

Mobilidade social no Brasil

A mobilidade social no Brasil tem crescido rapidamente nas últimas décadas, e segundo dados do IBGE, de 1970 até 2000, aumentou para 63%. Apesar disso, não é possível afirmar que a mobilidade social é sinônima de igualdade social. A sensação que existe muitas vezes no Brasil é que a classe média está desaparecendo, enquanto as classes altas e baixas estão crescendo. O grande problema no Brasil é que a grande maioria sobre pouco na "escada" social, enquanto uma pequena percentagem sobre muito.

O mercado de trabalho atual exige trabalhadores mais qualificados, o que implica uma educação com mais qualidade e mais especializada.
 A falta de qualificação dos trabalhadores funciona como um freio para a mobilidade social, porque indivíduos pouco qualificados estão desempregados ou não conseguem empregos que permitam alcançar uma classe social mais elevada. Assim, o investimento na educação e enriquecimento profissional da população é um fator essencial para fomentar a mobilidade social e diminuir a desigualdade verificada atualmente.
Fonte: http://www.infopedia.pt/$mobilidade-social

 Organização da postagem: Profª Lourdes Duarte  

O QUE É SUBDESENVOLVIMENTO?

 O QUE É SUBDESENVOLVIMENTO?




O QUE É SUBDESENVOLVIMENTO?

O Subdesenvolvimento é um termo elaborado após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) para definir a situação econômica e social dos países pobres. Esse termo é, portanto, designado para classificar os territórios nacionais que dispõem de níveis de desenvolvimento econômico limitado, com baixos índices de qualidade de vida, de consumo, de produtividade e elevadas taxas de miséria e concentração de renda.

Não é correto afirmar que o subdesenvolvimento seja uma ausência de desenvolvimento, mas sim a incompletude deste. Dessa forma, existem alguns critérios que definem se um país é ou não é subdesenvolvido, a saber: dependência econômica e tecnológica, problemas sociais (como desemprego, desigualdades, fome, miséria), baixos índices de industrialização, problemas em infraestrutura, entre outros.

Dependência econômica

O principal problema que envolve os países subdesenvolvidos é de ordem econômica, em que se observa uma elevada dependência desses para com outras nações, sobretudo aquelas consideradas desenvolvidas.

Essa dependência se expressa, primeiramente, pela elevada dívida externa existente nos países periféricos. Em geral, parte das receitas adquiridas por esses países são destinadas ao pagamento de dívidas para instituições financeiras – como o FMI e o Banco Mundial –, o que atrapalha na hora do uso da verba pública para investimentos sociais.

Em segundo lugar, a dependência econômica encontra-se no fato de que, historicamente, as nações mais pobres vivem da exportação de commodities, isto é, de produtos primários que, em regra, possuem menor valor agregado que os produtos industrializados. Tal fator propicia uma queda de produtividade, pois muitos investimentos são direcionados a uma atividade menos rentável economicamente. Associam-se a isso os problemas relacionados à concentração fundiária, que direcionam os ganhos das exportações para os grandes latifundiários, propiciando a elevação da concentração de renda.

Dependência tecnológica

Os baixos índices de industrialização e a excessiva dependência econômica na exportação de produtos primários propiciam também a elevação da dependência tecnológica. Essa questão é recorrente aos problemas relacionados à Divisão Internacional do Trabalho, em que os países periféricos exportam matérias-primas e produtos industrializados de baixa tecnologia e importam produtos tecnológicos ou sistemas de tecnologia, geralmente vinculados à instalação de grandes empresas multinacionais.

Assim, boa parte dos países subdesenvolvidos é pouco ou quase nada industrializada. E aqueles que possuem um relativo índice de industrialização – como o Brasil – a conhecem através da instalação de empresas estrangeiras, ou seja, as grandes empresas dos países pobres são, na verdade, apenas filiais ou montadoras de produtos e direcionam seus ganhos majoritariamente a seus países de origem.

Problemas sociais

Os problemas sociais existentes nos países subdesenvolvidos estão diretamente relacionados às questões acima elencadas, pois os elevados índices de dependência econômica e tecnológica geram graves convulsões e disparidades sociais.

Em primeiro lugar, é preciso considerar que os processos de industrialização e urbanização são tardios, ou seja, ocorreram apenas recentemente e fazem com que os países pobres sofram com problemas urbanos que os países desenvolvidos tiverem de enfrentar nos séculos XVIII, XIX e XX. A diferença é que, diferentemente destes, os subdesenvolvidos não possuem grandes capacidades financeiras para emancipar suas realidades.

Outra questão a ser colocada é a grande disparidade econômica atualmente existente. Os países subdesenvolvidos, por questões principalmente políticas, não promovem uma distribuição de renda em suas economias internas. Assim, observa-se que há cada vez mais capital sendo acumulado por cada vez menos pessoas, tanto em termos de finanças quanto em termos de posses urbanas e rurais. Tal fator é um agravo a condições de miséria, fome e baixa capacidade produtiva de uma dada região ou território.

