Seguidores

Mostrando postagens com marcador CONTEÚDOS DE LITERATURA.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CONTEÚDOS DE LITERATURA.. Mostrar todas as postagens

domingo, 20 de agosto de 2017

Trecho de A Máquina do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade



A Máquina do Mundo
Carlos Drummond de Andrade


E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco


se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas


lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,


a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.


Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável


pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.


Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera


e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,


convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas,


assim me disse, embora voz alguma
ou sopro ou eco ou simples percussão
atestasse que alguém, sobre a montanha,

a outro alguém, noturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
"O que procuraste em ti ou fora de


teu ser restrito e nunca se mostrou,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,


olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética,


essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo


se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste... vê, contempla,
abre teu peito para agasalhá-lo.”


As mais soberbas pontes e edifícios,
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge


distância superior ao pensamento,
os recursos da terra dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos


e tudo que define o ser terrestre
ou se prolonga até nos animais
e chega às plantas para se embeber


no sono rancoroso dos minérios,
dá volta ao mundo e torna a se engolfar,
na estranha ordem geométrica de tudo,


e o absurdo original e seus enigmas,
suas verdades altas mais que todos
monumentos erguidos à verdade:


e a memória dos deuses, e o solene
sentimento de morte, que floresce
no caule da existência mais gloriosa,


tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.


Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,


a esperança mais mínima — esse anelo
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios do sol inda se filtra;


como defuntas crenças convocadas
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face


que vou pelos caminhos demonstrando,
e como se outro ser, não mais aquele
habitante de mim há tantos anos,


passasse a comandar minha vontade
que, já de si volúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes


em si mesmas abertas e fechadas;
como se um dom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,


baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.


A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,


se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mãos pensas.



Este poema foi escolhido como o melhor poema brasileiro de todos os tempos por um grupo significativo de escritores e críticos, a pedido do caderno “
MAIS” (edição de 02-01-2000), publicado aos domingos pelo jornal “Folha de São Paulo”. Publicado originalmente no livro “Claro Enigma”, o texto acima foi extraído do livro “Nova Reunião”, José Olympio Editora – Rio de Janeiro, 1985, pág. 300.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Rachel de Queiroz (1910 - 2003)



Rachel de Queiroz
(1910 - 2003)

Rachel de Queiroz, romancista e cronista brasileira. Nasceu em Fortaleza, Ceará, e residiu na cidade do Rio de Janeiro.
Com a publicação de O quinze (1930) tornou-se a única representante feminina do "romance do nordeste". Nos livros seguintes, João Miguel (1932), Caminho de pedras (1937), As três Marias (1939), foi aperfeiçoando sua temática social e regionalista. Dora, Doralina (1975) e Memorial de Maria Moura (1992) são seus romances mais recentes: "De mim ele só chegava perto quando de serviço ou chamado meu. Nunca me tocou nem com a ponta do dedo, nunca também me olhou nos olhos. Nunca me sorriu." Dedica-se ainda à literatura infantil, ao teatro e à tradução.
No início da década de 1970, a Academia Brasileira de Letras modificou seus estatutos para receber Rachel de Queiroz, primeira acadêmica mulher do Brasil.
Faleceu em 04 de novembro de 2003.



Geometria dos Ventos
Rachel de Queiroz


Eis que temos aqui a Poesia,
a grande Poesia.
Que não oferece signos
nem linguagem específica, não respeita
sequer os limites do idioma. Ela flui, como um rio.
como o sangue nas artérias,
tão espontânea que nem se sabe como foi escrita.
E ao mesmo tempo tão elaborada -
feito uma flor na sua perfeição minuciosa,
um cristal que se arranca da terra
já dentro da geometria impecável
da sua lapidação.
Onde se conta uma história,
onde se vive um delírio; onde a condição humana exacerba,
até à fronteira da loucura,
junto com Vincent e os seus girassóis de fogo,
à sombra de Eva Braun, envolta no mistério ao
mesmo tempo
fácil e insolúvel da sua tragédia.
Sim, é o encontro com a Poesia.
****