Fatores históricos

Além de haver graves problemas internos, somados a perspectivas conservadoras das economias – como a preferência em centrar a economia na exportação de matéria-prima –, existem também fatores históricos que se tornaram o grande cerne para a condição de subdesenvolvimento pela qual a maior parte dos países do mundo passa. Dentre esses fatores, podemos destacar o colonialismo e o imperialismo.

Durante o processo de expansão marítimo-comercial europeu, o capitalismo expandiu-se e a Divisão Internacional do Trabalho estabeleceu-se. As colônias forneciam produtos primários, como especiarias e materiais agropecuários, e as metrópoles produziam e exportavam produtos manufaturados e, posteriormente, industrializados. Além disso, a exploração dos recursos e as grandes dívidas que as antigas colônias herdaram de suas metrópoles também estão na origem das condições de dependência econômica e de subdesenvolvimento.

Quanto ao imperialismo, trata-se de uma continuação do colonialismo – ou do neocolonialismo, no caso dos países africanos –, em que territórios foram disputados e divididos e áreas de influência até hoje são requisitadas. Essas ações, como as realizadas pelos Estados Unidos durante a Guerra Fria e em outros períodos históricos, serviram para garantir que não houvesse uma emancipação econômica dos países pobres a fim de evitar um aumento da concorrência no mercado internacional.

Países subdesenvolvidos e emergentes

Assim, ao compreender os fatores externos e internos que propiciaram a origem do subdesenvolvimento no mundo, podemos nos perguntar: quais países hoje são considerados subdesenvolvidos? Nações como Brasil e China são também consideradas subdesenvolvidas?

Existe, atualmente, uma divisão regional do mundo que estabelece uma distinção entre dois principais polos de desenvolvimento. Ao sul de um uma linha imaginária, traçada justamente para expressar essa separação, existem os países subdesenvolvidos e, ao norte, os países desenvolvidos. Observe a figura abaixo:

Mapa-múndi separando o norte desenvolvido do sul subdesenvolvido
Mapa-múndi separando o norte desenvolvido do sul subdesenvolvido

Assim, podemos notar que essa divisão estabelece a formação de dois grandes grupos, aqueles com economias historicamente dominantes e mais desenvolvidas de um lado e, de outro, aqueles com economias historicamente dependentes. Nota-se também que a linha imaginária para distinguir o norte do sul não obedece totalmente às delimitações cartográficas, uma vez que países que se encontram no sul geográfico, a exemplo da Austrália, são classificados como sendo do “norte”.

E quanto aos países emergentes? Por que eles não estão representados no mapa?

Os países emergentes, por definição, são aqueles caracterizados por apresentarem economias subdesenvolvidas, mas que, ao longo das últimas décadas, vêm apresentando avanços econômicos e sociais. Esses países costumam ter economias muito industrializadas – apesar de, como já frisamos mais acima – essa industrialização ser realizada majoritariamente por empresas estrangeiras – e por registrarem sucessivos aumentos em seus Produtos Internos Brutos.

Mesmo assim, esses países não romperam com a condição de subdesenvolvimento que os envolve, de tal modo que eles ainda são considerados como subdesenvolvidos. Em outras palavras, podemos dizer os países emergentes fazem parte do grupo dos países periféricos.
Citam-se como exemplos de países emergentes: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul (esses cinco primeiros compõem o chamado BRICS), México, Coreia do Sul, Cingapura, Taiwan e alguns outros.

O que se pode ter certeza é que, para subverter a ordem de subdesenvolvimento, os países pobres no mundo precisarão buscar formas que romper com a dependência econômica que os atinge. Além do mais, será necessário rever o ritmo de consumo do sistema capitalista atual, pois, conforme apontam inúmeros especialistas, o planeta não conseguiria fornecer recursos naturais suficientes para abastecer um grande número de países com padrões de consumo iguais aos que os países desenvolvidos possuem atualmente.
Fonte: Conteódo do  site
http://www.mundoeducacao.com/geografia/o-que-subdesenvolvimento.htm



TESTE SEUS CONHECIMENTOS
1º  A respeito do “subdesenvolvimento” é correto afirmar que:
a) o subdesenvolvimento é uma situação socioeconômica caracterizada por dependência econômica e grandes desigualdades sociais.
b) antes de serem países desenvolvidos, Inglaterra, França, Bélgica e Alemanha passaram pelo subdesenvolvimento.
c) neste final de século, a principal contradição da ordem mundial é o conflito Leste × Oeste, isto é, entre os países ricos e os países pobres.
d) as disparidades socioeconômicas entre os países surgem com as grandes navegações (séculos XV e XVI), daí se formando os países subdesenvolvidos.


Trechos da música “canção do subdesenvolvido”, de Carlos Lyra
A música faz uma crítica à condição de subdesenvolvido pela qual perpassa o Brasil. Sobre essa questão, assinale a alternativa INCORRETA:
a) Pode-se afirmar que a condição de subdesenvolvimento e dependência econômica do Brasil tem raízes históricas relacionadas, principalmente, à colonização.
b) No trecho “as nações do mundo para cá mandaram os seus capitais desinteressados” faz referência ao Plano Marshall, realizado pelos Estados Unidos para ajudar os países durante a Guerra Fria.
c) O verso “começaram a nos vender e a nos comprar” pode ser entendido como uma referência ao processo de privatização ocorrido no Brasil com maior força no século XX.
d) No verso “só mandaram o que sobrou de lá”, o autor faz uma crítica à Divisão Internacional do Trabalho, em que os países desenvolvidos exportam as empresas e mercadorias, mas não os seus capitais e tecnologias.

3º 
(ENEM)
Em 1999, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento elaborou o Relatório do Desenvolvimento Humano, do qual foi extraído o trecho abaixo.
[…] Nos últimos anos da década de 1990, o quinto da população mundial que vive nos países de renda mais elevada tinha: 86% do PIB mundial, enquanto o quinto de menor renda, apenas 1%; 82% das exportações mundiais, enquanto o quinto de menor renda, apenas 1%; 74% das linhas telefônicas mundiais, enquanto o quinto de menor renda, apenas 1,5%; 93,3% das conexões com a lnternet, enquanto o quinto de menor renda, apenas 0,2%. A distância da renda do quinto da população mundial que vive nos países mais pobres – que era de 30 para 1, em 1960 – passou para 60 para 1, em 1990, e chegou a 74 para 1, em 1997.
De acordo com esse trecho do relatório, o cenário do desenvolvimento humano mundial, nas últimas décadas, foi caracterizado pela:

a) diminuição da disparidade entre as nações.
b) diminuição da marginalização de países pobres.
c) inclusão progressiva de países no sistema produtivo.
d) crescente concentração de renda, recursos e riqueza.
e) distribuição equitativa dos resultados das inovações tecnológicas.


4º  Observe o mapa abaixo:
Organização mundial dos países
Com base na imagem, assinale a alternativa INCORRETA:
a) Foi elaborada com base em critérios econômicos
b) Em azul estão os países desenvolvidos e, em vermelho, os subdesenvolvidos.
c) Em vermelho estão aqueles países que, em maior ou menor grau, passaram por governos socialistas ou por influências da extrema esquerda.
d) Representa o panorama da ordem política e econômica internacional na atualidade
Ver respostas neste linque
http://exercicios.brasilescola.com/geografia/exercicios-sobre-subdesenvolvimento.htm

O nascimento da lógica


O nascimento da lógica
É lógico!