A Ocupação e a Sensação Angustiosa de Espera
 

Agora, que já tinha um serviço, João Miguel passava parte do dia fazendo longas tranças de palha, ao lado do milagreiro, que se sentava à soleira da porta, esculpindo os seus pedaços de anatomia.
A sensação angustiosa de espera, que tanto o martirizara nos primeiros dias de prisão, ia-se aos poucos abrandando.
Porque o que mais o torturava, a princípio, fora a indecisão sobre o seu destino, entregue às alternativas de bem ou de mal da justiça, feito um pau largado na força de uma correnteza.
A atitude permanente de festa, que sentia necessária, afligia-o como uma insônia.
Imaginara, no começo, que, ali, preso, tudo conspiraria para o comprometer, para o desgraçar, para o prender mais.
Porém, com o correr dos dias, com a oportunidade de um trabalho manual, ia-se suavizando a tensão nervosa. E mormente o tranqüilizou a indiferença geral por ele e pelo seu crime.
Já se entregava à sorte, disposto a tudo, até a ficar ali longos anos, os melhores anos de sua vida...
O milagreiro, que era solto ali dentro, não lhe abandonava a porta, sempre agarrado a um pedaço de pau e ao canivete, sempre seguido do enxame de cavacos.
Já lhe contara todos os seus passos, as paixões, as ambições, as boas e más fortunas, uma viagem ao Amazonas...
João Miguel notara:
- Também já andei lá no Amazonas...
- Você donde é?
- Dos Inhamuns. Mas vim de lá pequeno. Desde que me entendo, corro mundo...
O outro abanou a cabeça.
- Pra vir acabar aqui...
- Acabar, uma história! Deus me livre de me acabar aqui!
O milagreiro encolheu os ombros e, na sua voz comprida, de vogais intermináveis, arrastou:
- Ora, eu, que só peguei oito anos, nem me lembro mais de sair... Quanto mais você, que ainda nem foi a júri...
E o homem contara o desespero dos seus primeiros dias de cadeia, a sua fúria:
- Mas, depois, se vai indo e acostuma. Você é até dos mais mansos. Parece que nasceu aqui... Cadeia acaba sendo o mesmo que o Amazonas... Você, que já andou por lá, por força se lembra. Tem uns que, é só chegar, num instante se acostumam. Outros nunca passam de brabo...
João Miguel dissera apenas, torcendo cuidadosamente a palha:
- Uma coisa é ser, outra é parecer...
Porém, o fato é que a sua resignação era mais real do que simulada. Como todo caboclo, tinha, na alma, essa crença na fatalidade que tanto ordena o bem como o mal. Estava ali porque era destino... se cumpriu...
Não pensava no morto. E, quando, a um puxavante da consciência, tentava recordá-lo, sentia-o estranhamente afastado de si.
Que tinha ele, ali, agora, com esse desconhecido que morrera?
É verdade que a facada fora sua. É verdade. Mas por que não lhe ficara nenhuma marca do gesto?
A grande causa de esquecimento, a responsável pela pouca contrição da gente e a pouca constância no arrependimento, é o tempo não ser, como o espaço, uma coisa onde se possa ir e vir, sair e voltar... O que se passa no tempo, some-se, anda para longe e não volta nunca, pior do que se estivesse do outro lado de terra e mar.
Afinal, quem pode manter, num espelho, uma imagem que fugiu?
O Zé Milagreiro chegou a contar até a história da sua morte.
- Tinha meu roçadinho, Seu João... Eu mesmo broquei, encoivarei. Eu mais a mulher, rapando todo o dia com um caquinho de enxada, na terra braba. Inverno bom de legume, foi um milho e um feijão famoso. O milho já estava bonecando, o feijão florando. E o desgraçado todo o dia abria um buraco na ramada, metia a burra dentro. Eu reclamava, tapava a cerca. No outro dia, ia ver, estava a mesma presepada: a cerca furada e a sem-vergonha da burra estragando tudo. Fui ao miserável, perguntei se ele não tinha sentimento, se pensava que o suor dos outros era mijo da mãe dele... E aí pegou palavra daqui e de lá, e eu acabei lhe enterrando tanto assim de faca nos peitos. Pegou mesmo no coração.
Zé Milagreiro, enquanto conversava, acabava de esculpir uma cabeça de homem quase em tamanho natural, de perfil tristonho e pontudo, a cara fina e doentia de uma visagem.
Marcava apressadamente os olhos, a fenda estreita da boca, as pequenas orelhas duras e redondas como seixos, porque a encomenda era vexada, de longe, de um homem de Sobral que se botava pra Canindé: um doido corrido, que São Francisco curara, e ia, com a cabeça de pau, remir a sua dívida com o santo.
E, alisando no crânio chato do milagre a curva do cabelo na testa, Zé Milagreiro acrescentou:
- Eu não sou nenhum doido, pra pensar que é muito certo se matar um vivente... Mas também tinha a minha razão... E olhe, Seu João, só me botaram na cadeia porque os doutores pegaram com muita conversa, com história que o outro era um pobre pai de família...
Seguro na mão do preso, o grande ex-voto de pau, suposta imagem do louco, fitava no vago o olhar estranho.
- Como se eu também não fosse pai de família...
João Miguel, que já costurara com a trança toda a copa do chapéu e passava à aba, indagou:
- E que é feito da sua família, Seu Zé?
- Andam por aí espalhados lá no Riachão, onde eu morava. A mulher vive de fazer renda, de apanhar legume na safra; o menino mais velho deu-se aos padrinhos... uma mocinha que eu tinha casou com um cabra desgraçado, filho na desgraça...
Chegou junto deles um rapaz moreno, alto e magro, com as mãos nos bolsos da blusa desabotoada, um lenço vermelho no pescoço.
Acercou-se da porta onde os dois conversavam. Parou uns instantes, olhou a cabeça de pau, e lembrou:
- É ver o soldado Chicute! Escritinho! Também nunca vi diabo da cara de milagre como aquele!...
Afirmou-se novamente no ex-voto, riu-se:
- Eh! Eh! Adeus, Chicute! - e saiu assobiando.
João Miguel comentou:
- Depois que estou aqui, é a segunda vez que vejo esta criatura.
- É porque ele vive lá fora, mais os soldados. Como não é criminoso de morte, tem mais vantagem que os outros.
- E por que é que ele está aqui?
O outro baixou a fala:
- Quando vem alguém, e pergunta por que é que está preso, ele diz que foi por causa de umas cacetadas que deu noutro... Natural, tem vergonha de dizer que é ladrão...
O milagreiro murmurou, mais baixo ainda:
- Você não vá dizer que fui eu que lhe contei, que ele se dana. Foi ele que arrombou a loja do velho Lulu, e carregou tudo, até o dinheiro da gaveta de segredo. E nunca disse a ninguém onde escondeu o roubo...
- É engraçado ele não querer que a gente saiba!... - E João Miguel riu. - Na minha mente, quem estava aqui não se importava de contar mais nada...
- Por quê? Pois eu acho muito direito ele não querer contar...
Quem é que gosta de ter fama de ladrão, criatura? Mas antes matar do que pegar no alheio...
Dados os últimos cortes na cabeça, Zé Milagreiro separou-a pelo pescoço e ficou fazendo com o canivete, aqui, além, uns retoques.
João Miguel concluiu também os derradeiros pontos na palha.
E, pronto o chapéu, quebrou-lhe a aba na frente, pô-lo subitamente na cabeça polida do milagre.
- Olhe, Seu Zé, como o bicho está gaiato!
Vendo a estranha figura encarapuçada, dum ridículo singularmente doloroso que sugeria uma maldade ou uma profanação, Zé Milagreiro arrancou-lhe rapidamente o chapéu, como se receasse um castigo:
- Deixe disso, Seu João! Pode o santo se zangar!