“É lógico que eu vou!”, “É lógico que ela disse isso!”. Quando dizemos frases como essas, a expressão “é lógico que” indica, para nós e para a pessoa com quem estamos falando, que se trata de alguma coisa evidente. A expressão aparece como se fosse a conclusão de um raciocínio implícito, compartilhado pelos interlocutores do discurso. Ao dizer “É lógico que eu vou!”, estou supondo que quem me ouve sabe, sem que isso seja dito explicitamente, que também estou afirmando: “Você me conhece, sabe o que penso, gosto ou quero, sabe o que vai acontecer no lugar x e na hora y e, portanto, não há dúvida de que irei até lá”.
Ao dizer “É lógico que ela disse isso!”, a situação é semelhante. A expressão seria a conclusão de algo que eu e a outra pessoa sabemos, como se eu estivesse dizendo: “Sabendo quem ela é, o que pensa, gosta, quer, o que costuma dizer e fazer, e vendo o que está acontecendo agora, concluo que é evidente que ela disse isso, pois era de se esperar que ela o dissesse”.
Nesses casos, estamos tirando uma conclusão que nos parece óbvia, e dizer “é lógico que” seria o mesmo que dizer: “é claro que” ou “não há dúvida de que”.
Em certas ocasiões, ouvimos, lemos, vemos alguma coisa e nossa reação é dizer: “Não. Não pode ser assim. Isso não tem lógica!”. Ou, então: “Isso não é lógico!”. Essas duas expressões indicam uma situação oposta às anteriores, ou seja, agora uma conclusão foi tirada por alguém, mas o que já sabemos (de uma pessoa, de um fato, de uma idéia, de um livro) nos faz julgar que a conclusão é indevida, está errada, deveria ser outra. É possível, também, que as duas expressões estejam indicando que o conhecimento que possuímos sobre alguma coisa, sobre alguém ou sobre um fato não é suficiente para compreendermos o que estamos ouvindo, vendo, lendo e por isso nos parece “não ter lógica”.
Nesses vários exemplos, podemos perceber que as palavras lógica e lógico são usadas por nós para significar:
1. ou uma inferência: visto que conheço x, disso posso concluir y como conseqüência;
2. ou a exigência de coerência: visto que x é assim, então é preciso que y seja assim;
3. ou a exigência de que não haja contradição entre o que sabemos de x e a conclusão y a que chegamos;
4. ou a exigência de que, para entender a conclusão y, precisamos saber o suficiente sobre x para conhecer por que se chegou a y.
Inferência, coerência, conclusão sem contradições, conclusão a partir de conhecimentos suficientes são algumas noções implicitamente pressupostas por nós toda vez que afirmamos que algo é lógico ou ilógico.
Ao usarmos as palavras lógica e lógico estamos participando de uma tradição de pensamento que se origina da Filosofia grega, quando a palavra logos – significando linguagem-discurso e pensamento-conhecimento – conduziu os filósofos a indagar se o logos obedecia ou não a regras, possuía ou não normas, princípios e critérios para seu uso e funcionamento. A disciplina filosófica que se ocupa com essas questões chama-se lógica.
O aparecimento da lógica: Heráclito e Parmênides
Quando estudamos o nascimento da Filosofia, vimos que os primeiros filósofos se preocupavam com a origem, a transformação e o desaparecimento de todos os seres. Preocupavam-se com o devir. Duas grandes tendências adotaram posições opostas a esse respeito, na época do surgimento da Filosofia: a do filósofo Heráclito de Éfeso e a do filósofo Parmênides de Eléia.
Heráclito afirmava que somente o devir ou a mudança é real. O dia se torna noite, o inverno se torna primavera, esta se torna verão, o úmido seca, o seco umedece, o frio esquenta, o quente esfria, o grande diminui, o pequeno cresce, o doente ganha saúde, a treva se faz luz, esta se transforma naquela, a vida cede lugar à morte, esta dá origem àquela.
O mundo, dizia Heráclito, é um fluxo perpétuo onde nada permanece idêntico a si mesmo, mas tudo se transforma no seu contrário. A luta é a harmonia dos contrários, responsável pela ordem racional do universo. Nossa experiência sensorial percebe o mundo como se tudo fosse estável e permanente, mas o pensamento sabe que nada permanece, tudo se torna contrário de si mesmo. O logos é a mudança e a contradição.
Parmênides, porém, afirmava que o devir, o fluxo dos contrários, é uma aparência, mera opinião que formamos porque confundimos a realidade com as nossas sensações, percepções e lembranças. O devir dos contrários é uma linguagem ilusória, não existe, é irreal, não é. É o Não-Ser, o nada, impensável e indizível. O que existe real e verdadeiramente é o que não muda nunca, o que não se torna oposto a si mesmo, mas permanece sempre idêntico a si mesmo, sem contrariedades internas. É o Ser.
Pensar e dizer só são possíveis se as coisas que pensamos e dizemos guardarem a identidade, forem permanentes. Só podemos dizer e pensar aquilo que é sempre idêntico a si mesmo. Por isso somente o Ser pode ser pensado e dito. Nossos sentidos nos dão a aparência mutável e contraditória, o Não-Ser; somente o pensamento puro pode alcançar e conhecer aquilo que é ou existe realmente, o Ser, e dize-lo em sua verdade. O logos é o ser como pensamento e linguagem verdadeiros e, portanto, a verdade é a afirmação da permanência contra a mudança, da identidade contra a contradição dos opostos.
Assim, Heráclito afirmava que a verdade e o logos são a mudança das coisas nos seus contrários, enquanto Parmênides afirmava que são a identidade do Ser imutável, oposto à aparência sensível da luta dos contrários. Parmênides introduz a idéia de que o que é contrário a si mesmo, ou se torna o contrário do que era, não pode ser (existir), não pode ser pensado nem dito porque é contraditório, e a contradição é o impensável e o indizível, uma vez que uma coisa que se torne oposta de si mesma destrói-se a si mesma, torna-se nada. Para Heráclito, a contradição é a lei racional da realidade; para Parmênides, a identidade é essa lei racional.
A história da Filosofia grega será a história de um gigantesco esforço para encontrar uma solução para o problema posto por Heráclito e Parmênides, pois, se o primeiro tiver razão, o pensamento deverá ser um fluxo perpétuo e a verdade será a perpétua contradição dos seres em mudança contínua; mas se Parmênides tiver razão, o mundo em que vivemos não terá sentido, não poderá ser conhecido, será uma aparência impensável e viveremos na ilusão.
Será preciso, portanto, uma solução que prove que a mudança e os contrários existem e podem ser pensados, mas, ao mesmo tempo, que prove que a identidade ou permanência dos seres também existe, é verdadeira e pode ser pensada. Como encontrar essa solução?