*****

 A Arte de Ser Avó

Netos são como heranças: você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu. É, como dizem os ingleses, um ato de Deus. Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, sem as dores da maternidade. E não se trata de um filho apenas suposto, como o filho adotado: o neto é realmente o sangue do seu sangue, filho de filho, mais filho que o filho mesmo...
Quarenta anos, quarenta e cinco... Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem as suas alegrias, as suas compensações - todos dizem isso embora você, pessoalmente, ainda não as tenha descoberto - mas acredita.
Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade. Não de amores nem de paixões: a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meu Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos cheios de problemas que hoje são os filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento a prestações, você não encontra de modo nenhum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aqueles que você recorda.
---
E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis - nisso é que está a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino seu que lhe é "devolvido". E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo e decepção se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor recalcado que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.
Sim, tenho certeza de que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis. Aliás, desconfio muito de que netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos. Se o Doutor Fausto fosse avó, trocaria calmamente dez Margaridas por um neto...
No entanto - no entanto! - nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, o entrave maior, a grande rival: a mãe. Não importa que ela, em si, seja sua filha. Não deixa por isso de ser a mãe do garoto. Não importa que ela, hipocritamente, ensine o menino a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha", e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais. No fundo ela é rival mesmo. Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante dos triângulos conjugais. A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe de comer, dá-lhe banho, veste-o. Embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar.
Já a avó, não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, "não ralha nunca". Deixa lambuzar de pirulitos. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso nos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia. Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido, antes uma maravilhosa subversão da disciplina. Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer roquetes, tomar café - café! -, mexer no armário da louça, fazer trem com as cadeiras da sala, destruir revistas, derramar a água do gato, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser - e até fingir que está discando o telefone. Riscar a parede com o lápis dizendo que foi sem querer - e ser acreditado! Fazer má-criação aos gritos e, em vez de apanhar, ir para os braços da avó, e de lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna...
---
Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão defunto desfruta os mais requintados prazeres da alma. Porém, esses prazeres não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o olhar das outras avós, com os seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto!
E quando você vai embalar o menino e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz: "Vó!", seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.
E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe o castiga, e ele olha para você, sabendo que se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade...
Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menininho - involuntariamente! - bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beiço pronto para o choro; e depois o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, Vó? Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague...
(O brasileiro perplexo, 1964.)

Vale a pena conhecer as obras dessa fantástica mulher brasileira.
Fontes:
http://www.vidaempoesia.com.br/racheldequeiroz.htm

Enciclopédia Encarta - 2000 Microsoft


A PROSA - Diferença entre Prosa e Poesia, Segunda Geração Modernista em Poesia e Prosa, Principais Autores e Obras.

A PROSA 

      A Prosa é o texto no estilo natural, sem a sujeição à rima, ritmo, parágrafos, estrutura métrica, aliterações ou número de sílabas. A principal diferença entre a poesia é a musicalidade.
   A prosa é o estilo mais utilizado na linguagem do cotidiano para expressar o pensamento racional porque a linguagem predominantemente está no discurso analítico, objetivo, real e pouco ambíguo. É, em resumo, o texto corrido.
     O conto, a crônica, a novela e o romance são exemplos de texto em prosa. Em geral, a prosa apresenta análise, narração e linguagem discorrida de maneira contínua. Também são exemplos o texto jornalístico e técnico.
O termo prosa é usado para designar um texto em que o autor oferece ao leitor a ambientação do personagem e deu mundo dentro de um espaço físico e temporal.
Pode ser dividida entre prosa literária da não-literária. Nesse estilo são reconhecidas diferentes formas, como a narrativa, a oratória, a poética, a ensaística e o texto científico. Também são reconhecidas as formas dramática, informativa e epistolar.

Prosa Poética

    A principal característica da prosa poética está na dinâmica extensiva do texto, em geral, com imagens invocadas. Segue um processo semelhante ao encontrado no romance ou conto.
A prosa poética recorre a figuras típicas da poesia, como a aliteração, a metáfora, a elipse, e a sonoridade das frases.
A aplicação dos elementos, contudo, é subordinada ao alongamento do discurso narrativo, cuja tendência é o olhar lírico sobre a realidade.
Entre os principais exemplos de prosa poética na obra da literatura brasileira está “Grande Sertão Veredas”, de João Guimarães Rosa. “Lavoura Arcaica”, de Raduan Nassar, também é listado pela Academia Brasileira de Letras como um dos exemplos mais singulares da prosa poética.
Ambos são considerados exemplos de prosa levada ao estado de poesia sem, porém, abrir mão da estética narrativa extensiva.

Exemplos de Prosa
Grande Sertão Veredas

Reze o senhor por essa minha alma. O senhor acha que a vida é tristonha? Mas ninguém não pode me impedir de rezar; pode algum? O existir da alma é a reza... Quando estou rezando, estou fora de sujidade, à parte de toda loucura. Ou o acordar da alma é que é?
Lavoura Arcaica

"Meu pai sempre dizia que o sofrimento melhora o homem, desenvolvendo seu espírito e aprimorando sua sensibilidade; ele dava a entender que quanto maior fosse a dor tanto ainda o sofrimento cumpria sua função mais nobre; ele parecia acreditar que a resistência de um homem era inesgotável."
Poema em Prosa

    É a prosa gerada pelo impulso poético, tendo na essência liberdade formal a atrelada à concisão. O poema em prosa consegue desfrutar da crítica, da narração aos fatos diários e da regularidade de expressão.
   A característica marcante está na brevidade e, ainda, na exceção à quebra de versos e no uso das mesmas figuras de linguagem comuns à poesia.
  Embora se utilize dos recursos da poesia, se afasta da prosa poética por apresentar ritmo, harmonia e dissonâncias em todo o tempo. No recurso da brevidade, o poema em prosa marca pelo uso frequente de elipses e cortes bruscos.

Exemplo
Illuminations, de Arthur Rimbaud

     Marotos muito sólidos. Vários exploraram vossos mundos. Sem necessidade, e sem pressa de aplicar suas brilhantes faculdades e seus conhecimentos de vossas consciências. Que homens maduros! Seus olhos embotados deverão ser como as noites de verão, negros e vermelhos, de três cores, de aço picotado por estrelas de ouro; fácies disformes, de estanho, lívidas, incendidas; grosseiras galhofas! O avanço cruel dos ouropéis! – Há alguns jovens – que achariam de Cherubino? – dotados de vozes apavorantes e de alguns apetrechos perigosos. Costumam mandá-los se virar na cidade, pavoneando um luxo degradante.


Saiba mais:
A prosa, que ocorre sempre em tempos passados, tem como principais características a divisão de parágrafos bem marcada, a objetividade, que pode ser seguida de subjetividades. Além disso, a realidade é tema constante em seus escritos, utilizando, quase sempre, uma linha do tempo como embasamento para o texto, na qual interessam o mundo, como e quando as coisas acontecem, maiores descrições e detalhes acerca do assunto tratado.
Possui duas significações: pode ser a maneira que um texto é escrito, isto é, o gênero em qual ele se adequa, e neste caso recebe o nome de prosa; ou diz respeito ao seu conteúdo, ao tema a ser tratado em determinada obra. Quando tem a ver com o primeiro sentindo, vai ser oposta a verso; já relacionado ao segundo, é contrária a poesia. Vale lembrar que essas contraposições referem-se à forma. Enfim, estruturalmente existem dois tipos de texto: poesia e prosa.
Outra maneira que a prosa pode ser caracterizada é a partir das nomenclaturas contínua e descontínua. Esta última é apresentada em forma de verso, porém não tem sentido poético; é direta. No parnasianismo, repleto de descritivismo, encontra-se muitos poemas – na carcaça –, sem poesia – no intuito e sentimento. Enquanto a maneira contínua utiliza todos os espaços de uma folha de papel, contendo todo o objetivismo característico da prosa. Não se preocupa com a forma, baseia-se num texto contínuo, como o próprio nome já diz.
       Além dessas duas opções em que a prosa pode ser classificada, ela ainda é dividida em conto, romance e novela. O primeiro subgênero possui uma narração breve, com poucas personagens e normalmente com um único conflito, sem maiores prolongamentos. O segundo tem um tema principal, que vai ser o conflito da história, com ramificações acerca de outros assuntos mais coadjuvantes. Sendo que se utiliza determinada época como pano de fundo para os embates em questão, além de questionamentos filosóficos. E por fim a novela, que se mantém no meio do conto e do romance em relação ao tamanho, e sua peculiaridade é quanto à marcação no decorrer do texto, causando a impressão de uma divisão por capítulos.
      Porém, existe, também, a prosa poética, que nada mais é do que um texto escrito como prosa, mas funcionando como poesia, através da sensibilidade transmitida. O princípio dessa maneira de escrever, historicamente, é ligado ao simbolismo da França. No Brasil, também associa-se aos simbolistas, em especial ao poeta catarinense Cruz e Souza. Foi a partir do século XX que muitos outros poetas brasileiros seguiram a prosa poética como estilo.

Diferença entre Prosa e poesia

A prosa e o verso são duas formas de se fazer um texto literário e ambos buscam expressar conteúdo, às vezes instigar a imaginação entre outras finalidades. No entanto, existem diferenças entre os dois, que vão além dos versos e do texto corrido.

É aprendido que a prosa é um texto corrido e contínuo, e a poesia é feita em versos e com rima, sendo que a diferença é mais complexa e está mais ligada ao seu objetivo e expressão.

A prosa é o gênero em que se foca mais em questões lógicas e racionais, é a captação do não eu, ou seja, a prosa trata de assuntos de questões sociais, emoções de outras pessoas ou simplesmente retrata objetos.

É predominante na prosa o uso das linguagens narrativa e descritiva, e fixa em aspectos visíveis. Há ênfase na denotação, ou seja, as palavras possuem sentido literal.

O texto em prosa não deve ser necessariamente corrido e contínuo. Apesar de se enquadrar melhor nessa forma, pode-se fazer prosa em linhas descontínuas, caso o tema esteja relacionado a alguma questão racional, externa e não ligada ao eu.

A poesia é o gênero que trata de questões emocionais, internas; o sujeito volta-se para si mesmo e são abordados temas como aflições, paixões, conflitos internos, depressão, perda etc.

Sua linguagem não precisa ser narrativa nem descritiva, ela se fixa em aspectos invisíveis, podendo às vezes ser um pouco desconexa e aberta a várias interpretações.

A poesia tem ênfase na conotação, ou seja, as palavras estão no sentido figurado. Pode-se usar e abusar das figuras de linguagem. O importante é se expressar.

O texto em poesia se enquadra melhor em versos e forma descontínua, pode–se distribuir os versos de diferentes formas na folha de papel, sem parágrafo etc. Também existem poemas de estrutura determinada, como os sonetos.

Segunda Geração Modernista

         A prosa, por sua vez, alargava a sua área de interesse ao incluir preocupações novas de ordem política, social, econômica, humana e espiritual. A piada foi sucedida pela gravidade de espírito, a seriedade da alma, propósitos e meios. Essa geração foi grave, assumindo uma postura séria em relação ao mundo, por cujas dores, considerava-se responsável. Também caracterizou o romance dessa época, o encontro do autor com seu povo, havendo uma busca do homem brasileiro em diversas regiões, tornando o regionalismo importante. A Bagaceira, de José Américo de Almeida, foi o primeiro romance nordestino. Rachel de Queiroz, Jorge Amado, José Lins do Rego, Érico Verissimo, Graciliano Ramos e outros escritores criaram um estilo novo, completamente moderno, totalmente liberto da linguagem tradicional, nos quais puderam incorporar a real linguagem regional, as gírias locais. O humor quase piadístico de Drummond receberia influências de Mário e Oswald de Andrade. Vinícius, Cecília, Jorge de Lima e Murilo Mendes apresentaram certo espiritualismo que vinha do livro de Mário Há uma Gota de Sangue em Cada Poema (1917). 

Segunda Geração Modernista (POESIA)

     Estendendo-se de 1930 a 1945, a segunda fase foi rica na produção poética e, também, na prosa. O universo temático amplia-se com a preocupação dos artistas com o destino do Homem e no estar-no-mundo. Ao contrário da sua antecessora, foi construtiva. Não sendo uma sucessão brusca, as poesias das gerações de 22 e 30 foram contemporâneas. A maioria dos poetas de 30 absorveram experiências de 22, como a liberdade temática, o gosto da expressão atualizada ou inventiva, o verso livre e o antiacademicismo. Portanto, ela não precisou ser tão combativa quanto a de 22, devido ao encontro de uma linguagem poética modernista já estruturada. Passara, então, a aprimorá-la, prosseguindo a tarefa de purificação de meios e formas direcionando e ampliando a temática da inquietação filosófica e religiosa, com Vinícius de Moraes, Jorge de Lima, Murilo Mendes, Carlos Drummond de Andrade. 

Principais Autores da Prosa

Rachel de Queiroz


Rachel de Queiroz nasceu em 1910 e foi a primeira mulher eleita para a ABL (em 1977). Poetisa, cronista e teatróloga, sobressaiu-se como romancista e regionalista. Rachel de Queiroz tem em sua ficção a preocupação de mostrar tanto os problemas sócio-políticos do NE do Brasil como também fazer análises psicológicas. 

Principais obras:

''O Quinze''
 ''Caminhos de Pedra''
 ''Três Marias''
 ''Memorial de Maria Moura.''

Jorge Amado


Jorge Amado nasceu em uma fazenda de cacau em Itabuna, Bahia, em 1912. Cursou o primário em Ilhéus (com uma professora particular que se tornou personagem de Gabriela Cravo e Canela) e fez o secundário em um internato. Nessa época começou a ler autores ingleses e portugueses. Fugiu para a casa do avô no Sergipe e em 1927 matriculou-se num externato, onde ligou-se a Academia dos Rebeldes, grupo de jovens escritores contrários ao Modernismo. Apesar disso, Jorge Amado é considerado modernista da segunda geração. Trabalhou em jornais e editoras, tendo fugido do Brasil por perseguições políticas em 1935 e, após eleito deputado federal em 1945, teve seu mandato cassado em 1948 quando o PCB foi posto na ilegalidade. Deixou o país e viajou pelo mundo, recebendo um prêmio na união Soviética em 1951. Em 1961 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras.