O aparecimento da lógica: Platão e Aristóteles
No momento de seu apogeu, isto é, de Platão e de Aristóteles, a Filosofia oferecerá as duas soluções mais importantes para o problema da contradição-mudança e identidade-permanência dos seres. Não vamos, aqui, falar dessas duas filosofias, mas destacar um aspecto de cada uma delas relacionado com o nosso assunto, isto é, com o surgimento da lógica.
Platão considerou que Heráclito tinha razão no que se refere ao mundo material ou físico, isto é, ao mundo dos seres corporais, pois a matéria é o que está sujeito a mudanças contínuas e a oposições internas. Heráclito está certo no que diz respeito ao mundo de nossas sensações, percepções e opiniões: o mundo natural ou material (que Platão chama de mundo sensível) é o devir permanente.
No entanto, dizia Platão, esse mundo é uma aparência (é o mundo dos prisioneiros da caverna), é uma cópia ou sombra do mundo verdadeiro e real e, nesse, Parmênides é quem tem razão. O mundo verdadeiro é o das essências imutáveis (que Platão chama de mundo inteligível), sem contradições nem oposições, sem transformação, onde nenhum ser passa para o seu contraditório. Mas como conhecer as essências e abandonar as aparências? Como sair da caverna? Através de um método do pensamento e da linguagem chamado dialética.
Em grego, a palavra dia quer dizer dois, duplo; o sufixo lética deriva-se de logos e do verbo legin (cujo sentido estudamos nos capítulos dedicados à linguagem e ao pensamento). A dialética, como já vimos, é um diálogo ou uma conversa em que os interlocutores possuem opiniões opostas sobre alguma coisa e devem discutir ou argumentar de modo a passar das opiniões contrárias à mesma idéia ou ao mesmo pensamento sobre aquilo que conversam. Devem passar de imagens contraditórias a conceitos idênticos para todos os pensantes.
A dialética platônica é um procedimento intelectual e lingüístico que parte de alguma coisa que deve ser separada ou dividida em dois ou duas partes contrárias ou opostas, de modo que se conheça sua contradição e se possa determinar qual dos contrários é verdadeiro e qual é falso. A cada divisão surge um par de contrários, que devem ser separados e novamente divididos, até que se chegue a um termo indivisível, isto é, não formado por nenhuma oposição ou contradição e que será a idéia verdadeira ou a essência da coisa investigada. Partindo de sensações, imagens, opiniões contraditórias sobre alguma coisa, a dialética vai separando os opostos em pares, mostrando que um dos termos é aparência e ilusão e o outro, verdadeiro ou essência.
A dialética é um debate, uma discussão, um diálogo entre opiniões contrárias e contraditórias para que o pensamento e a linguagem passem da contradição entre as aparências à identidade de uma essência. Superar os contraditórios e chegar ao que é sempre idêntico a si mesmo é a tarefa da discussão dialética, que revela o mundo sensível como heraclitiano (a luta dos contrários, a mudança incessante) e o mundo inteligível como parmenidiano (a identidade perene de cada idéia consigo mesma).
Aristóteles, por sua vez, segue uma via diferente da escolhida por Platão.
Considera desnecessário separar realidade e aparência em dois mundos diferentes – há um único mundo no qual existem essências e aparências – e não aceita que a mudança ou o devir seja mera aparência ilusória. Há seres cuja essência é mudar e há seres cuja essência é imutável. O erro de Heráclito foi supor que a mudança se realiza sob a forma da contradição, isto é, que as coisas se transformam nos seus opostos, pois a mudança ou transformação é a maneira pela qual as coisas realizam todas as potencialidades contidas em suas essência e esta não é contraditória, mas uma identidade que o pensamento pode conhecer.
Assim, por exemplo, quando a criança se torna adulta ou quando a semente se torna árvore, nenhuma delas tornou-se contrária a si mesma, mas desenvolveu uma potencialidade definida pela identidade própria de sua essência. Cabe à Filosofia conhecer como e por que as coisas, sem mudarem de essência, transformam-se, assim como cabe à Filosofia conhecer como e por que há seres imutáveis (como as entidades matemáticas e as divinas). Parmênides tem razão: o pensamento e a linguagem exigem a identidade. Heráclito tem razão: as coisas mudam. Ambos se enganaram ao supor que identidade e mudança são contraditórias. Tal engano levou Platão à desnecessária divisão dos mundos.
Em segundo lugar, Aristóteles considera que a dialética não é um procedimento seguro para o pensamento e a linguagem da Filosofia e da ciência, pois tem como ponto de partida simples opiniões contrárias dos debatedores, e a escolha de uma opinião contra outra não garante chegar à essência da coisa investigada. A dialética, diz Aristóteles, é boa para as disputas oratórias da política e do teatro, para a retórica, pois esta tem como finalidade persuadir alguém, oferecendo argumentos fortes que convençam o oponente e os ouvintes. É adequada para os assuntos sobre os quais só cabe a persuasão, mas não para a Filosofia e a ciência, porque, nestas, interessa a demonstração e a prova de uma verdade.
Substituindo a dialética por um conjunto de procedimentos de demonstração e prova, Aristóteles criou a lógica propriamente dita, que ele chamava de analítica (a palavra lógica será empregada, séculos mais tarde, pelos estóicos e Alexandre de Afrodísia).
Qual a diferença entre a dialética platônica e a lógica (ou analítica) aristotélica?
Em primeiro lugar, a dialética platônica é o exercício direto do pensamento e da linguagem, um modo de pensar que opera com os conteúdos do pensamento e do discurso. A lógica aristotélica é um instrumento que antecede o exercício do pensamento e da linguagem, oferecendo-lhes meios para realizar o conhecimento e o discurso. Para Platão, a dialética é um modo de conhecer. Para Aristóteles, a lógica (ou analítica) é um instrumento para o conhecer.
Em segundo lugar, a dialética platônica é uma atividade intelectual destinada a trabalhar contrários e contradições para supera-los, chegando à identidade da essência ou da idéia imutável. Depurando e purificando as opiniões contrárias, a dialética platônica chega à verdade do que é idêntico e o mesmo para todas as inteligências. A lógica aristotélica oferece procedimentos que devem ser empregados naqueles raciocínios que se referem a todas as coisas das quais possamos ter um conhecimento universal e necessário, e seu ponto de partida não são opiniões contrárias, mas princípios, regras e leis necessárias e universais do pensamento.