Principais obras:

O País do Carnaval, romance (1930)
Cacau, romance (1933)
Suor, romance (1934)
Jubiabá, romance (1935)
Mar morto, romance (1936)
Capitães da areia, romance (1937)
A estrada do mar, poesia (1938)
ABC de Castro Alves, biografia (1941)
O cavaleiro da esperança, biografia (1942)
Terras do Sem-Fim, romance (1943)
São Jorge dos Ilhéus, romance (1944)
Bahia de Todos os Santos, guia (1945)
Seara vermelha, romance (1946)
O amor do soldado, teatro (1947)
O mundo da paz, viagens (1951)
Os subterrâneos da liberdade, romance (1954)
Gabriela, cravo e canela, romance (1958)
A morte e a morte de Quincas Berro d'Água, romance (1961)
Os velhos marinheiros ou o capitão de longo curso, romance (1961)
Os pastores da noite, romance (1964)
O Compadre de Ogum, romance (1964)
Dona Flor e Seus Dois Maridos, romance (1966)
Tenda dos milagres, romance (1969)
Teresa Batista cansada de guerra, romance (1972)
O gato Malhado e a andorinha Sinhá, historieta infanto-juvenil (1976)
Tieta do Agreste, romance (1977)
Farda, fardão, camisola de dormir, romance (1979)
Do recente milagre dos pássaros, contos (1979)
O menino grapiúna, memórias (1982)
A bola e o goleiro, literatura infantil (1984)
Tocaia grande, romance (1984)
O sumiço da santa, romance (1988)
Navegação de cabotagem, memórias (1992)
A descoberta da América pelos turcos, romance (1994)
Hora da Guerra, crônicas (2008)
O milagre dos pássaros , fábula (1997)

José Lins do Rego

    José Lins do Rego Cavalcanti nasceu em 1901, no Estado da Paraíba, e morreu em 1957 na cidade do Rio de Janeiro.Viveu a maior parte de sua vida em Recife, cidade onde se formou em Direito. A partir de 1936, passou a viver na cidade do Rio de Janeiro.O dia a dia e os costumes tanto de Pernambuco quanto do Rio de Janeiro eram evidentes em suas obras literárias.
Ele deu início ao conhecido Ciclo da Cana-de-Açúcar com a obra: Menino de Engenho. Além deste livro, este notável escritor escreveu outros livros, como: Doidinho, Banguê, O Moleque Ricardo e Usina. Este último possui narrativa descritiva do meio de vida nos engenhos e nas plantações de cana-de-açúcar do Nordeste.  
Em sua segunda fase, José Lins do Rego escreveu romances que tinham como tema a vida rural. Deste período, fazem parte as seguintes obras: Pureza, Pedra Bonita, Riacho Doce e Agua Mãe.   
No ano de 1943 publicou o livro Fogo Morto, considerado a sua obra-prima; posteriormente escreveu Euridice, Cangaceiros, alguns ensaios, crônicas e outras obras. 
Este notável escritor foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras e teve suas obras traduzidas para diferentes idiomas, entre eles, o russo. Antes de morrer, escreveu um livro de memórias chamado: Meus Verdes Anos.


Principais obras:

Menino de engenho (1932) 
Doidinho (1933) 
Bangüê (1934) 
O Moleque Ricardo (1935) 
Usina (1936) 
Pureza (1937) 
Pedra bonita (1938) 
Riacho doce (1939) 
Fogo morto (1943) 
Eurídice (1947) 
Cangaceiros (1953) 
Gordos e magros (1942) 
Poesia e vida (1945) 
Homens, seres e coisas (1952) 
A casa e o homem (1954) 
Meus verdes anos (1956) 
O vulcão e a fonte (1958) 
Dias idos e vividos (1981)

Érico Verissimo

Nasceu cm Cruz Alta, Rio Grande do Sul, em 17 de dezembro de 1905. Filho de família abastada que se arruinou economicamente, acabou trabalhando de farmacêutico, e na Livraria do Globo até que em 1931 transferiu-se em definitivo para Porto Alegre, onde se tornou diretor da Revista do Globo. 
O fim de seu anonimato veio com a publicação de Olhai os Lírios do Campo. Seu primeiro conto publicado tinha forte inclinação regionalista e chamava-se Ladrão de Gado. Alcançou o topo de sua carreira de escritor com O Tempo e o Vento, que conta a formação social do Rio Grande do Sul, verdadeiro monumento literário. Projetou-se no país e no exterior e conseguiu o difícil feito de profissionalizar-se como escritor, situação alcançada por muito poucos em língua portuguesa. 
Sentindo-se sufocado pelo Estado Novo, aceitou em 1943 um cargo como professor universitário em Berkley, nos EUA, mesmo não tendo concluído oficialmente o segundo grau. Durante a sua vida viajou muito, sobretudo nos anos 50, quando teve um cargo na União Pan-Americana. 
Infelizmente não chegou a completar o segundo volume de sua autobiografia, Solo de Clarineta, que seria uma trilogia, faleceu em 28 de novembro de 1975, em Porto Alegre.

Principais obras:

Clarissa(1933);
Caminhos cruzados(1935);
Música ao longe(1935); 
Um lugar ao sol(1936);
Olhai os lírios do campo(1938);
Saga(1940); 
O resto é silêncio(1942);
O tempo e o vento:
 I - O continente(1948), II - O retrato(1951), III - O arquipélago(1961);
 O senhor embaixador(1965);
 O prisioneiro(1967);
 Incidente em Antares(1971).

Graciliano Ramos

Graciliano Ramos nasceu em Quebrângulo (AL), em 1892. Um dos 15 filhos de uma família de classe média do sertão nordestino, passou parte da infância em Buíque (PE) e outra em Viçosa (AL). Fez estudos secundários em Maceió, mas não cursou faculdade. Em 1910, sua família se estabelece em Palmeira dos Índios (AL).
Em 1914, após breve estada no Rio de Janeiro,trabalhando como revisor, retorna à cidade natal, depois da morte de três irmãos, vitimados pela peste bubônica. Passa a fazer jornalismo e política em Palmeira dos Índios, chegando a ser prefeito da cidade (1928-30).
Em 1925, começa a escrever seu primeiro romance, Caetés - que viria a ser publicado em 1933. Muda-se para Maceió em 1930, e dirige a Imprensa e Instrução do Estado. Logo viriam "São Bernardo" (1934) e "Angústia" (1936, ano em que foi preso pelo regime Vargas, sob a acusação de subversão).
Memórias do Cárcere (1953) é um contundente relato da experiência na prisão. Após ser solto, em 1937, Graciliano transfere-se para o Rio de Janeiro, onde continua a publicar não só romances, mas contos e livros infantis. Vidas Secas é de 1938.
Em 1945, ingressa no Partido Comunista Brasileiro. Sua viagem para a Rússia e outros países do bloco socialista é relatada em Viagem, publicado em 1953, ano de sua morte.

Principais obras:

São Bernardo  (1934)
Vidas Secas  (1938)
Angústia  (1936)

Principais Autores da Poesia

Vinicius de Moraes 

Marcus Vinicius da Cruz Mello Moraes nasceu em 19 de outubro de 1913, no Rio de Janeiro. Atraído pela música desde cedo, Vinícius de Moraes teve seu primeiro poema musical publicado na revista A Ordem, em 1932. Morreu também no Rio de Janeiro, a 9 de julho de 1980. Os primeiros passos de sua carreira estão ainda sob influências neo- simbolistas, contendo certo misticismo. Porém, logo modificou seu estilo para o erotismo, em contraste à suas obras de tom bíblicas anteriores. Nesta segunda fase, Vinícius de Moraes é caracterizado por inovações na ordem formal, a mais notável destas seria o aparecimento dos sonetos. Revela também, nesta segunda fase, uma valorização para o momento, com as coisas acontecendo de repente. Seus poemas trabalharam também com a felicidade e/ou a infelicidade muitas vezes, também. O autor procurou também escrever algumas poesias no ramo social. Fez também importante colaboração para a música nacional, cantando no estilo bossa nova. 

Principais obras:

O Caminho para a Distância 
Forma e Exegese 
Ariana, a Mulher 
Novos Poemas 
Cinco Elegias 
Poemas, Sonetos e baladas 
Pátria Minha 
Livro de Sonetos 
O Mergulhador 
A Arca de Noé 

Jorge de Lima

Jorge Mateus de Lima nasceu em União dos Palmares, AL, 1895 e morreu no Rio de Janeiro em 1953. No país em que p. Antônio Vieira elaborou inúmeros de seus memoráveis ‘Sermões’, já disseram que esse poeta do século XX foi o maior escritor barroco nacional; outro crítico o denominou de o maior poeta brasileiro de todos os tempos; um ficcionista de renome disse ter testemunhado uma confidência segundo a qual o autor do ‘Livro de Sonetos’ganharia, em breve, o Prêmio Nobel, se não tivesse morrido. Jorge de Lima suscita paixões inflamadas em quem quer que se aproxime de sua obra com a atenção necessária. Tendo ficado famoso logo após o Modernismo com poemas que seguiam o programa do movimento, ele logo se distinguiu por criar uma obra de grandeza incomparável. ‘Invenção de Orfeu’, sua obra monumental, é um poema cosmogônico de estrutura sinfônica, no qual, através de um emaranhado de poemas a um só tempo independentes e, de certa forma, interligados, o demiurgo flagra o momento preciso em que o caos originário quer se manifestar em qualquer ordem possível. Se Platão ensinou que poesia é a passagem do não-ser ao ser, de tal forma que o originário continue se manifestando na superfície, Jorge de Lima é o poeta por excelência, o poeta dos poetas, o poeta dos pensadores. 

Principais obras:

XIV Alexandrinos (1914)
O Mundo do Menino Impossível (1925)
Poemas (1927)
Essa Negra Fulô (1928)
Novos Poemas (1929)
O Anjo (1934)
Calunga (1935)
Tempo e Eternidade (1935)
A Túnica Inconsútil (1938)
A Anunciação e Encontro em Mira-Celi (1940)
Livro de Sonetos (1949)
Invenção de Orfeu (1952)
Poesia Completa (1998)

Murilo Mendes

   Murilo Monteiro Mendes nasceu em 1901, em Juiz de Fora, Minas Gerais. Iniciou os estudos em sua terra natal e depois no Colégio Salesiano, em Niterói. Depois de formado exerceu diversas atividades profissionais, como dentista, telegrafista, auxiliar de guarda-livros, notário e Inspetor Federal de Ensino. 
Quando rapaz, por não conseguir se encaixar na escola ou no trabalho, foi morar com seu irmão mais velho no Rio de Janeiro. Onde acabou firmando-se como escrivão. 
Sob a influência de Belmiro Braga, mestre e vizinho iniciou nas letras e passou a participar, eventualmente, de publicações modernistas como, “Terra Roxa e Outras Terras” e “Antropofagia onde, aos 24 anos publicou o poema Mapa. 
Em 1930, publicou “Poemas”, seu primeiro livro, sempre negando ser filiado de algum movimento específico, nem mesmo do Modernismo, até que em 1934 converteu-se ao Catolicismo e, com Jorge de Lima, dedicou-se à poesia religiosa, mística, num movimento de "restauração da poesia em Cristo". 
De 1953 a 1955 percorreu diversos países da Europa, divulgando, em conferências, a cultura brasileira. Em 1957, se estabeleceu em Roma, onde lecionou Literatura Brasileira. Faleceu, em Portugal, em 1975.

Principais obras:

Poemas (1930)
História do Brasil (1932)
Tempo e Eternidade. Colaboração de Jorge de Lima (1935)
O Sinal de Deus (1936)
A Poesia em Pânico (1936)
O Visionário (1941)
As Metamorfoses (1944)
O Discípulo de Emaús (1945; 1946)
Mundo Enigma (1945)
Poesia Liberdade (1947)
Janela do Caos (1949)
Contemplação de Ouro Preto (1954)
Poesias (1925-1955).
Tempo Espanhol (1959)
A Idade do Serrote (memórias) (1968)
Convergência (1970)
Poliedro (1972)
Retratos-relâmpago (1973


Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 31 de outubro de 1902 — Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987) foi um poeta, contista e cronista brasileiro.
Nasceu em Minas Gerais, em Itabira. Depois, foi estudar em Belo Horizonte e Nova Friburgo. Em Belo Horizonte, começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas, que juntava os primeiros modernistas mineiros. Pela insistência da família, formou-se em farmácia na cidade de Ouro Preto, em 1925 profissão pela qual demonstrou pouco interesse.
Com Emílio Moura e outros companheiros, fundou "A Revista" que foi importante para divulgar o modernismo em Minas e no Brasil 

Começou a escrever cedo como, poesia, livros infantis, contos e crônicas, mas durante a maior parte da vida foi funcionário público, no Rio de Janeiro, onde foi morar.
Várias obras de Drummond foram traduzidas para o espanhol, inglês, francês, italiano, alemão, sueco, tcheco e outras línguas.
Em agosto de 1987 morreu a sua única filha, a cronista Julieta. Doze dias depois, o poeta faleceu. Tinha publicado vários livros de poesia e obras em prosa - principalmente crônica. Em vida, já era consagrado como o maior poeta brasileiro de todos os tempos.
O nome de Drummond está associado ao que se fez de melhor na poesia brasileira, pela grandiosidade e pela qualidade .