*****
Marilena Chauí é professora de Filosofia na Universidade de São Paulo e uma das mais prestigiadas intelectuais brasileiras, com presença atuante no debate político nacional e na construção da democracia brasileira. São freqüentes os seus artigos na imprensa, bem como sua participação em congressos, conferências e cursos, no país e no exterior.


A base econômica da sociedade


A base econômica da sociedade

A economia de uma sociedade baseia-se na produção de bens e na prestação de serviços. Bens são os objetos materiais produzidos para satisfazer as necessidades e os desejos de seres humanos. Os bens de consumo podem ser não duráveis, como no caso de alimentos e bebidas, ou duráveis, como no caso de imóveis. Os bens de capital são empregados para produzir outros bens. Exemplos de bens de capital são maquinários, equipamentos, edifícios etc. 


A PRODUÇÃO
Bens: são todas as coisas materiais produzidas para satisfazer as necessidades das pessoas.
Serviços: são todas as atividades econômicas voltadas para a satisfação de necessidades e que não estão relacionadas diretamente à produção de bens. Os bens e serviços resultam da transformação de recursos da natureza em objetos úteis à vida humana. E isso só acontece por meio do trabalho nos processos de produção.
Processo de produção: o processo de produção é formado por três componentes principais associados: trabalho, matéria-prima, instrumentos de produção.

O TRABALHO
Por trabalho entende-se toda atividade humana que resulte em bens ou serviços. Todo trabalho resulta da combinação de dois tipos de atividade: manual e intelectual.
O trabalho pode ser classificado conforme o grau de capacitação exigido do profissional. Assim temos: trabalho qualificado –  só pode ser realizado com um certo grau de aprendizagem e conhecimento técnico; trabalho não qualificado – pode ser realizado praticamente sem aprendizagem. Essa classificação não é uma simples divisão teórica. Ela atinge profundamente a vida das pessoas, pois diferentes salários são atribuídos conforme o grau de capacitação ou qualificação exigido pelas tarefas a cumprir.

MATÉRIA-PRIMA
Por matéria-prima deve-se entender os componentes iniciais do produto que, no processo de produção, são transformados até adquirirem a forma de bem final. Antes de serem transformados em matéria-prima, tais componentes encontram-se na natureza sob a forma de recursos naturais.

INSTRUMENTOS DE PRODUÇÃO
Todas as coisas que direta ou indiretamente nos permitem transformar matéria-prima em bem final são chamadas de instrumentos de produção. É o caso das ferramentas, dos equipamentos e das máquinas. O local de trabalho e todas as instalações necessárias á atividade produtiva também são instrumentos de produção.


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Modos de Produção - Sociologia

A maneira pela qual a sociedade produz seus bens e servições, se chama modo de produção, existem diversos modos de produção, existe o Modo de Produção primitivo, escravista, asiático, feudal, capitalista e socialista.


Modo de Produção Primitivo: Abrange um período muito longo, desde o aparecimento da sociedade humana, no processo da amizade, a ajuda entre todos, e são baseadas ma propriedade coletiva.



Modo de Produção Escravista: Nesse modo de produção, existe os escravos, e o senhor que era dono dos escravos, os escravos eram apenas considerados como meros instrumentos de trabalho, um pequeno número de senhores, exploravam os escravos, os senhores donos da produção, e os escravos era proprietário da força.



Modo de Produção Asiático: Modo de produção que surgiu na Ásia, predominou no Egito, China, e na África no século passado, na Índia também, trabalhadores eram forçados a trabalhar, e pelos camponeses que também eram forçados ao trabalho, e depois eram obrigados a entregar tudo que produziam ao estado, os fatores que levaram ao fim desse modo de produção foi: a rebelião dos escravos, propriedade de terra pelos nobres, alto custo de manutenção nos setores improdutivos.


Modo de Produção Feudal: Era constituída por: senhores x servos, os servos não eram propriedades de dos senhores, ou seja, não eram escravos, apenas serviam aos senhores, em troca de casa, comida.  Trabalhavam um pouco para o seu senhor, e um pouco para eles.
 Modo de Produção Capitalista: São relações assalariadas, o capitalismo é movido por lucros, por tanto te duas classes sociais: a burguesia e os trabalhadores assalariados.


Modo de Produção Socialista: Faz oposição ao modo de produção Capitalista, tendo como o estado o dono da propriedade, onde todos são iguais, de certa forma, tudo nesse modo é do estado e você pega emprestado.


Fonte: http://estudosfilosofiasociologia.blogspot.com.br

Organização da postagem: Profª Lourdes Duarte

O CONCEITO DE CULTURA NUMA PERSPECTIVA FILOSÓFICA Profº Epitácio Rodrigues




O CONCEITO DE CULTURA NUMA PERSPECTIVA FILOSÓFICA

Profº Epitácio Rodrigues

        Por que estudar a cultura sob a ótica da Filosofia? As indagações filosóficas sobre a cultura abrem um leque de questões que contribuem para uma compreensão mais aprofundada dessa realidade, dentre as quais podemos citar: a delimitação do conceito de cultura; a relação cultura e trabalho, enquanto ação humana sobre a natureza; a capacidade simbólica do ser humano que reveste de significação a natureza e tudo aquilo que ele cria através de sua ação, ou seja, a sua capacidade de atribuir significação às coisas que o tira do mundo natural e o lança no mundo humano; e, por fim, as implicações advindas dessa capacidade de criar e recriar o seu próprio mundo, na medida em que ele mesmo se vê mergulhado num universo de significações que o modelam e dizem como ele dever ser, agir e viver. Noutras palavras, a questão de saber até onde o ser humano é livre frente ao próprio universo cultural por ele criado e no qual está inserido.
Nossa preocupação será de apresentar uma compreensão de cultura. O que não será uma coisa simples, pois o nosso vocabulário diário está impregnado de expressões que se referem à cultura com sentidos, às vezes, totalmente diferentes. Fala-se em cultura de grão, cultura nordestina, ou ainda, em pessoa culta e sem cultura. Ora, se falamos em cultura brasileira supõe-se que todos os brasileiros participam dessa cultura, portanto a possuem de alguma forma, mas quando digo que um brasileiro concreto é uma pessoa inculta, isto é, sem cultura, estou dizendo que ele tem e não tem cultura. Isso incorre numa contradição ou, no mínimo, numa grande dificuldade para se compreender o que é realmente a cultura.
Uma das formas de esclarecer essas confusões a respeito do termo é buscar a sua origem, a sua etimologia. A palavra cultura é de origem latina, vem do verbo colere, que significa “cultivar”, “criar”; “honrar”; “tomar conta” e “cuidar”.
Quando surgiu, no final do século XI, a noção inicial de cultura estava relacionada ao cultivo da natureza, dando origem à palavra agricultura; à devida honra prestada aos deuses pelos homens (culto às divindades) e também ao cuidado dos adultos com as crianças (puericultura).
No período do Renascimento, por volta do século XVI, os humanistas começaram a empregar a palavra cultura com o sentido figurado de cultivo do espírito. Cultura passou a ser o desenvolvimento da capacidade intelectual e o aprimoramento das qualidades naturais dos homens.
No século XVIII, os iluministas relacionaram a expressão cultura do espírito, com as artes, ciências e letras e a partir daí passou-se a utilizar o termo cultura para designar tanto o desenvolvimento da capacidade intelectual, quanto o resultado do trabalho intelectual dos homens. Nesse período aconteceu a associação do termo cultura com o termo progresso, enquanto aprimoramento da ação humana, da autonomia individual, de domínio do homem sobre a natureza. Nas palavras de Marilena Chauí,
cultura passa a significar os resultados daquela formação ou educação dos seres humanos, resultados expressos em obras, feitos, ações e instituições: as artes, as ciências, a Filosofia, os ofícios, a religião e o Estado. Torna-se sinônimo de civilização, pois os pensadores julgavam que os resultados da formação-educação aparecem com maior clareza e nitidez na vida social e política ou na vida civil (Convite à Filosofia, 2001, p. 292).
Com o avanço das Ciências da Natureza, no século XIX, o surgimento das Ciências Humanas e a Revolução Industrial, cresce de forma assombrosa a produção material do homem. As cidades passam por mudanças rápidas e profundas, colocando em evidência as transformações e as diferenças humanas. Daí a Filosofia e as Ciências Sociais recolocarem o tema da cultura.
A Antropologia, uma das Ciências Sociais, vai apresentar um novo conceito de cultura que pode ser sintetizado no modo de vida de um povo e o que resulta da sua criação.
Nesse sentido, o antropólogo inglês Edward. B Tylor (1832-1917) afirma que cultura é: “um todo complexo que abarca conhecimentos, crenças, artes, moral, leis, costumes e outras capacidades adquiridas pelo homem como integrante da sociedade” (Apud. VILA NOVA, Introdução à Sociologia,1992, p. 43)
Reinholdo Aloysio Ullmann, na sua obra Antropologia: o homem e a cultura, ao abordar o assunto, também numa perspectiva antropológica, defende que Cultura, em sentido estrito,
significa o modus vivendi global de que participa determinado povo. Está incluída aí a maneira de agir, o que implica uma concepção ética; a maneira de pensar, o modo de sentir. O sentir, pensar e agir manifestam-se na linguagem, no código de leis seguido, na religião praticada, na criação estética. É o que se chama, tradicionalmente, de cultura não-material. Ao mesmo tempo, porém, o modus vivendi se expressa nos instrumentos utilizados, bem como na maneira de obtê-los, nas vestimentas, nas habitações em que o homem busca abrigo. Cultura material é a designação que abrange esses itens. Há que dizer, para não deixar dúvidas, que todo comportamento humano-cultural não é herança genética, mas transmissão social (O Homem e a cultura, 1991, p. 84).
Como podemos perceber, a dificuldade para se entender claramente o conceito de cultura, deve-se ao longo processo de re-elaboração a que foi sujeito o termo desde o século XI até os nossos dias.
Todavia, alguns elementos estiveram sempre presentes, a saber: a cultura é sempre uma ação criativa do homem sobre a natureza. Essa ação criativa tanto pode ser de natureza imaterial ou simbólica, como valores econômicos, éticos e estéticos, crenças, leis, normas e costumes. Isso só é possível graças à capacidade cognitiva, que o permite conhecer a realidade e alterar o significado dos objetos adaptando-os à satisfação de suas necessidades. É também a capacidade cognitiva que possibilita transmissão dos conhecimentos e técnicas de produção a outras gerações, perpetuando o saber. A ação criativa do homem pode ser de natureza material. O homem age sobre a natureza e produz objetos de artes, alimentos, indumentária e artefatos de modo geral, graças a uma combinação da capacidade cognitiva com a capacidade de premer da mão humana, permitindo a manipulação da realidade e criação de instrumentos necessários à alteração da própria natureza em seu benefício.
Ou seja, a noção de cultura evoca um aspecto imaterial: modo de ser e de viver de um povo, expresso num corpo complexo de significações linguísticas criado, aceito e transmitido pelo grupo, a cultura imaterial; e também um aspecto material: produção de objetos e utensílios para a sobrevivência, conforto e organização do grupo social, a cultura material.