Principais obras:

Alguma Poesia (1930)
Brejo das Almas (1934)
Sentimento do Mundo (1940)
José (1942)
A Rosa do Povo (1945)
Claro Enigma (1951)
Fazendeiro do ar (1954)
Quadrilha (1954)
Viola de Bolso (1955)
Lição de Coisas (1964)
Boitempo (1968)
A falta que ama (1968)
Nudez (1968)
As Impurezas do Branco (1973)
Menino Antigo (Boitempo II) (1973)
A Visita (1977)
Discurso de Primavera (1977)
Algumas Sombras (1977)
O marginal clorindo gato (1978)
Esquecer para Lembrar (Boitempo III) (1979)
A Paixão Medida (1980)
Caso do Vestido (1983)
Corpo (1984)
Amar se aprende amando (1985)
Poesia Errante (1988)
O Amor Natural (1992)
Farewell (1996)
Os ombros suportam o mundo
Futebol a arte (1970) 

Telha de Vidro

Quando a moça da cidade chegou
veio morar na fazenda,
na casa velha...
Tão velha!
Quem fez aquela casa foi o bisavô...
Deram-lhe para dormir a camarinha,
uma alcova sem luzes, tão escura!
mergulhada na tristura
de sua treva e de sua única portinha...
A moça não disse nada,
mas mandou buscar na cidade
uma telha de vidro...
Queria que ficasse iluminada
sua camarinha sem claridade...
Agora,
o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda,
tão claro que, ao meio dia, aparece uma
renda de arabesco de sol nos ladrilhos
vermelhos,
que — coitados — tão velhos
só hoje é que conhecem a luz doa dia...
A luz branca e fria
também se mete às vezes pelo clarão
da telha milagrosa...
Ou alguma estrela audaciosa
careteia
no espelho onde a moça se penteia.
Que linda camarinha! Era tão feia!
— Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão
cinzenta,
fria,
sem um luar, sem um clarão...
Por que você na experimenta?
A moça foi tão vem sucedida...
Ponha uma telha de vidro em sua vida!




Bibliografia:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Prosa
http://recantodasletras.uol.com.br/teorialiteraria/1357485
https://www.todamateria.com.br/prosa/
www.colegioweb.com.br/modernismo-segunda-fase/rachel-de-queiroz.html
http://2geracaomodernista.blogspot.com.br/


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

José Lins do Rego Vida e obras


José Lins do Rego Vida e obras

    Nascido em Pilar na Paraíba, José Lins do Rego (1901-1957) concentra a maior expressão de sua prosa na decadência da estrutura social e econômica dos latifúndios e engenhos de açúcar, influência de sua infância e adolescência vividas no engenho e seu avô paterno, o coronel José Paulino.
  Cursou Direito em Recife, período em que conviveu com o grupo modernista ali emergente, formado por José Américo de Almeida, Gilberto Freire e outros. Ao atuar como promotor em Maceió, onde escreveu seus primeiros romances, tornou-se amigo de Graciliano Ramos, Jorge de Lima e Rachel de Queiroz. Atuou também na imprensa, na vida diplomática e, pouco antes de morrer, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras.
Num misto de ficção e lembranças de sua vida de menino, o escritor retrata, no conjunto de sua obra, a vida nordestina na visão de quem participou ativamente dela, num período de grandes transformações de natureza econômica e social, resultado da decadência do engenho que começava a ser substituído pela usina moderna. Isso numa linguagem regionalista, popular e fluida.
Ao contar a história de sua terra, segundo o crítico Peregrino Júnior, José Lins do Rego nos apresenta um “documentário autêntico de toda a vida do Nordeste: o mandonismo dos coronéis, o conflito entre os patriarcas rurais e os jovens bacharéis fracassados, a luta da indústria (usinas) contra o ‘atraso feudal’ (engenhos)”; de acordo com o crítico, “o drama do fanatismo popular, as tropelias heróicas dos bandoleiros soltos a fazer justiça com as próprias mãos, as intrigas miúdas da política municipal”, isso tudo o escritor mostra poeticamente, de forma dolorosa, como a vida de toda a gente dos engenhos, canaviais e das casas-grandes do Nordeste.
A prosa de José Lins do Rego foi dividia, por ele mesmo, em dois ciclos: o da cana-de-açúcar, que compreende “Fogo Morto”, sua obra-prima, “Menino de Engenho”, “Usina”, “Doidinho” e “Bangüê”. “Pedra Bonita” e “Cangaceiros” compõem o ciclo do cangaço, seca e misticismo. Além dessas obras, publicou ainda “Riacho Doce”, adaptada para a televisão e cinema, “Moleque Ricardo”, “Pureza”, “Água Mãe” e “Eurídice”.
José Lins do Rego pode não apresentar uma análise crítica e social em suas obras, como a de seu amigo Graciliano Ramos. No entanto, como poucos, transpôs para literatura o imaginário do povo nordestino que, antes dele, só aparecia nas narrativas orais, nos repentes e na literatura de cordel.

Principais obras de José Lins do Rego

- Menino de engenho (1932)
- Doidinho (1933)
- Bangüê (1934)
- O Moleque Ricardo (1935)
- Usina (1936)
- Pureza (1937)
- Pedra bonita (1938)
- Riacho doce (1939)
- Fogo morto (1943)
- Eurídice (1947)
- Cangaceiros (1953)
- Gordos e magros (1942)
- Poesia e vida (1945)
- Homens, seres e coisas (1952)
- A casa e o homem (1954)
- Meus verdes anos (1956)
- O vulcão e a fonte (1958)
- Dias idos e vividos (1981)





Fogo Morto (1943), José Lins do Rego

    É a obra máxima do Ciclo da Cana de Açúcar, construída com recursos narrativos modernos, longe da memorialística de outros livros do autor. Em “Fogo Morto” ele transforma em mito e em fantasmagoria o fim de um período colonial da história do Brasil, mostrando a falência do modelo social dos engenhos, do qual ele se sente órfão. Aqui, a matéria nordestina ganha uma estrutura narrativa de planos que se sobrepõem, condensando todo um tempo.
Fontes:
http://www.suapesquisa.com/pesquisa/linsdorego.htm
CEREJA, William Roberto e MAGALHÃES, Thereza Cochar. Literatura Brasileira em diálogo com outras literaturas. 3 ed. São Paulo, Atual editora, 2005, p.454-6.
SARMENTO, Leila Lauar. Português: Literatura, Gramática e Produção de Texto. São Paulo, Moderna, 2004, p. 152.




   Chego ao fim e vos agradeço a eleição. Não rastejei, não vos namorei com olhos compridos de namorado impertinente. Destes-me esta cadeira sem esforços e sem trabalho. Agradeço-vos, e serei vosso companheiro sem torcer a minha natureza. O homem José Lins do Rego continuará intacto com as suas deficiências e as suas possíveis qualidades, pronto ao serviço de Machado de Assis, o capitão de todos nós.

José Lins do Rego



VIDA E OBRAS DE LIMA BARRETO


    Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu em 1881 na cidade do Rio de Janeiro. Enfrentou o preconceito por ser mestiço durante a vida. Ficou órfão aos sete anos de idade de mãe e, algum tempo depois, seu pai foi trabalhar como almoxarife em um asilo de loucos chamado Colônia de Alienados da Ilha do Governador.

Concluiu o curso secundário na Escola Politécnica, contudo, teve que abandonar a faculdade de Engenharia, pois seu pai havia sido internado, vítima de loucura, e o autor foi obrigado a arcar com as despesas de casa.

Como leu bastante após a conclusão do segundo grau, sua produção textual era de excelente qualidade, foi então que iniciou sua atividade como jornalista, sendo colaborador da imprensa. Contribuiu para as principais revistas de sua época: Brás Cubas, Fon-Fon, Careta, etc. No entanto, o que o sustentava era o emprego como escrevente na Secretaria de Guerra, onde aposentaria em 1918.

Não foi reconhecido na literatura de sua época, apenas após sua morte. Viveu uma vida boêmia, solitária e entregue à bebida. Quando tornou-se alcoólatra, foi internado duas vezes na Colônia de Alienados na Praia Vermelha, em razão das alucinações que sofria durante seus estados de embriaguez.

Lima Barreto fez de suas experiências pessoais canais de temáticas para seus livros. Em seus livros denunciou a desigualdade social, como em Clara dos Anjos; o racismo sofrido pelos negros e mestiços e também as decisões políticas quanto à Primeira República. Além disso, revelou seus sentimentos quanto ao que sofreu durante suas internações no Hospício Nacional em seu livro O cemitério dos vivos.

Sua principal obra foi Triste fim de Policarpo Quaresma, no qual relata a vida de um funcionário público, nacionalista fanático, representado pela figura de Policarpo Quaresma. Dentre os desejos absurdos desta personagem está o de resolver os problemas do país e o de oficializar o tupi como língua brasileira.


Vejamos um trecho de Triste fim de Policarpo Quaresma:


“Demais, Senhores Congressistas, o tupi-guarani, língua originalíssima, aglutinante, é verdade, mas a que o polissintetismo dá múltiplas feições de riqueza, é a única capaz de traduzir as nossas belezas, de pôr-nos em relação com a nossa natureza e adaptar-se perfeitamente aos nossos órgãos vocais e cerebrais, por sua criação de povos que aqui viveram e ainda vivem, portanto possuidores da organização fisiológica e psicológica pare que tendemos, evitando-se dessa forma as estéreis controvérsias gramaticais, oriundas de uma difícil adaptação de um língua de outra região à nossa organização cerebral e ao nosso aparelho vocal – controvérsias que tanto empecem o progresso da nossa cultura literária, científica e filosófica.”
Lima Barreto faleceu no primeiro dia do mês de novembro de 1922, vítima de ataque cardíaco, em razão do alcoolismo.

Principais Obras

Lima Barreto é dono de uma vasta obra. Escreveu romances, contos, poesias e críticas. De suas obras destacam-se:
Recordações do escrivão Isaías Caminha (1909)
Triste fim de Policarpo Quaresma (1911)
Numa e ninfa (1915)
Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá (1919)
Os bruzundangas (1923)
Clara dos Anjos (1948)
Diário Íntimo (1953)
Cemitério dos Vivos (1956)

Características das Obras

    As obras de Lima Barreto apresentam uma linguagem coloquial e fluida. Uma das características é o teor satírico e humorístico presente em seus escritos.
Em grande parte, suas obras estão pautadas na temática social, expressando muitas injustiças como preconceito e o racismo.

Além disso, criticou os modelos políticos da República Velha e do Positivismo. Foi simpatizante do socialismo e do anarquismo, rompendo com o nacionalista ufanista.

Triste Fim de Policarpo Quaresma

  Sua obra que merece destaque é o “Triste Fim de Policarpo Quaresma”. Ela foi escrita em 1911 nos folhetins e representa uma das mais importantes do movimento pré-modernista.
Narrada em terceira pessoa, apresenta uma linguagem coloquial e trata-se de uma crítica à sociedade urbana da época.
Ela foi adaptada para o cinema em 1998 intitulada: Policarpo Quaresma, Herói do Brasil.


Frases de Lima Barreto

“O Brasil não tem povo, tem público.”
“Não é só a morte que iguala a gente. O crime, a doença e a loucura também acabam com as diferenças que a gente inventa.”

“E chegada no mundo - escrevia em 1948 - a hora de reformarmos a sociedade, a humanidade, não politicamente, que nada adianta; mas socialmente, que é tudo.”

“O football é uma escola de violência e brutalidade e não merece nenhuma proteção dos poderes públicos, a menos que estes nos queiram ensinar o assassinato.”

“Por esse intrincado labirinto de ruas e bibocas é que vive uma grande parte da população da cidade, a cuja existência o governo fecha os olhos, embora lhe cobre atrozes impostos, empregados em obras inúteis e suntuárias noutros pontos do Rio de Janeiro.”


Por: Daniela Diana Professora licenciada em Letras
Fontes: http://brasilescola.uol.com.br/literatura/lima-barreto-1.htm

https://www.todamateria.com.br/lima-barreto/