 Cf. SOUZA, Sonia Maria Ribeiro de. Um Outro Olhar: Filosofia. São Paulo: FTD, 1995, p.114)

Postado por Epitácio Rodrigues
Professor da rede pública do estado do Ceará e pesquisador na área de Filosofia. Coautor do livro "As Portas do Tempo nos Muros da Vida".

 


O que é Cultura?:

Cultura significa cultivar, e vem do latim colere. Genericamente a cultura é todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo homem não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade como membro dela que é.
Cada país tem a sua própria cultura, que é influenciada por vários fatores. A cultura brasileira é marcada pela boa disposição e alegria, e isso se reflete também na música, no caso do samba, que também faz parte da cultura brasileira. No caso da cultura portuguesa, o fado é o patrimônio musical mais famoso, que reflete uma característica do povo português: o saudosismo.
Cultura na língua latina, entre os romanos tinha o sentido de agricultura, que se referia ao cultivo da terra para a produção, e ainda hoje é conservado desta forma quando é referida a cultura do soja, a cultura do arroz etc.
Cultura também é definida em ciências sociais como um conjunto de ideias, comportamentos, símbolos e práticas sociais, aprendidos de geração em geração através da vida em sociedade. Seria a herança social da humanidade ou ainda de forma específica, uma determinada variante da herança social. Já em biologia a cultura é uma criação especial de organismos para fins determinados.
A principal característica da cultura é o mecanismo adaptativo que é a capacidade, que os indivíduos tem de responder ao meio de acordo com mudança de hábitos, mais até que possivelmente uma evolução biológica. A cultura é também um mecanismo cumulativo porque as modificações trazidas por uma geração passam à geração seguinte, onde vai se transformando perdendo e incorporando outros aspectos  procurando assim melhorar a vivência das novas gerações.
O conceito de cultura organizacional remete para o conjunto de normas, padrões e condições que definem a forma de atuação de uma organização ou empresa.
A cultura é um conceito que está sempre em desenvolvimento, pois com o passar do tempo ela é influenciada por novas maneiras de pensar inerentes ao desenvolvimento do ser humano.
Cultura na Filosofia
De acordo com a filosofia a cultura é o conjunto de manifestações humanas que contrastam com a natureza ou o comportamento natural. É uma atitude de interpretação pessoal e coerente da realidade, destinada a posições suscetíveis de valor íntimo, argumentação e aperfeiçoamento. Além dessa condição pessoal, cultura envolve sempre uma exigência global e uma justificação satisfatória, sobretudo para o próprio. Podemos dizer que há cultura quando essa interpretação pessoal e global se liga a um esforço de informação no sentido de aprofundar a posição adotada de modo a poder intervir em debates. Essa dimensão pessoal da cultura, como síntese ou atitude interior, é indispensável.
Cultura na Antropologia
Cultura na antropologia é compreendida como a totalidade dos padrões aprendidos e desenvolvidos pelo ser humano. A cultura como antropologia tem como objetivo representar o saber experiente de uma comunidade, saber obtido graças à sua organização espacial, na ocupação do seu tempo, na manutenção e defesa das suas formas de relação humana. Estas manifestações constituem aquilo que é denominado como a sua alma cultural, os ideais estéticos e diferentes formas de apresentação.
Cultura Popular
A cultura popular é algo criado por um determinado povo, sendo que esse povo tem parte ativa nessa criação. Pode ser literatura, música, arte etc. A cultura popular é influenciada pelas crenças do povo em questão e é formada graças ao contato entre indivíduos de certas regiões.
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FONTE: http://www.significados.com.br/cultura/

Organização da postagem: Profª Lourdes Duarte